sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Save me again, Mr.Cash.

We got married in a fever, hotter than a peppersprout
We've been talkin' 'bout Jackson, ever since the firewent out.
I'm goin' to Jackson
I'm gonna mess around
I'm goin' to Jackson
Look out Jackson town.

Oh yeah, hit me, hit me, hit me.
Porque Sun Walk toca Johnny-Cash-mesmo-não-sendo-blues e eu ficarei imensamente feliz.
E, oh yeah, god bless meus ataques sozinha de 'bom dia, eu te amo' fazendo uma moral com o namorado.

But I won't be waiting in Jackson.
E o from now on é melhor.
Sem disponibilidade, as Kika said. E a moça que me beijou no carnaval de Ouro Preto. E o moço que apertou meus braços com toda aquela pseudo virilidade típica.


A desculpa, a mim mesma, leitora única do blog, por beber às seis da manhã e ficar com cheiro e gosto de cachaça. Oh, eu contei que tenho gosto de cachaça pra quem?
Down to the cold, more then ever.
At least now I'm wearing a bikini.

domingo, fevereiro 11, 2007

- Poor you.
- Quer montar uma banda?
- Quero.
- E se a gente fugisse para o Sul?
- Não, Minas.
- Banda de quê?
- Dupla de samba/mpb.
- Só nós dois?
- Até pode.
- Me dá seu telefone?
- Não. Pára.
- Eu te amo.
- Foda-se, Beto. Je pense que je suis affectueux avec un autre homme.

Beto era uma paixão semi-platônica dos meus 15 anos. Foi um casinho de verão no inverno, após o término do namoro com Diego e antes do início do com Theodoro.
Beto era 10 anos mais velho do que eu. Ainda é. Um ribeirão-pretano encantador que tocava 'Bess, you is my woman' do Miles Davis em violoncelo. Terminou o caso em busca de São Paulo. Foi quando nunca mais o vi e sofri por um rapaz. Rapidamente esquecido, claro, como todos meus homens na época.
Reencontrá-lo foi engraçado. Do nada, sozinha em um bar de esquina. 'Eu acho que te conheço'.
Conversas, comentários, novidades. Acusou-me de amores impossíveis. 'Como o nosso'. 'Eu nem sequer lembrava-me de você, Beto. Se manca'.

E pensava em Raphael. Pensava no que disse ontem a ele. Nos planos que acabei fazendo sozinha, rá. Ele tem medo de que tudo isso se torne real, no sentido de, real mesmo.
Não mais apoio.

sábado, fevereiro 10, 2007

Quando eu morrer,

não quero um enterro cristão, não quero um enterro budista, não quero religião na minha morte. não quero um deus imaginário que existe dentro das pessoas vivas.
não quero pessoas, não quero choro, não quero coroas nem cartõezinhos e fotografias ou lápides com frases de algum filósofo desencantado.
quero morrer sozinha. quero escolher quando morrer. um suicídio solitário, como se existissem milhares de outros tipos.
escolherei como será a morte. há algum charme pessoal envolvido no afogamento, que sempre me encantou. morrer rodeada de água fria, azul, verde, transparente. sem observação.
escreverei uma carta. longa. vastíssima. enrolada. confusa. culparei pessoas e não morrerei com ódio.
outra? morrerei por um tiro. longe. em aberto. sete dias depois de uma fuga alucinada. morrerei dizendo alguma palavra cuidadosamente escolhida.

'meu amor não se incomode, em prestar muita atenção'.





a atração pela morte, hoje. fuga, fuga.
tomei decisões, mudei de idéia, frustrei.

gosh, hoje é em letras minúsculas.
crescer, olha.

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Concerto de silêncio, para duas vozes

Surda era Otília.
Não ouvia as palavras de amor que ele dizia. Não ouvia as músicas de amor que ele cantava.
Deslizava os dedos sobre a boca do amado. E nada. Encostava o ouvido no violão. E nada. Nem som nem vibração chegavam até Otília.
Trancada no silêncio, sofria sem encontrar saída. Até que um dia, tomada de doce fúria, cravou os dentes no pinho que ele dedilhava. E penetrando pelos dentes, fluindo pelos ossos, infiltrando-se debaixo da pele, o som varou enfim, ofuscante, a cabeça de Otília.
Surda, porém, Otília não falava.
Não dizia do amor. Não dizia das músicas que agora lhe chegavam.
Afastado pela mudez, sofria ele em busca de saída. Que encontrou ao cravar os dentes, em doce fúria, no branco ombro de Otília. Percorrendo os dentes, deslizando pelos ossos, impregnando toda a pele, ouvindo a cadência suavíssima pulsar do som da amada, que enfim lhe chegava.

