Quando ele disse pela primeira vez que eu era canalha, minha única razão foi sorrir.
Apenas duas horas e vinte e seis minutos depois de ter deixado a cama, foi quando percebi o quanto consegui levantar e tentar entender.
Mas, oras, isso faz mais de anos; nesta época eu ainda observava a eterna luta entre meus sentimentos de pureza e os de libertinagem. Eu fui uma exímia adolescente, nos meus 15 anos.
Quando eu ia para Ribeirão Preto ficar na Ana Amélia, encontrava-me com Beto; o irmão mais velho.
Já sei bem muito do caso, mas foi minha melhor fase tanto musical quanto cinematográfica. A Ana nunca ficava tanto em casa quando Beto estava por lá ao mesmo tempo que eu; ficávamos, portanto, na grande maioria das vezes, sozinhos.
O quarto dele sempre foi escuro, e eu sempre achei que era culpa das cortinas meio, marrons. 'Péssimo gosto, Beto'. Mas, de resto, era tudo meio colorido, com todos aqueles cedês e vinis, e partituras de saxofone e livros espalhos por baixo da cama junto com os cinzeiros [ele fazia coleção], no carpet.
Mas a cama, ah a cama; era coberta pelo branco mais branco. Tanto os lençóis quanto o edredon e qualquer outro cobertor. Acho que Beto fazia questão de se limpar nela.
Lembro-me da primeira vez em que pude sentar nela, após Beto insistir que nos beijássemos no chão. Acho que era apaixonada pelas esquisitices e ele, por minhas pernas. Achava divertido, claro, o fato de rolarmos entre livros. Até que, um dia, ele puxou minhas pernas até a cama e disse 'sobe'.
Fazia parte de que diabos de ritual? E o que eu achava daquilo tudo? Estranho.
Aquele dia foi uma das minhas quase-primeiras-vezes. Quando ele se deu conta do que ia acontecer, sento, acendeu um cigarro e, calmamente disse: 'você é uma canalha'. Tirei minhas meias e cruzei as pernas, sorrindo. 'Que é, Roberto?'.
Achei, desde então, que ele votou pela castidade. Conversava horas ao telefone todas as madrugadas comentando coisas do tipo; Beto resmungava algo e ria, 'eu adoro suas neuroses'. Neurose, que absurdo.
Parar com Beto. Parar de olhar para o papelzinho com o número.
'Recomponha-se.'
Enfim; eu gostava tanto que ele tinha paciência e não cansava nunca.
quarta-feira, junho 20, 2007
sábado, junho 16, 2007
Daí, eu fingia que era mais nova e brincava de 'o que eu vou ser quando eu crescer?'.
What the hell am I now? É, freaking moça de 19 anos com uma angústia maior que o próprio peito.
Tem aqueles que dizem que isso chega a ser bonito. É, ser reconhecida como 'aquela-moça-angustiada', sempre muito bom; vai me ajudar muito na futura - ou improvável - rede de relacionamentos.
Acho que agora eu sei o que quero ser quando crescer; quero ser autodesangustiada. Sim, autodesangustiada, repito. Sabe aquela coisa baixa de achar que o ser humano depende um bom bocado de um outro ser humano para sair de algum buraco ou de algum sentimento de merda? Isso é so last week. Acho que no futuro as pessoas serão tão solitárias que qualquer fossa é encoberta com as próprias mãos.
Mas, e se as pessoas forem tão solitárias por inventarem pensar que não precisam de mais ninguém? Por ser uma espécie de autoafirmação estúpida; quando todo mundo descobrir que o mundo é tão artificial que não existem mais contatos reais com outras pessoas? Daí elas vão vagarosamente aumentando um ridículo senso de 'eu não preciso mais de ninguém mesmo'. E isso tudo faz parte daquela bolsa de 'grandes mentiras da humanidade'.
A gente precisa de pessoas; ridiculamente, desgraçadamente, carentemente. E quando alguém perceber isso, vai se tocar e parar de criar o que nos impede de dar um abraço em seja-lá-quem-for. Talvez sejamos mais felizes; talvez nos machuquemos ainda mais [uma vez que a artificialidade tem um poder absurdo de fazer com que as pessoas esqueçam que estão lidando com outros seres com sentimentos].
Mas, eu repito. Não há nada melhor que uma voz, naquele tom, dizendo palavras de carinho ao ouvido. E olha que isso nem é tudo o que o contato físico entre duas pessoas pode fazer.
