quarta-feira, agosto 19, 2009

[para ler ouvindo 'love song' do elton john]


Os passos eram lentos, calmos. Quase arrastados, só não por medo de perder as sandálias.
Todo o mundo era visto pelo chão. Era por ele que ela sabia a vida. Seus pés, o chão e as complicações.

Ela aprendeu a entender os pés, a entender as calçadas, as folhas no chão, o caminhar das pessoas. Sabia de cor quantos passos de sua casa à casa de sua avó. Sabia como eram os desníveis das calçadas, as cores dos ladrilhos, a chuva pingando no chão.

Mas um dia, com um tênis furado, remendado por fita isolante prateada, ele parou na frente dela. Ela, que só sentia e não queria entender os por quês, nem ter que olhar para frente; só sabia ver o momento em que caminhava, só sabia entender o pedaço de chão em que pisava.

Ele a levou por lugares diferentes dos quais ela via. Um pouco de grama, um caminho de tijolos vermelhos, terra batida e caminhos bonitos. Ela se apaixonou e por muito tempo seguiu os passos dele e caminhou lado a lado.

Mas um dia, ele perguntou por que ela não olhava para frente, por que não via o futuro deles. Ela não sabia o que dizer, ela não sabia como não apreciar cada passo, entender cada passo, mergulhar em cada passo. E ele continuava a perguntar. E ela se sentia triste.

E ela cedeu. Neste dia, levantou a cabeça e olhou para frente. E nunca mais enxergou.
Ali, naquele bar a três quarteirões da minha casa em Batatais, fiquei pensando na dimensão tempo. Duas amigas de longa data sentadas comigo em uma mesa com cerveja sendo bebida a uma velocidade bem mais lenta que há três, quatro anos atrás.

A Emília e a Laíza eu conheço muito bem. São grandes amigas minhas, desde épocas em que lançavam filmes em vídeo e vinis eram top.

mas. O que fez tudo isso durar tanto tempo? Era aquilo que eu defendia?; que a sensação de familiaridade, de bem estar, faz com que determinadas pessoas sejam mantidas em nosso círculo de amizades? Que elas se tornam tão reconhecíveis que partir para novas companhias traz aquela sensação de desconforto que só as novidades sabem como nos dar?

Pensei em tudo o que aconteceu. De como eu quebrei meu braço esquerdo para não deixar a Emília bater a cabeça no chão em uma queda de cavalo. Pensei em como o Théo traiu a Laíza comigo, em meados de 2004.

São raras as pessoas que eu deixei ficar na minha vida, ou mesmo que realmente quiseram ficar por aqui. Eu nunca soube, na verdade, manter uma amizade. Deve ser porque elas também nunca souberam muito bem fazê-lo que nos damos tão bem. As nossas regras de relacionamento são mais simples que as dos outros.

Encostei na cadeira e sorri. Pensei no quanto era sortuda com aquelas duas. E resolvi marcar no blog só uma brincadeira para que eu não me esquecesse dessa facilidade que eu tenho lá em Batatais.

domingo, agosto 16, 2009

Eu nasci na época errada, não é possível.

A sensação de ter o cabelo todo errado pra 2009 é o que aparece primeiro quando eu fico irritada com esse assunto.
Logo depois, vem o que predomina no meu acervo musical. Eu até sei o que é Rhianna e Ja Rule. Mas não me peça pra diferenciar o estilo musical de cada cantor de hoje.
O terceiro ponto é tosco-fashionista. Calça baixa pra mim é lixo. E não é por ser gordinha não.

Na verdade, isso dá margem para uma velha inquietação minha: tá acontecendo muita coisa estranha.
Eu fico pensando se vai acontecer o mesmo que aconteceu com os anos 90 para mim. Que agora eu acho No Doubt e Joan Orborne clássicos. E sei muito bem entender o que aconteceu na época, entre meus 3 e 12 anos de idade.
Hm. Então obviamente a resposta é que ficamos perdidos no nosso tempo. Period.
Ou somos nós, os jovens, que vemos tudo de perto e ficamos meio balançados com tudo.
Mas se formos pensar de verdade, tinha tanta gente há 40 anos atrás, bem no Woodstock, que sabia o que estava acontecendo direitinho. Bem que tudo aquilo ia ser projetado pra longe.

Será que em 2020 eu vou olhar para 2000 e compreender o que acontecia? [não que eu vá achar que Rhianna e Ja Rule são clássicos, porque eu mesma bato o pé de verdade para música.] Será que é essa a causa da minha irritação? Que eu, não conseguindo entender, fico puta e odeio essas coisas; escolhendo uma década que eu acho certa para mim de acordo com o estilo de vida que eu escolhi seguir?