Ah, Marina Colasanti.
Na verdade, há um bocado de coisa que eu não entendo.

Como o por quê de eu só haver aprendido a digitar com o indicador e o dedo médio, ou de eu estar com gripe há duas semanas ou mais, ou minha irritação com tudo.
Acho mesmo que não passa de birra, de manha. Quando eu aprender a controlar certas coisas, as situações todas do mundo melhoram; inclusive a fome e a AIDS na África são culpa minha.
Vir aqui toda vez esperar por ele e cobrar algum retorno é imbecil. São as tentativas de viver, o que a internet não possibilita. Não vou conseguir manter um relacionamento à distância através dela. [Rá, e lembrando que, nos meus tempos sem banda larga, mantinha um namoro com um rapaz de União da Vitória, no Paraná. E o detalhe é que as conversas só ocorriam aos finais de semana. Ahn, claro, das 48 horas, 30 eram passadas na frente do computador, mas vá lá].

Talvez isso aqui nunca vai nos deixar viver, nos fazer crescer. Como ele mesmo disse, ele cresceu tanto, tá tudo tão direitinho; e não foi pelo tempo que ele passou por aqui. Não consigo evitar pensar que estrago um bocado de coisas, que não deveria apoiar tanto, fazer dele alguma espécie de refúgio de uma série de coisas esquisitas, esperar e tudo o mais.
[anuncio a vinda de alguma crise que não deveria existir, visto que depois dos 20 e tantos dias dele comigo, o quadruplicar de sentimento me dá alguma segurança].

As soluções para agora são bem vindas. Acho que a Flora mencionou 'prestar UFBA'. Nada tão grande, já que ele mesmo acha melhor que eu termine o curso e estude e tudo o mais. Contextuais, ié.





_carlos eduardo diz:
o q eh DCE!?

Ai, deuses.

terça-feira, janeiro 30, 2007

de novo e de novo. talvez eu me sinta menos do que antes e tal.
well, sem vontades de explicar.

terça-feira, janeiro 16, 2007

Bah, quando minha mãe resolveu tomar pulsos de ferro da educação dos meus irmãos, era tarde demais. Acho que um bocado da falta de respeito veio de mim. Já levei um tapa na boca por responder alguma coisa e, desde então, sou o exemplo. Droga, o sentimento de culpa me faz ficar chateada. Ou talvez seja a adolescência. Gosh, daquele 'faça o que eu diga, não faça o que eu faço'? Como eu quis que o respeito surgisse e que a consideração por tudo o que minha mãe passa também. Soa tanto como se eles não se importassem e não dessem carinho.
Ela citou algo como 'tomara que ele pegue tiro de guerra.' Hum, agora, depois de ver como ele fala com ela, talvez não o queira mais como companheiro de apartamento.

As separações mais drásticas se dão assim? Oh well, temos um garoto problema mal amado. O raciocínio dele tem se mostrado lento e o egoísmo aflora. Minha avó acha que são companhias. Bom, talvez eu nem enxergasse nada. Não vejo o que fazer para atingi-lo. E, oras, envolvo-me tanto quanto não deveria. É um caso de rapaz mal agradecido.




Meu egoísmo, também. O que nem é, acho. Só consigo pensar no Raphael e nos dois dias que faltam para que ele esteja aqui. Entrego-me à sensação de amor e vontade, ou paixão. E, ao mesmo tempo, consigo perceber que talvez eu não consiga conversar.

Deixa os dias e conta as horas.

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Parei, hoje, para descrever a Elena, mae do Gabriel.

Nada, entao. Apago o texto apos uma raiva de certas coisas. Minha familia e hipocrita, demasiadamente hipocrita.
Cansada dos posts de duas linhas, percebo que nao consigo ultrapassar o limite, por uma aflicao do que e a existencia dela. Talvez eu so tenha criado um sentimento forcado, como e claro nas acoes da minha mae. Vontade quase incontrolavel de sair do meio, agora.