~
E se eu estiver falando tudo isso por não saber mais onde ficar? Será que eu estou fazendo certo? Será que isso tudo potencializa o que eu tenho de pior em relacionamentos? Que, quando eu tive outros caras, era bem mais fácil lidar. Ou será que é porque as pessoas estão ficando mais complicadas? Ou eu achava que não existiam mais pessoas complicadas..
Acontece que eu não sei lidar, não sei entender e parar e pensar. Sabe quando vem do fundo mais escuro e escondido do coração aquela vozinha que te enche o saco dizendo 'será que é isso o que eu quero?'. Daria para levar isso que eu tenho sem aquilo em conjunto que eu pedi ontem? É tão difícil seguir no escuro e, como eu sempre achei, sozinha.
Talvez ele nunca se sinta triste por não me ter ao lado dele; talvez ele tenha outros contatos físicos para acalmar; talvez ele use isso para massagem de ego.
Só acho que as pessoas deveriam amar mais, ou pelo menos, não quebrar tantas vezes o coração das outras pessoas que sempre ficam, sentadas, sorrindo e com um copo de Coca-Cola bem geladinha nas mãos.
Quer?
What the hell am I now? É, freaking moça de 19 anos com uma angústia maior que o próprio peito.
Tem aqueles que dizem que isso chega a ser bonito. É, ser reconhecida como 'aquela-moça-angustiada', sempre muito bom; vai me ajudar muito na futura - ou improvável - rede de relacionamentos.
Acho que agora eu sei o que quero ser quando crescer; quero ser autodesangustiada. Sim, autodesangustiada, repito. Sabe aquela coisa baixa de achar que o ser humano depende um bom bocado de um outro ser humano para sair de algum buraco ou de algum sentimento de merda? Isso é so last week. Acho que no futuro as pessoas serão tão solitárias que qualquer fossa é encoberta com as próprias mãos.
Mas, e se as pessoas forem tão solitárias por inventarem pensar que não precisam de mais ninguém? Por ser uma espécie de autoafirmação estúpida; quando todo mundo descobrir que o mundo é tão artificial que não existem mais contatos reais com outras pessoas? Daí elas vão vagarosamente aumentando um ridículo senso de 'eu não preciso mais de ninguém mesmo'. E isso tudo faz parte daquela bolsa de 'grandes mentiras da humanidade'.
A gente precisa de pessoas; ridiculamente, desgraçadamente, carentemente. E quando alguém perceber isso, vai se tocar e parar de criar o que nos impede de dar um abraço em seja-lá-quem-for. Talvez sejamos mais felizes; talvez nos machuquemos ainda mais [uma vez que a artificialidade tem um poder absurdo de fazer com que as pessoas esqueçam que estão lidando com outros seres com sentimentos].
Mas, eu repito. Não há nada melhor que uma voz, naquele tom, dizendo palavras de carinho ao ouvido. E olha que isso nem é tudo o que o contato físico entre duas pessoas pode fazer.
~
E se eu estiver falando tudo isso por não saber mais onde ficar? Será que eu estou fazendo certo? Será que isso tudo potencializa o que eu tenho de pior em relacionamentos? Que, quando eu tive outros caras, era bem mais fácil lidar. Ou será que é porque as pessoas estão ficando mais complicadas? Ou eu achava que não existiam mais pessoas complicadas..
Acontece que eu não sei lidar, não sei entender e parar e pensar. Sabe quando vem do fundo mais escuro e escondido do coração aquela vozinha que te enche o saco dizendo 'será que é isso o que eu quero?'. Daria para levar isso que eu tenho sem aquilo em conjunto que eu pedi ontem? É tão difícil seguir no escuro e, como eu sempre achei, sozinha.
Talvez ele nunca se sinta triste por não me ter ao lado dele; talvez ele tenha outros contatos físicos para acalmar; talvez ele use isso para massagem de ego.
Só acho que as pessoas deveriam amar mais, ou pelo menos, não quebrar tantas vezes o coração das outras pessoas que sempre ficam, sentadas, sorrindo e com um copo de Coca-Cola bem geladinha nas mãos.
Quer?
terça-feira, junho 12, 2007
É, só não há a solidão por conta do meu casal favorito. Claro, havia a intenção de ver o Darwin e o Toulouse no MASP; mas passaram para segunda-feira 'o dia de graça'. Poor us.