Mas, ao fim, eu tenho certeza que, se tivesse vivido meus 21 anos em 70, eu seria exatamente como eu sou hoje. Somando uma leve dose de confusão interna.

terça-feira, agosto 11, 2009

Eu tenho tripla personalidade.
Não, não me enganei pelo fato de serem três personalidades, e não duas. São, são realmente três.
E cada uma não tem uma ocasião correta para aparecer, não. Elas vão e voltam quando bem entendem.

É bem divertido, na verdade. Muita gente considera isso como bipolaridade [tripolaridade? hein?]. Mas eu só acho que é a capacidade de ser mais versátil.
Ahn, se fosse assim, eu seria atriz, e não redatora.

Acho que é isso, então. Vou ser atriz.
Vou atuar no Oficina e correr pelada por aquele corredor.




Ingressos a 10 reais.
Nem todas as pessoas têm o bom gosto de ser decentes.
Fico pensando sobre a quantidade de nãos que as pessoas dizem. Os simples nãos, que vão completar uma sombra bem maior no mundo. Uma ausência de luz quase ensurdecedora.
Cada vez que alguém pede um favor, ou qualquer coisa desde um elástico de cabelo, e a resposta é não, um quilo cai sobre as costas do mundo.
O convívio social seria mais agradáveis se houvesse menos nãos



hunf. e tenho dito.

Brilha, brilha estrelinha

São raros os paulistanos que, quando aparece uma folga, um feriado emendado, ou mesmo qualquer final de semana, não pensa duas vezes antes de colocar as malas no carro e fugir daquele ritmo frenético que o engole em todos os outros dias do ano. Daí, é inevitável vermos sempre aqueles congestionamentos homéricos nas saídas da cidade; Guarujá, Campos do Jordão, Atibaia, todas viram novas mini São Paulo. O paulistano acaba escapando para lugares que já vão ficar cheios de outros paulistanos. E a gente sabe como o pessoal que vem da cidade grande transforma as outras cidades em núcleos que não são tão diferentes dos lugares de onde vêm. A fuga é, na verdade, uma armadilha nem tão inesperada que coloca quem foge num lugar que se torna tão parecido com o local de onde fugiu.

Mas o que acontece é que, como eu disse, são raros os paulistanos que não correm para fora da cidade. O que sobra para São Paulo são finais de semanas mais calmos, quase sem trânsito – bom, São Paulo sem um pouquinho de trânsito não é bem São Paulo –. E a cidade se transforma. Parece que o espírito da correria e do estresse se desfaz junto com a fuga em massa e a paulicéia pode mostrar seus encantos, seus lugares mágicos, segredos bem escondidos e que normalmente estão tão encobertos pela fumaça dura do dia-a-dia, o que faz dela a maior – não no sentido de muito grande – cidade brasileira.

Então, ao invés de fazer as malas e fugir da cidade para outra cidade, por que não fugir da cidade dentro dela mesma? Por que não fugir para outra São Paulo mais encantadora, mais mágica, que você nunca viu e cheia de sensações diferentes?

Por mais que se dito o contrário, é de praxe que o paulistano não conhece bem a cidade em que vive. Claro que sabe melhor do que ninguém se localizar entre as ruas. Mas a pequena Rua Avanhandava fica escondida de seu costumeiro mapa. E os finais de semana mais tranqüilos da cidade são ideais para expandir os conhecimentos de localização do paulistano fugidio.

Localizada entre as ruas Martins Fontes e Martinho Prado, a pequena Rua Avanhandava de 140 metros e comprimento e 6 metros de largura foi recentemente restaurada, transformada em um portal para um mundo diferente, colorido, de dar água na boca e ser música para os ouvidos, onde os pedestres têm prioridade.

A ruela conta com restaurantes, bares, lanchonetes, centros de arte e música, transportando-nos para um mundo de boa gastronomia; onde todos têm acesso à arte, à música, a uma atmosfera diferente, sem correria e sem estresse. Um pequeno pedaço da das boêmias capitais da Europa? Dos boulevards parisienses, londrinos, madrilenos? Não, uma rua com todas as caras dos paulistanos, um pequeno pedaço da alma humana, cheia de luz e das mais diversas e deliciosas sensações.