De resto? O 'Gatsby' nao e tao bom quanto dito. Devo ter ido com expectativas demais ao Fitzgerald. Hum, e tia Leo deu-me uma colecao de livros de suspense ou terror, algo como Sheldon e Christie. Nao me interessa, at all. Paro para ler uma linha de casa um deles e, 'e isso'?
Com uma careta, enfio-os de volta ao armario do meu quarto.




Consigo, agora e apenas, ser seis dias.

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Tome tento, fique esperto, hoje não tem papo. Rá.

Meus dias têm sido dignos de 15 anos, para menos.

O ontem, foi na casa da Kika. Enganei-me a respeito dos alcoólicos e me deparei com refrigerante, pizza e 'imagem & ação'. Priscila, Carol, Kika e vídeos no youtube. Para rir? De desesperar. E de todos os ataques quando a opção 'Lazer' saía, e todos os desenhos e minhas mímicas de curandeiro e Recruta Zero.

E minha raposa é assim.

Hum, hoje? Andar, muito. E brigadeiro enrolado com granulado de chocolate e guerra de bexiga d'água. Achava que era sob o pretexto de o Gabriel estar po aqui, mas não. Eu, com os plenos 19 anos, divertindo-me mais que meu priminho de cinco anos.

Ê beleza.

domingo, janeiro 07, 2007

posta! posta! posta!.


Post de umas linhas e só: a Bruna Lombardi é um te-são.
Oh gosh. É, eu achei o 'Grande sertão: veredas' por aí e, apesar de ser adaptação da Globo [Toni Ramos e afins], ela é o Diadorim. Deuses.

terça-feira, janeiro 02, 2007

Hum, retrospectiva?

Nah, só um post piegas de volta-pra-casa-e-senta-no-computador-direito. E, coincidentemente, é o primeiro post de 2007 e tal. É divertido, vai.

2006. 2006 foi um ano, diferente. Eu não sei se ainda é o melhor ano da minha vida porquê ainda não trabalho, mas ele tá todo próximo disso. Esse ano eu fui pra faculdade, voltei a beber, tive sexo e amor, tive amigos, tive música, tive desenvolvimento, tive escrita, tive solidão e companhia, tive leitura, tive São Paulo e Batatais.

Em primeiro lugar, eu entrei na USP. E entrar na USP é, sim, tudo isso o que vocês estão pensando. Aquilo se tornou minha razão de viver facinho, facinho. Ahn, e eu sinceramente acho isso por culpa da ECA, que é o melhor lugar do universo todo depois do meu apartamento. As pessoas, a minha turma de Publicidade, o Gautiê, a Dona Hermínia e o CAC, a ECA Jr., as aulas do Aquino que não serviam pra nada, os tempos na prainha, alguma Quinta&Breja, todas as conversas, tudo, tudo tudo. Ô tesão de faculdade, rapaz.

Meu apartamento. Morar sozinha não é sinônimo de liberdade e independência, mas é o mais próximo disso. Ter uma responsabilidade de limpar um lugar e se alimentar direito, mesmo que a todo momento existisse uma vozinha na minha cabeça dizendo 'larga isso, sua universitária'. Rá, e o que é morar sozinha? É ter todo o tempo do mundo pra você, dançar de calcinha na frente do espelho, inventar alguma coisa pra comer, chamar as meninas para dormir em casa ou assistir a algum jogo da copa regado à cerveja. Chorar e entrar em desespero quando o telefone toca. Tive porres fenomenais sozinha e comecei a ficar louca conversando com a televisão e sabendo que horas eram pelo itinerário do ônibus. Já tive problemas gigantescos com dinheiro, aprendi a economizar e a organizar contas. Aprendi a não ligar para mamãe quando fico doente, a tomar um remédio quando vou ficar gripada, a aguentar tudo o que me incomoda, a correr atrás do que é necessário.