MASP sempre me deixa feliz, mesmo quando temos que pagar. Ahn, tá, não fomos e ficamos sentadas no vão. Um senhor veio e cantou 'Encosta sua cabecinha'. É, todo feliz. Depois, Alberto apareceu; como sempre. Fiquei feliz e precisava dele para uma espécie de levanta-ego. Ganhei um livrinho de poesia dele de dia dos namorados.
Ah, Almoçar em casa, Paulo chegou e tal. Batata frita e iei. Ganhei chocolate dele de presente. Pelo menos né. Cãmi deu ataque querendo ligar pra Raphael. Enfim, acabei mal.
Tá. Uma espécie esquisita. ;p
MASP sempre me deixa feliz, mesmo quando temos que pagar. Ahn, tá, não fomos e ficamos sentadas no vão. Um senhor veio e cantou 'Encosta sua cabecinha'. É, todo feliz. Depois, Alberto apareceu; como sempre. Fiquei feliz e precisava dele para uma espécie de levanta-ego. Ganhei um livrinho de poesia dele de dia dos namorados.
Ah, Almoçar em casa, Paulo chegou e tal. Batata frita e iei. Ganhei chocolate dele de presente. Pelo menos né. Cãmi deu ataque querendo ligar pra Raphael. Enfim, acabei mal.
Tá. Uma espécie esquisita. ;p
domingo, junho 10, 2007
é só isso,
não tem mais jeito,
acabou,
boa sorte.
não tenho o que dizer,
são só palavras,
e o que eu sinto,
não mudará.
tudo que quer me dar,
é demais,
é pesado,
não há paz.
tudo o que quer de mim,
irreais,
expectativas,
desleais.
Falar sério do cedê novo da Vanessa da Mata? Não, não merece minhas meras palavretas. Só é melhor que o primeiro, que é melhor que o segundo. Sim! Eu realmente acredito do poder de desenvolvimento das pessoas do mundo; mainly artístico. So, ela merece um 'baixa Gábe'.
Ahn, caralho. Eu tô tão bem, mas tão bem, que estou até suspirando por mim mesma. 'Me deixa só e depois não consegue; não me satisfaz'. Guess I'm as tired as never. Aiê que vontade de cantar.
Preciso apenas cuidar do receber-dinheiro-da-iniciação para começar com São Paulo em finalzinho. Ide! Festa no meu apartamento.
não tem mais jeito,
acabou,
boa sorte.
não tenho o que dizer,
são só palavras,
e o que eu sinto,
não mudará.
tudo que quer me dar,
é demais,
é pesado,
não há paz.
tudo o que quer de mim,
irreais,
expectativas,
desleais.
Falar sério do cedê novo da Vanessa da Mata? Não, não merece minhas meras palavretas. Só é melhor que o primeiro, que é melhor que o segundo. Sim! Eu realmente acredito do poder de desenvolvimento das pessoas do mundo; mainly artístico. So, ela merece um 'baixa Gábe'.
Ahn, caralho. Eu tô tão bem, mas tão bem, que estou até suspirando por mim mesma. 'Me deixa só e depois não consegue; não me satisfaz'. Guess I'm as tired as never. Aiê que vontade de cantar.
Preciso apenas cuidar do receber-dinheiro-da-iniciação para começar com São Paulo em finalzinho. Ide! Festa no meu apartamento.
sexta-feira, junho 08, 2007
salto del guairá.
Here we go.
Depois de passar raiva, ligar [ao todo, umas dez vezes], xingar, ouvir risada, acordar duas horas depois pra viajar, chegar a São Carlos; convidam-nos ao Paraguai.
'Ah, deve dar umas 12 horas até Salto del Guairá. Vocês querem ir?'
Déia, Déia. 'Por que não?'.
Estamos há duas horas correndo como loucas atrás de coisinhas e álcool, vamos em cinco em um carrinho. Três moças e dois moços.
screw, screw.
So, devo voltar [ahn, eu tô avisando a mim mesma?] na quarta-feira. Don't know. Oras.
Sinto que seria trocada em segundos. Tudo faz parte de um longo processo de ouvidos e caras feias. Ele nunca vai entender.
Stupid men.
Depois de passar raiva, ligar [ao todo, umas dez vezes], xingar, ouvir risada, acordar duas horas depois pra viajar, chegar a São Carlos; convidam-nos ao Paraguai.