Restaurantes como o Jeremias, O bom, a Central 22 e os tradicionais estabelecimentos da Famiglia Mancini – que auxiliou fortemente na restauração da rua – são os mais procurados por quem já descobriu a Avanhandava. Feirinhas de artesanato e antiguidades acontecem também com bastante freqüência.

A charmosa Rua Avanhandava é dica fundamental para o paulistano que quer fugir da cidade e mergulhar em um universo paralelo a passos livres, calmos e com tudo o que faz bem para o espírito dentro da própria São Paulo.

O que melhor para o paulistano do que fugir para sua própria história em um final de semana qualquer? Redescobrir o centro, redescobrir a partir de onde a paulicéia desvairadamente cresceu, passar por todas as fantásticas sensações que São Paulo tem para oferecer. E, ao fim, conhecer que é de pequenas maravilhas como a Rua Avanhandava que a Grande Metrópole é feita e sobrevive.





*artigo para a Cubo.

domingo, agosto 02, 2009

Toda vez que eu faço uma entrevista, alguém me pergunta por que eu escolhi fazer Publicidade.
Do alto do meu egocentrimos natural de publicitária, dizia que tinha nascido para a profissão, que era comunicativa, que achava tudo muito divertido.

Mas, para falar a mais pura verdade, eu não acho que tenha uma resposta direta para a pergunta.
Não que eu ache que foi como quem escolhe Administração, por não haver nada mais pontual para escolher ali na ficha de inscrição do vestibular. Só, aqui bem no fundo, eu confesso que às vezes não sei.

Publicidade, para quem está do lado de fora, tem aquele glamour violento, brilhante. Todo mundo é cool, todo mundo é inteligente, todo mundo é criativo e conhece tudo sobre tudo. Para uma garota de 17 anos, até pareceu tudo isso.
Bem dentro do meio, nem é tudo isso, sabe. Virar noites, fazer as vontades de clientes, o clima de briga todo-mundo-passa-por-cima-de-todo-mundo, guerra de egos, premiações pseudo-superiores. A relação é quase de amor e ódio.

Quem é publicitário não tem muito outra vida não. O almoço de família do domingo é tão trocado por horas de trabalho. A noite de sexo com a namorada passa a ser imaginária quando tem aquele anúncio pro dia seguinte. Tudo é tão assim que a gente fica pensando que quem escolhe fazer Publicidade, escolhe como escolhe um amante, um amigo novo, uma coisinha que a gente julga melhor que todas as outras. É quase sempre algo em detrimento de outro.

Como um brinquedo novo. A gente ganha um, todos os outros vão para o fundo do armário. E a gente brinca só com aquela pecinha brilhante, linda, uma novidade. Só que a pecinha é um artigo de hipnose que nunca mais deixa a gente conseguir alcançar com tanta frequência o que está no fundo do armário.

Daí, aprendemos a conviver com ela. E a relação se torna, inevitavelmente, uma relação de amor e ódio, mas gostosa. A gente aprende regras de convívio, aprende a estabelecer relações de troca, a ceder e a receber. A Publicidade passa a ser a nossa vida, nosso amor, as birrinhas, o tédio, o novo, tudojuntomisturado.

No fim, eu acho que posso responder, senhor entrevistador: Eu escolhi a Publicidade porque ela é tudojuntomisturado. Porque ela é o novo, porque ela é o excitante, porque é com ela que a gente vai passar o resto da vida.

Porque ela é melhor que todo o resto. hahahaha




Bom. Pelo menos no começo.

terça-feira, julho 28, 2009

delicinha de texto que eu achei num blog antigo meu. diverti-me tanto.

'do 'eu não sou feminista' fator-lógico'

Eu não sei o que é o feminismo.
Sei da existência da palavra, sei que existem definições do dicionário, sei que existem pessoas com grupos que organizam ações e coisinhas do tipo totalmente baseadas neste fator feminismo. Sei até o que é um fator. Só que a discussão vai um bocado mais além.

Acho que é a Wikipedia que diz que o feminismo enquanto movimento teve origem no século XVIII, com a tal Mary Wortley Montague e a Marquesa de Condorcet.

Mas foi com o começo de algumas revoluções quase-populares, como a própria Revolução Francesa [que de popular nem tem muito, mas mesmo assim, né], que as mulheres começaram a ter direito a manifestação de opiniões e coisas do tipo; através de partidos de esquerda.