As pessoas. A minha turma de Publicidade, sem exceção de nenhum deles, são umas das pessoas mais fantásticas que eu já conheci. Eu ganhei melhores amigas, mesmo, e que são bem parecidas comigo. Conheci rapazes inteligentíssimos. E todos eles são divertidíssimos, da minha turma. São as 20 pessoas mais unidas do universo, if I may say. E as moças de Biblio, claro. A Mari, a Mar e a Lih. Da Lih, sem qualquer palavra. E os moços de Biblio. E as pessoas de jornalismo e de cênicas. E as outras de Publicidade. E as da FEA, e da Física, de Letras, lá da USP Lost e da EACH, e de Sociais, Geografia, História [tá, isso é DCE]. Bleh, e teve todas as pessoas de fora da USP que eu conheci, na rua, nos bares, nas festas, nos shows e piqueniques no Ibirabuera com o Daniel.
Tive as da internet. Algumas que se tornaram reais, outras não, mas que estão como se fosse perto.
E, talvez a que talvez mais me fez ter alguma sensação ou crescer, o Raphael. Ahn, e bom, falar sobre ele não cabe aqui. After all, ele é meu namorado agora e tudo o mais.

Musicalmente falando, agora, eu cresci como nunca. Eu fucei em Cordel e em jazz, muito jazz. Senti melhor Zeca Baleiro e todas as bandas esquisitas que ninguém nunca ouviu falar. Tive mais contato com o samba e com o blues. Bleh, e, tá. Dancei tudo o que veio na minha frente. Aprendi a respeitar certas coisas em relação à música, oh ié.

Intelectual da Gábe. Por incrível que pareça, desenvolveu-se um pouco. Com a USP, tudo o que eu li e escrevi, o contato com o movimento estudantil, as peças, os shows, as exposições, os filmes.

São Paulo foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida, disso não resta dúvidas. Mas se for esquecer o que aconteceu em Batatais, não. Apesar da internet, aproximei-me mais da Kika [o que resultou em uma declaração, mas vá lá]. Distanciei-me da Jollies e da Lou. Conheci melhor o Octávio. Tirei carteira de motorista. Teve o Bruno, que se tornou algo bem forte em mim. Teve o Zé Antônio. Teve alguma reconciliação com o Théo e um monte de não-falares com o Vinicius. O Guto, meu irmão, melhorou ânimos e é tudo em todos os momentos. O Higue cresce mais a cada dia. Meus pais, bom, sempre bem. Minha casa, ah minha cama.
Odeio cidade pequena, mas sempre volto.


Ah, 2006. Ô ano bom. Mas, como diz Mupy, 2007 é noves-fora. Veremos, veremos. Começa bem, already. ;p

quarta-feira, dezembro 20, 2006

preguica de ler os debates caloros do grupo do calc, han.
o well, divertido, no minimo.

hoje eu decidi uma coisa, apos muito pensar e, nao dormir direito: comeco, agora, a levar meu curso nas 'coxas', pretendendo seguir algo relacionado com a escrita. falta, falta talento, claro, mas ha criatividade e vontade de sobra. ha, tambem, uma maquina de escrever, que e milhoes melhor do que essa porra de computador. quel absurd, claro.

ra, ontem, tambem, cairam certas opinioes a respeito de amor de traicao. [barra maior, ouvir do seu namorado]. desiludida, encostei a cabeca no travesseiro decida a nao ter algum pensamento a respeito de um futuro com meu atual namorado. a gente chama isso de tristeza or something, eu chamo de velha gabriela. parar, claro, com essa mania de construir uma vida baseada nele. com tudo o que aconteceu no final de semana, cada um dos pedacinhos, agora curados e melhores, podem chegar a deixar de achar aquilo de 'homem da minha vida'? imaginem se isso acontecer? digamos, a historia de recife me deixou mais chateada do que a internet possibilita transparecer.

resultado: nao ha mais uma distancia fisica, mas, talvez, uma que seja contextual? oh flora. eu e ele somos de universos diferentes, no sentido de relacionamento, claro. me dispus a isso. continuo. ele vale, e a situacao? outro ponto pra voce.



vamos, vinicius, declare-se, que eu nao recebo um elogio ha meses.