'Ah, deve dar umas 12 horas até Salto del Guairá. Vocês querem ir?'
Déia, Déia. 'Por que não?'.
Estamos há duas horas correndo como loucas atrás de coisinhas e álcool, vamos em cinco em um carrinho. Três moças e dois moços.
screw, screw.
So, devo voltar [ahn, eu tô avisando a mim mesma?] na quarta-feira. Don't know. Oras.
Sinto que seria trocada em segundos. Tudo faz parte de um longo processo de ouvidos e caras feias. Ele nunca vai entender.
Stupid men.
quinta-feira, junho 07, 2007
murilo.
'Quando ela aparecia naquelas reuniões irresponsáveis, ficava incomodado com os olhos e perguntas infinitas.
Pouco depois, acostumei-me com aquela presença constante de cabelos bem arrumados que logo eram destruídos em um movimento de mãos e pescoços. "Acho que isso deve, no mínimo, relaxar vasos sangüíneos, né?". Ajuda a pensar? E nunca falava sobre política com ninguém, sobre o que era o DCE e aquele momento do movimento estudantil.
Após as eleições, ela sumiu. Inquietei-me com a ausência dos cabelos revoltados e do nervosismos com as unhas. Sabia que fazia ECA.
Com a volta das aulas, via-a caminhando solitária ou com algum barbudo. Sempre com vários papéis e livros nas mãos, gesticulando, falando e rindo.
Até que um dia, entrou e chutou uma porta no DCE, chacoalhando energicamente um chumaço de papéis na Léa. "Cretinos! Carta de renúncia, qual é a das carteirinhas? Merda, Léa, merda!". Foi naquele segundo. Vinicius estava pra rolar de rir no chão quando segurei o braço e perguntei "Quem é?", "Ela andava aqui. Um charme. Gabriela". Gabriela. Nesse momento, subiu no sofá e discursou, brava, revoltada, encantadoramente. Jogou o que chamava de carta de renúncia no chão e saiu com outro chute na porta.
Desculpa, mas foi naquele dia que eu me apaixonei por você. De verdade e, desde então, você já sabe. Foi uma batalha conseguir seu endereço e mandar os livros. Ainda tenho o Vinicius falando seu nome 24h por dia. Estamos numa disputa por você não, fica tranquila. Só estamos arquitetando meios para aquilo que eu te falei pessoalmente.
Além do mais, não consigo tirar da cabeça aquela tarde com sinuca e álcool. Nem seus cabelos, seu vestido longo e sua risada.
Já era, Gabriela. Já estou apaixonadamente seu.'
Hang on.
Murilo entregou-me uma carta.
Lógico que vou copiar, vai que eu perco.
Serve como levanta-ego nas noites como esta.
Somebody really likes me.
E que diabos eu estou fazendo?
Pouco depois, acostumei-me com aquela presença constante de cabelos bem arrumados que logo eram destruídos em um movimento de mãos e pescoços. "Acho que isso deve, no mínimo, relaxar vasos sangüíneos, né?". Ajuda a pensar? E nunca falava sobre política com ninguém, sobre o que era o DCE e aquele momento do movimento estudantil.
Após as eleições, ela sumiu. Inquietei-me com a ausência dos cabelos revoltados e do nervosismos com as unhas. Sabia que fazia ECA.
Com a volta das aulas, via-a caminhando solitária ou com algum barbudo. Sempre com vários papéis e livros nas mãos, gesticulando, falando e rindo.
Até que um dia, entrou e chutou uma porta no DCE, chacoalhando energicamente um chumaço de papéis na Léa. "Cretinos! Carta de renúncia, qual é a das carteirinhas? Merda, Léa, merda!". Foi naquele segundo. Vinicius estava pra rolar de rir no chão quando segurei o braço e perguntei "Quem é?", "Ela andava aqui. Um charme. Gabriela". Gabriela. Nesse momento, subiu no sofá e discursou, brava, revoltada, encantadoramente. Jogou o que chamava de carta de renúncia no chão e saiu com outro chute na porta.
Desculpa, mas foi naquele dia que eu me apaixonei por você. De verdade e, desde então, você já sabe. Foi uma batalha conseguir seu endereço e mandar os livros. Ainda tenho o Vinicius falando seu nome 24h por dia. Estamos numa disputa por você não, fica tranquila. Só estamos arquitetando meios para aquilo que eu te falei pessoalmente.