Daí, os movimentos feministas passaram a ficar intimamente ligados aos movimentos políticos; pela defesa de direitos naturais iguais. Com muitos anos se passando e um bocado de soutiens sendo queimados; registra-se, por exemplo, a instauração do casamento civil e a legislação do divórcio [apesar de eu achar que ela ainda tem umas falhas]; o direito ao voto; crescimento das oportunidades de trabalho para mulheres e salários mais próximos aos dos homens [rá, muito longe, ainda, de oportunidades e promoções equiparadas]; direito ao aborto, e alguns fatores afins.

Acontece que, neste tal século super avançadinho, a noção de feminismo se perdeu quase que por completo. Parece-me que há alguma espécie de revestimento negativo na busca pela dissolução do fator-lógico que permeia suas antigas definições. Soa como algo obsoleto e ultrapassado; como se as mulheres do mundo já houvessem adquirido todas as coisas necessárias para uma sociedade mais igualitária.

Essa negatividade existe em uma busca por acabar com a chatice que virou tudo isso. Mas, acontece que, em um mundo onde eu ainda sofro preconceito de cobrador de ônibus, piadinhas ridículas quando dirijo, ou mesmo quando corto meus cabelos curtos; alguma coisa está errada. Juro que encaro tudo com o maior bom humor, mas que bando de nojeiras. Quando existem pequenas cutucadas amplamente permitidas e milhares de mulheres apanhando dos maridos e tendo, até mesmo, seus clitóris sendo cortados para que não possam sentir prazer, algum novo movimento precisa ter início. Tudo bem que eu acredito que existe uma luta surda, quase muda enquanto fraquinha desse jeito, de mulheres crescendo em seus mercados de trabalho, de filhas se rebelando contra criações machistas em suas casas; mas o processo é de conscientização.

E eu me pergunto, novamente, o que é o feminismo; e se todas as conquistas serviram como lição. Se tudo o que nós, mulheres, temos hoje em dia. No meu exemplo, já tive vaga de criação perdida por ser um mercado quase exclusivamente masculino. E num mundo tão avançadinho como o publicitário. Cadê todos os efeitos na educação moral do mundo?

Não estou pregando o ódio contra os homens, muito pelo contrário. É só, ô gente; parar com toda essa bobagem de salário menor e ‘mulhertemqueficaremcasa’. Na minha singela opinião, todo mundo tem que ler a Simone de Beauvoir, né.

E o término. Que postagem confusa.

terça-feira, julho 14, 2009

Dia frio por demais pra quem falta calor; os dias não perdoam nem a si mesmos, e se atropelam quase sem pressa.
É assim que o amor se sucede - pálido, parece feito de louça - .
Frágil amor o que moldamos de vento e distância.
Em cada brecha, sempre. Pra te dizer que é imenso e arredio, como uma foice a cortar a noite escura. Mergulha nela, em mim.
Notívagos, caminhamos por entre nossos próprios corpos a buscar o indizível toque - nossos segredos de inverno - .
Quero tua voz dentro de mim, a me calar.
Agora. E sempre.

Frágil, por sentir que a um toque dos longos braços do tempo, ele quebra. Forte, por sabermos que há um muro que impede esses mesmos braços. Mas não os nossos. Nunca os nossos.
É de únicas vezes que eu sou feita. É de inigualáveis vezes que você me fez.
Eles dividiam um espaçoso apartamento há dois anos. Muito precocemente, chegaram à conclusão de que não viveriam um longe do outro. Chegou a achar impossível um interesse por qualquer outro representante do sexo oposto, 'um exagero', pensou durante a última semana. A idéia de possuir um endereço em comum ainda a acomodava, ainda dava uma sensação de segurança. Ou mesmo um compartilhamento de cama e cobertores, ombros e braços, pernas e meias. Odiava se anular perante a presença dele, mas sabia que não poderia deixar de se render.

Haviam se conhecido quando ele, num ato alheio à sua personalidade, resolveu frequentar uma aula de dança flamenca. Ela, a professora, o encantou profundamente. Ele não se conteve ao olhar aquelas pernas, os joelhos e os calcanhares. O cabelo negro e espesso fazia um movimento contínuo, uma dançar que o embalava. Não pôde evitar o desejo. Ela o ignorava, sustentando a posição de meta a ser conquistada, como uma mulher faz quando sabe que é desejada. Ele perdeu o chão e os braços e ela ria dele. Fizeram amor naquela mesma noite. Mudaram-se para o apartamento comprado com anos de economias um mês depois de terem se conhecido. Nada era precipitado naquele ano, de paixões ardentes e música.