segunda-feira, dezembro 18, 2006

I really can't stay - Baby, it's cold outside
I've got to go away - Baby, it's cold out there
This evening has been - Been hoping that you'd drop in
So very nice - I'll hold your hands, they're just like
ice
My mother will start to worry - Beautiful what you're
hurry
And father will be pacing the floor - Listen to that
fireplace roar
So really I'd better scurry - Beautiful, please don't
hurry
Well, maybe just a half a drink more - put some
records on while I pour
And the neighbors might think - Baby it's bad out
there
Say, what's in this drink? - No cabs to be had out
there
I wish I knew how - Your eyes are like starlight now
To break the spell - I'll take your hat, your hair
looks swell
I ought to say no, no, no sir - Mind if I move in
closer?
At least I'm gonna say that I tried - What's the sense
of hurtin' my pride?
I really can't stay - Baby don't hold out
Baby but it's cold outside
I simply must go - but Baby it's cold outside
The answer is no - but baby, it's cold outside
The welcome has been - How lucky that you dropped in
So nice and warm - Look out that window, man that's
hard
My sister will be suspicious - Gosh, your lips look
delicious
My brother will be there at the door - Waves upon a
tropical shore
My maiden aunt's mind is vicious - Gosh, your lips are
delicious
Well maybe just a cigarette more - Oh, never such a
blizzard before
I've got to go home - Baby, you'll freeze out there
Say, lend me your coat - It's up to your knees out
there
You've really been grand - I thrill when you touch my
hand
But don't you see - How can you do this thing to me
There's bound to be talk tomorrow - Think of my
lifelong sorrow
At least there will be plenty implied - If you caught
pneumonia and died
I really can't stay - Get over that old lie



Para guardar no blog e deixá-lo com um tonzinho a mais de jazz melancólico de abandono. ;)

'A Aracy, minha mulher, Ara, pertence este livro'.

Em 2001, a Nova Fronteira pôs no mercado uma edição de "Grande Sertão: Veredas", de João Guimarães Rosa (1908-1967), que respeitava a insólita ortografia do autor, erroneamente "revisada" após a reforma ortográfica de 1971. A edição trouxe de volta pérolas como "dansar", grafada com "s", porque, para Rosa, a cedilha no "c" "prendia a palavra à linha", impedindo o movimento que o vocábulo deveria evocar.


Quem precisa de pais quando se tem a edição nova do 'Grande sertão: veredas'? Nesse ponto, eu poderia fazer lista das coisas que o livro substitui, mas não cabe, apenas.
Rá, adoro comemorações, datas importantes. Esses cinquenta anos levaram à exposição no Museu da Língua Portuguesa [e a tudo aquilo que chamaram, enquanto eu andava, de 'se divertir lendo Guimarães, nem para as poucas pessoas que conseguem isso, realmente']. Levaram, também, àquela noite de leitura com José Celso, Arnaldo Antunes e Mindlin [a qual eu, sinto em dizer, não pude ir]. Levou ao livro com dvd. Levou a todas as milhares de reportagens sobre Guimarães na Folha. Levou o Antônio Cândido a gravar um cedê com músicas do livro. [www.folha.com.br/063491]. Levou àquele monte de coisa no SESC do Carmo. Está me levando à Letras. Vai guiar meu TCC, provavelmente [sim, eu sou jedi e consigo relacionar Guimarães com publicidade].

Tá, não vem ao caso. Vem, sim, meu mapa de viagem. Hum, começando por Cordisburgo e vai, vai, vai até Canudos.
Nossa, eu conheci um rapaz que foi, e que ficou olhando a represa, putíssimo. Ria dele, na fila para 'O Homem I' [ai, parou.], amigo do Jannerson, acho, era aquele que cantava todas as músicas da peça e tá, por ter ido quatro vezes ou mais em cada episódio.
'Odeio essa maldita represa.' Aham, todos nós.

Por que a Aracy pegou os dois sobrenomes? Ah, never mind. Hoje é dia de Glauber Rocha: 'O Leão de sete cabeças', 'O dragão da maldade contra o santo guerreiro' e, claro, e de novo, 'Terra em Transe'. Hum, tudo isso é coleção, tá. A Gábe é tarada e ainda precisa do 'Corpo de Baile'.