Além do mais, não consigo tirar da cabeça aquela tarde com sinuca e álcool. Nem seus cabelos, seu vestido longo e sua risada.
Já era, Gabriela. Já estou apaixonadamente seu.'
Hang on.
Murilo entregou-me uma carta.
Lógico que vou copiar, vai que eu perco.
Serve como levanta-ego nas noites como esta.
Somebody really likes me.
E que diabos eu estou fazendo?
sexta-feira, junho 01, 2007
E a saudade que me deu da Kika, hoje?
E de que as letras desse blog fossem todas menores, discretas? Discrepante, isso sim. Afinal, o que eu queria de verdade? Que todas essas confusões mentais [friso, claro, o caráter de inexistência].
Talvez eu quisesse que as pessoas me procurassem. Tanto faz quem seja, mas que seja uma daquelas da lista de 'I'll really spend my time on them' do messenger. Bem naquele sentido de 'quanto tempo', 'você faz falta'. O que eu tenho menos sentido ultimamente é o fazer-parte que todo mundo, um dia ou outro, quer de verdade-do-fundo-do-coração. Somos um bando de necessitados; de amor, carinho, não-negligência. Afinal, por que eu preciso tanto? Sou uma carente da maior estirpe ou uma daquelas viajantes dos submundos da TPM? As pessoas deveriam ter tabelinhas de menstruação das amigas; pra ligar no pré-regras. O mundo seria melhor.
Sabe o que eu quero também? [e eu sequer posso dar-me o luxo de querer tanto?] Quero ter a consciência não pregada ao chão; quero poder fazer o que sentir vontade. Afinal, vou viver daquele jeitinho medíocre? E de onde diabos vem esse 'vou viver..'? Brega, brega, brega. Juras a mim mesma, pieguices e auto-carinhos.
Pretendo a solidão, inevitavelmente. Preciso estudar e estudar além. Prestar UFMG, enfiar-me em mim mesma e seguir.
Talvez eu quisesse, também, que o mundo fosse diferente. E acreditar que eu possa fazer pra mudar e lutar e usar o movimento estudantil pra crescer sempre mais e mais [no que eu nem sequer tenho forças pra acreditar]. Tenho familiares que não sabem quem eu sou. E, no meio de tudo isso, eu só ocnsigo sentir falta da minha avó. Nunca irei me acostumar, né? Será sempre tão complicado. E será procurá-la nas pessoas? Achar um defeito dela que eu tentava apagar na minha mãe, tão latente como nunca imaginei.
O pedacinho dela estava em sinais de reconstrução, para que ela se tornasse aquela nuvenzinha de saudade que cirula o corpo. Mas o tempo fez-me perceber que o buraco é tão fundo, e tão difícil de preencher. E como eu posso, se ninguém me conhece..
E de que as letras desse blog fossem todas menores, discretas? Discrepante, isso sim. Afinal, o que eu queria de verdade? Que todas essas confusões mentais [friso, claro, o caráter de inexistência].
Talvez eu quisesse que as pessoas me procurassem. Tanto faz quem seja, mas que seja uma daquelas da lista de 'I'll really spend my time on them' do messenger. Bem naquele sentido de 'quanto tempo', 'você faz falta'. O que eu tenho menos sentido ultimamente é o fazer-parte que todo mundo, um dia ou outro, quer de verdade-do-fundo-do-coração. Somos um bando de necessitados; de amor, carinho, não-negligência. Afinal, por que eu preciso tanto? Sou uma carente da maior estirpe ou uma daquelas viajantes dos submundos da TPM? As pessoas deveriam ter tabelinhas de menstruação das amigas; pra ligar no pré-regras. O mundo seria melhor.
Sabe o que eu quero também? [e eu sequer posso dar-me o luxo de querer tanto?] Quero ter a consciência não pregada ao chão; quero poder fazer o que sentir vontade. Afinal, vou viver daquele jeitinho medíocre? E de onde diabos vem esse 'vou viver..'? Brega, brega, brega. Juras a mim mesma, pieguices e auto-carinhos.
Pretendo a solidão, inevitavelmente. Preciso estudar e estudar além. Prestar UFMG, enfiar-me em mim mesma e seguir.