Os dois anos passados foram intensos, repletos de novidades exageradas. Ele descobria o corpo dela, ela aprendia sobre o mundo. Não entendia como um homem como ele, casmurro, um intelectual e literato, pudesse interessar-se por uma professora de dança flamenca. 'Os opostos se atraem', ele comentava enquanto beijava a nuca dela, branca como os lençóis, e passava a mão morena por suas costas. Hoje, ela julga uma fantasia.

A idéia do endereço em comum passou a incomodá-la quando ele recebeu uma carta. O cheiro e a letra de mulher a intrigaram. Ela sabia que não podia lê-la. Foi dessa impossibilidade que teorias fantasiosas surgiam à sua mente. 'Abro para evitar uma possível morte por coração'. Com o vapor que saia da água que brobulhava, o envelope se abriu. Convites aceitos e conversas fascinantes mostravam o texto como uma resposta. 'Típico dele, as longas conversas. Uma amiga'. Enquanto passava os olhos pelas letras, percebia um carinho que nascia de cada palavra e de cada sentido por trás delas. Sabia que era o tipo de mulher que o atraía. Pousou o envelope sobre a bancada da cozinha e sentou-se. Com a cabeça apoiada na mão direita e a esquerda passeando pelos cabelos, ela pensava em amantes. 'Talvez ele queira mesmo ter duas mulher. Uma que o satisfaça fisicamente; outra, intelectualmente. Tão justificável'. Mas pensava e não era o bastante para evitar o peso no peito. 'Por que ele não fica com uma? Tenho a certeza que ele consegue enxergar beleza em qualquer mulher'. Não evitou a raiva e nem quis fazê-lo. Sentia-se no direito de interrogar. Até mesmo de parecer ciumenta, posição que nunca ocupou devidamente. Queria fasciná-lo. Queria justificar algo cheio de impossibilidades. 'Homens...'. Algo como vingança? Não queria sentir tal absurdo. Ele estava com ela.




[metade de texto encontrado em um dos meus cadernos. continuar.]

quarta-feira, julho 08, 2009

Preciso arrumar alguma para fazer aqui senão eu vou embora. ae hahaha

sábado, julho 04, 2009

O momento certo é realmente tudo na vida?

A minha crise principal, que vem me acompanhando há uns bons meses, mais precisamente desde que Raphael terminou o namoro comigo. Entrei em uma boa onda de pensamentos sobre como começar a dar reais diretrizes para a minha vida.

Eu só, tão, não quero que ela seja medíocre. Obviamente, para mim.
As perguntas ficam cada vez mais pontuais, envolvendo alimentação, postura, exercícios físicos, horários.
Até que o obviamente nem é tão obviamente assim.
Ando reclamando da pressão subentendida. Às vezes nem é fraqueza.

Sabe quando há tanta, mas tanta vida, tanta vontade; e essa necessidade de filtragem sobre o que passar. Pra quê segurar?

Medinho.

sexta-feira, julho 03, 2009

A dor de cabeça não passa.
Abri uma cerveja, buscando aquele amortecimento para tentar fazer a dor passar.

Em vão.

Fiquei pensando se eram lentes de contato com grau mais fraco, ou qualquer coisa do tipo. Venho me achando tão cega ultimamente.
Mas, não é o cansaço?
O cansaço que corrói os olhos, as costas, a boca, as mãos.
Ando experimentando esse tipo de coisa, ultimamente. Todas elas tão parte desse ritmo novo de vida.
Estar tão envolvida com cada uma dessas partes e crises e tudo o mais.
Faz uma parte grande dos meus dias, por ora. Sentir.

Enquanto passa algum filme da minha infância e nada faz efeito para que essa dor passe.
A constante é incrível.
Mas, finalmente satisfeita.

domingo, junho 28, 2009

Eu não escrevo há tanto tempo em blogs que me esqueci de como era esse layoutezinho de postagem do Blogger.
Não me lembro, também, de como eram os momentos. Aquele segundo crucial em que uma voz na minha cabeça brincava 'vou postar no blog'. Sei que havia um tempo, até o fatídico outubro de 2008, em que postar por aqui era quase mandatório por meus dias paulistanos.

Dias paulistanos.
Dias mais envoltos em publicidade do que aqueles por volta de 2006, assim que entrei na faculdade. Dias mais cheios de decepção, também. Não com menos sonhos, mas cheios de baques e tombos.
Afinal, de que é feita essa vida adulta senão de caídas? Nunca vi um adulto cheio de sonhos e felicidades por conseguir comprar um livro que tanto esperava, ou por ficar feliz com o lançamento do Harry Potter [ponto no qual eu me encontro, com bastante confusão interna a respeito de que devo ou não deixar entrar na minha vida adulta].