Levanta as mãos!

sexta-feira, dezembro 15, 2006

Hoje eu deveria apenas sorrir e cumprimentar umas cinco ou seis pessoas pela segunda fase conquistada da Fuvest; deveria deitar-me no sofá da sala com um pote de sorvete de chocolate enquanto assistia a terceira parte do 'Poderoso Chefão'; deveria ler um dos livros do Vinicius. Deveria render-me ao tédio gostoso de Batatais.

Mas não. Meu caráter temperamental não deixa e eu consigo ficar pior do que nunca, nesses dias. Comentei rapidamente com a Flora, hoje de manhã, em meio a novidades bem vindas, algo sobre o novo/velho problema. Não consigo, não consigo mais.
Vejo-me fraca e só uma, das pessoas de quem e esperaria, veio. O Raphael não demonstra interesse. Diz que me sente estranha, mas nada mais. Bleh, acostumei-me, quando meu avô morreu, a não esperar, a não sofrer. Forçadamente, desapeguei-me da sensação de que ele estaria sempre aí pra mim. A faculdade não deixa, ou mentira. O DAMED não deixa, ou não. Mais uma vez, imponho-me algo como um homem ocupado, sem tempo. Queria um bocado? Não, not anymore.
O problema aumenta enquanto ele não vem. Nada tinha a ver com ele. Agora tem? Não. Perco-me na vida a custa de aventuras. Tenho bebido e ficado até amanhecer andando pelas ruas. Não sinto peso, vem aquilo do que tenho passado aqui em casa, que não exponho. Vem aquilo que comentei com a Kika ontem, a respeito da falta de liberdade, e do sexo e a bebida terem se tornado algo tão meu que já não pesa.

Fortaleza virou uma disputa, agora, por direitos. Perco a reunião de planejamento. Perco vontade de falar. Afundo-me, a cada dia. Talvez seja isso o que afasta o Raphael. Maybe not, pensando que, se ele não ler o post, não fica sabendo de nada.
O Bruno disse que estou me desapegando, e que sente por isso. Disse, também, que o passado não deveria pesar tanto e que todos os dias na internet é chato. Não deveria ser, quando eu sentia arrepios nos braços a cada vez que ele entrava.

Ontem, na fazenda, vi que o pior era não saber o que ele estava fazendo naquele momento. Não, não por crise possessiva, mas pelo interesse enorme que tenho nele.
Há quantos meses, quantos meses sem carta? Quantos dias sem e-mails? Não fico online no msn, não quero esperá-lo mais. Saio, caminho, afundo-me em pensamentos. Meu relacionamento com ele? Discutimos algo e não temos perspectivas. Temos planos estabelecidos que me fazem sorrir, ainda.
Mas, não o sinto, não o sei, não o encontro. Sentir falta? Se fosse mais, afogaria-me em lágrimas.



É, eu tenho três datas no nosso relacionamento. Daqui a uns dias, seis meses sem você. Eu morro pensando no nosso amor. Que dá tudo certo, e que eu adoro meus ataques, sinto por você. Sempre me entreguei sem pensar, e que a saudade existe e, se vem, é tão triste, ver. Um jazz bonito, da mulher que adora e admira o homem, e que sabe ser fantástica, inteligente, fascinante, mas que não tem isso do amor. Agora? Um amigo em comum me receita um barman e te diz 'cuidado'.

sexta-feira, dezembro 08, 2006

A piauí desse mês fala sobre Beatles. Depois, fui parar reparar em 'Fool on the hill' e em fotografias do Lennon. 'The fool on the hill sees the sun going down'. Sensação parecida por aqui, mesmo antes da formatura, com vontade de usar meu vestido curto vermelho, soltar meus recém cortados cabelos e não me importar em arrumá-los. 'Round, and round, and round, and round'. Quando foi que eu deixei de me importar? Quando foi que eu quis me esconder, novamente? O amargo, é culpa dele.

Hoje quis desistir de tudo. Organizei uma mala, escrevi uma carta e peguei uns dinheiros. Iria para Paraty, provavelmente e com toda a vontade do universo. Eram quatro horas da manhã quando desci as escadas e caminhei até a rodoviária. Parei no frio anormal da região do lago e olhei para baixo. Chutei alguma pedrinha para dentro da água calma e sentei-me. Esperei, esperei, esperei o sol nascer. Desisti, e não foi por ninguém. Foi por mim mesma. Que, eu fujo por mim e de todo mundo. Se fosse, não avisaria ninguém.
Como eu quis, ah, como eu quis..Como eu devia, ah, como eu devia.

Nada de 'chega mais perto' e de 'diga-me, ou faça cara de quem..'. O Vinicius me ligou um bocado de vezes e ficou em silêncio em mais de 15 minutos dos 20 de ligação. Não consegui entender os motivos dele, mas ele dizia para que eu cantasse, resmungasse, assobiasse qualquer canção. Não quis, e partilhei do silêncio.

Hoje, ajudei, claro. Cansei-me mais. Não sinto vontade de sair mas irei. Não quero, não quero.
'Quanta cachaça na minha dor'.


Começa, semana que vem, uma vida profissional. Chato, chato. Depois disso, sei que não paro. Como dedicar-me, além mar? Como, se o funil estreita e as brechas de tempo somem, engolidas pelo vapor?

terça-feira, dezembro 05, 2006

'é tudo uma total insensatez'

Tudo o que eu mais quero é livrar-me de computador e de ter que ficar mais de seis horas por dia sentada por aqui, finalizando e morrendo por não conseguir concentrar-me para escrever um maldito reflecon.
Engraçado como as pessoas da minha sala aparecem no msn com nicks de ameaças de morte à Motter e de ódio aos trabalhos finais.
Serão três meses longe daqui? Não, eu não consigo mais. Certamente volto apenas para pegar o Praça da Sé e ir caminhar pelo Viaduto do Chá.

Domingo foi dia de Denis. Foi dia de marcar algo no MIS, sobre cangaceiros e depois resolver ir até o Ibirapuera aproveitar o sol fechados na Oca. Conversar, andar muito. Ouvi-lo falando do que ele gosta, pensar em como ele tem razão ao dizer 'eu gosto de pessoas que gostam muito de coisas' e da cara dele ao ouvir-me chamando-o de pegator e fazer alguma careta. E de todas as tentativas de fotografias da noite paulistana. E de ouvir do que ele não gosta, das pessoas lerdas e burras. Depois, tirar conclusões sobre como acho divertido ele falando um bocado, contando traumas [além de superá-los] de medo de chuva e ouvindo-me reclamar da aracnofobia.
Descobri que quero ser como ele em certos aspectos, conseguindo enxergar layouts de propaganda em todos os quadros do univeso e falar sobre como o filme da calçada engraçada seria utilizado em algum comercial ou filme.

Ontem foi dia de Largo São Francisco e debate sobre mudanças na conjuntura política, com a Jandira do PCdoB, o Beluzo da CartaCapital, o João Paulo do MST, o Ivan Valente do PSOL e o destoante Paulo Nogueira. Eu boquiaberta e a Cãmi entediada. Patrícia apresentando um milhão de pessoas do DCE com as quais eu nunca tinha tido contato [é, maldita chapa grande], caderninho com todos os papéis do mundo enfiados, anotações, Sala dos Estudantes.
E ah, tudo isso. E ah, mova-se. E ah, eu vou ser tão maior. Tanta vontade.
Marca italiano, e Táli no msn, e Marcha Mundial das Mulheres. Vinicius ligando e vindo aqui às onze da noite com cinco livros no braço e uma cara de bêbado e correndo para encontrar a Juliana.

Hoje. Enrolação, corre-corre, nervosismo. Decidi, do nada, ir para Batatais amanhã mesmo. Volto para São Paulo lá pelo dia 13, creio. Fico e viajo para Praia Grande. E há planejamento.

Outra aflição. Acho que a mãe do Rapha não conversou com a minha. Tá, menos chances de vê-lo. Não sei mais o que fazer. São quantos meses, cinco? Queria poder pedir mais, tentar e tentar. E minha mãe com planos de se fechar na fazenda, coisa que eu, uma mocinha de 19 anos tarada por barulho, não gosta tanto.




É, Toquinho, só me resta você. Fica para a madrugada?

sexta-feira, dezembro 01, 2006

É. Se não fosse pelo Vinicius hoje, teria morrido de tédio.