Daí eu fico pensando, entre um bocado de coisas, sobre o que fazer com a minha vida. Acho que a melhor profissão do mundo é a do escritor. Antigamente eu achava que atores viviam melhor, por viverem vidas, por serem não importa quem, mas serem. Acontece que eles sentem menos, acho eu. Defendo atores que se envolvem e que conseguem sumir no meio de um papel. Mas eles sentem menos.
São os escritores que têm dentro deles vários mundos, várias vidas, várias histórias. São eles que precisam colocar para fora o que já existe dentro deles, que ninguém criou.

Ser adulta. Ter 21 anos. Estar bem no ponto. final para decisões. At least, segundo os padrões do mundo ocidental. Cobranças, dinheiro, network. É agora que eu me vejo segurando no que acredito ou acreditava até uns anos atrás com as pontas dos dedos, quase escapando.

E sei dizer que a sensação final é: merda. Eu, às vezes, sei o que quero. Não sei como vai ser, though, o que me deixa muito mais feliz.

terça-feira, julho 08, 2008

mês de julho é cheio de postagem no blog; pode ver, pode ver.

terça-feira, maio 20, 2008

se ao menos eu tivesse as tardes livres. terei que conversar com o leandro.
e tá tudo a mesma merda. essas crises, essa distância num desses momentos de necessidade.
é mais do que complicado.

terça-feira, maio 06, 2008

Alucinadamente sem dinheiro.
I mean, até dia doze, eu tenho R$9,00. E meu pai não quer mais me dar dinheiro. E não caiu da Iniciação.
Putz. Fudida.

sábado, abril 26, 2008

alguma coisa acontece no meu coração, que só quando cruzo a Ipiranga e a Avenida São João, é que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi, da dura poesia concreta de tuas esquinas, da deselegância discreta de tuas meninas;

ainda não havia para mim rita lee, a tua mais completa tradução, alguma coisa acontece no meu coração, que só quando cruzo a ipiranga e a avenida são joão;

quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto, chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto, é que narciso acha feio o que não é espelho e a mente apavora o que ainda não é mesmo velho, nada do que não era antes quando não somos mutantes;

e foste um difícil começo, afasto o que não conheço, e quem vende outro sonho feliz de cidade aprende de pressa a chamar-te de realidade, porque és o avesso do avesso do avesso do avesso;

do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas, da força da grana que ergue e destrói coisas belas, da feia fumaça que sobe apagando as estrelas, eu vejo surgir teus poetas de campos e espaços, tuas oficinas de florestas, teus deuses da chuva;

panaméricas de africas utópicas, túmulo do samba, mais possível novo quilombo de zumbi, e os novos baianos passeiam na tua garoa, e novos baianos te podem curtir numa boa.



ô, meu amor.

terça-feira, abril 22, 2008

Eu deveria saber me portar diante disso tudo, acho. Pelas mortes dos meus avós, de tios, de primos que se mataram; don't know. Deveria saber como dar um abraço, como sentar e conversar com ele; talvez não desviar tanto para coisas imbecis, não discutir. Ser o que eu tinha que ser nessas horas.
Mas a gente se quebra, eu me desfaço. Ele tinha um ar de tristeza, quase o tempo todo. E em quase o tempo todo eu sugava esse ar e me desmanchava por dentro; como eu queria ficar o tempo todo deitada numa cama com ele nos meus braços, ouvir a respiração dele, ouvir o que ele quisesse falar. O tempo do Rapha é o melhor. E eu só soube sofrer e não respeitar.
E me deu um medo insano, um medo verde musgo em crescendo. Aqui dentro. E a distancia dele, que era a saudável para o momento.

Eu tive medo de ver ele indo embora. E ele não ia embora.
Agora é a noção de ele estar longe. Por que eu nunca sinto como se tivesse aproveitado tudo o que podia com ele? Tudo e mais?


Rapha; eu quero tudo mais perto.
eu tô com saudade..

segunda-feira, abril 07, 2008

Do trabalho

Diretamente do Ipiranga, ahã.
Tô pensando seriamente em abrir esse blog pra além, sabe. Acho que tá pra ir enfiando nele alguma coisa do que eu queria falar naquele outro que já era pra estar no ar aqui. Afinal, desvenciliar eu disso tudo num dá não, vai.