Sabe, um daqueles dias que a gente tira com a máxima 'hoje eu descanso', mas na verdade, quase morre por não haver o que fazer? Pois foi o que houve por aqui.
Mas ele apareceu aqui em casa com um livro do Rubem Fonseca, uma garrafa de água quente com a cuia de chimarrão e um cedê do Max de Castro.
Claro, ele chegou revoltado com um bocado de coisas [como ele sempre aparece pra mim], resmungando e xingando milhares de pessoas. Olhei bem pra ele e foi um 'Cala a boca, Vinicius. Senta e fica quieto'. Ficamos, claro, duas horas discutindo política. Estranho fazer isso com ele, uma vez que a voz do rapaz assume proporções absurdas, o que sempre me faz quase desistir de discutir qualquer coisa com ele. Mas chega a ser divertido, ele quase não se move, apenas faz algum movimento com as mãos e grita, grita muito. Rá, engraçado.
Depois do chimarrão, tentamos, como raras vezes, falar de outra coisa. Falei um bocado do Rapha e ele do amor pela Juliana. Tentamos, depois, o assunto livros e tentei entender o por quê da combinação Fonseca+Castro. Ele mencionou que a música com o nome mais comprido ['A história da morena nua que abalou as estruturas do esplendro do carnaval'] era a minha cara. ['Rá, aonde, meu filho?'.] e que 'Agosto' soava a Gabriela. 'Você precisa associar as coisas melhor, meu caro'.
Foi-se há pouco.

[Tá. Nota estranha da minha mãe que acaba de me ligar. 'Ó filha, eu vou depositar uns cinquenta reais pro resto da semana.' 'Eita, mãe. É muito, põe menos.' 'Nah, vai comprar camisinha com o dinheiro.' 'Hein!?'].

Descanso, agora, depois da salvação do tédio. Quase final, só mais um reflecon, só mais um trabalho. Fim de filme, fim de provas. Batatais logo. Por longos três meses.



Aposto que, se eu fosse morena, eu ia ter milhares de músicas para mim. Droga, ser loira [ou quase] e branquela, é total chato. É, quando eu danço, acho, sinceramente, que lembro uma gringa que nunca se moveu.

quarta-feira, novembro 29, 2006

A proposta de ontem assustou-me mais do que pude demonstrar ao Rapha, por telefone.
Confesso que, com meus recém completados 19 anos, sou leiguíssima no assunto. E às vezes nem é culpa de ninguém, só minha mesmo, que ontem, pela primeira vez, consegui ter algo indescritível comigo mesma.

Bom, eu falo sobre sexo com qualquer pessoa e acho o assunto interessantíssimo. E as pessoas gostam de falar comigo sobre isso. Consigo fazer a Jéssica dissertar longos minutos e a Jollies perguntar como funciona alguma coisa. Olha que na minha casa, a minha formação nem se voltava tanto para isso. Há liberdade sim [apenas para tratar do assunto, é.] E digo que quase cresci achando que minha mãe havia casado virgem. Rá, pressões, pressões. Se não fossem os livros. O Kundera e a lista para tirar sarro da minha cara com livros e filmes que eu não poderia ver. Mas que vi, graças à existência dela.

Entretanto, depois de ontem tive sonhos sobre pessoas demais em um lugar só. Olhava para a Kika e percebia que, apesar da curiosidade, não havia uma vontade maior do que a que eu sinto pelo Rapha. Bom, pelo histórico, se eu gostasse de mulher, talvez tivesse um bom número disponível para escolha.
Essa história da Kika é complicada. Algo de melhor amiga perdeu-se quando ela fez uma espécie de declaração semi-esperada, enquanto eu já estava com uma certeza a respeito do Raphael e nem saberia pensar sobre o assunto. Devo tê-lo feito há um tempo já, quando aquela ruiva colocou um papel no meu bolso de trás da calça jeans. Nada, nenhuma vontade, nenhum tesão, nada. E aquela frase brega, chavão, clichê: 'Eu gosto é de homem'. E, um 'oh ié, mon dieu' pro meu namorado.

Assim, é culpa do livro e do dia de ontem.
Agora, não havendo aulas e como eu não acordei pensando em sexo hoje, melhor estudar para o italiano, fazer esse trabalho maldito de fim de semestre e estudar para o Mick Jagger.