Talvez eu quisesse, também, que o mundo fosse diferente. E acreditar que eu possa fazer pra mudar e lutar e usar o movimento estudantil pra crescer sempre mais e mais [no que eu nem sequer tenho forças pra acreditar]. Tenho familiares que não sabem quem eu sou. E, no meio de tudo isso, eu só ocnsigo sentir falta da minha avó. Nunca irei me acostumar, né? Será sempre tão complicado. E será procurá-la nas pessoas? Achar um defeito dela que eu tentava apagar na minha mãe, tão latente como nunca imaginei.
O pedacinho dela estava em sinais de reconstrução, para que ela se tornasse aquela nuvenzinha de saudade que cirula o corpo. Mas o tempo fez-me perceber que o buraco é tão fundo, e tão difícil de preencher. E como eu posso, se ninguém me conhece..
quinta-feira, maio 31, 2007
AL: alunos desocupam reitoria da Ufal
Os mais de 100 estudantes da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e trabalhadores ligados ao Movimento Terra, Trabalho e Liberdade, que ocupavam o gabinete da reitora deixaram o local nesta quinta-feira. O protesto durou uma semana. A informação é da Globonews.
» Reitora dá prazo para desocupação» AL: alunos ocupam reitoria » vc repórter: mande fotos e notícias
Segundo os manifestantes, que entraram no local no final da manhã da última quinta-feira, a direção da universidade aceitou as reivindicações. Eles apresentaram sete pontos, entre eles a ampliação do Restaurante Universitário (RU), com preços populares; fim dos cursos pagos de pós-graduação; e inclusão da universidade nas discussões sobre agricultura familiar. Queriam também o posicionamento contrário da reitora sobre o decreto do prefeito de Maceió, Cícero Almeida (PP), que exige o fim do uso da cartão eletrônico para estudantes fora do horário de aula.
Mas já?
Os mais de 100 estudantes da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e trabalhadores ligados ao Movimento Terra, Trabalho e Liberdade, que ocupavam o gabinete da reitora deixaram o local nesta quinta-feira. O protesto durou uma semana. A informação é da Globonews.
» Reitora dá prazo para desocupação» AL: alunos ocupam reitoria » vc repórter: mande fotos e notícias
Segundo os manifestantes, que entraram no local no final da manhã da última quinta-feira, a direção da universidade aceitou as reivindicações. Eles apresentaram sete pontos, entre eles a ampliação do Restaurante Universitário (RU), com preços populares; fim dos cursos pagos de pós-graduação; e inclusão da universidade nas discussões sobre agricultura familiar. Queriam também o posicionamento contrário da reitora sobre o decreto do prefeito de Maceió, Cícero Almeida (PP), que exige o fim do uso da cartão eletrônico para estudantes fora do horário de aula.
Mas já?
segunda-feira, maio 28, 2007
Sabe quando a gente tem a nítida sensação de que tudo o que a gente faz não é certo ou não dá certo?E eu juro que é só isso que venho sentindo.
Listagens, listagens.
Eu, com minha posezinha de independente, venho perdendo confiança dos meus pais. Não sei se faz parte do processo de tentar me soltar um bom bocado deles, dessa diferenciação tão clara entre nós; do fato de eu ser militante estudantil, me posicionar a esquerda, de ter um gosto pela cultura que eles não têm, dessa subjetividade toda. É o crescimento? Não os agrado, em nada.
E, volto, rebelo-me; por que gostaria de agradar?
Maldição. Não posso ser o que eles querem?
Tem a faculdade; ando em crise com ela, and it's been a while. Não sei se gosto, faço os trabalhos chutando areia e não vou às aulas. O envolvimento com o Movimento Estudantil da USP não tem me satisfeito tanto; com exceção do Canil [acho que é a única salvação]. A ocupação me faz crise. As disputas me enervam. Plataforma?
Minhas relações pessoas estão em crise. Brigo com todo mundo; chata. Com Rapha, com Guto, com Stephanie, com Lu, com Rafa, com Fofo, com Vinicius. A do Rapha e do Guto me entristecem mais que o normal e eu nem sei mudar.
Eu nem sei agradar a ninguém. Preciso tanto de um buraco-para-cabeça.
Listagens, listagens.
Eu, com minha posezinha de independente, venho perdendo confiança dos meus pais. Não sei se faz parte do processo de tentar me soltar um bom bocado deles, dessa diferenciação tão clara entre nós; do fato de eu ser militante estudantil, me posicionar a esquerda, de ter um gosto pela cultura que eles não têm, dessa subjetividade toda. É o crescimento? Não os agrado, em nada.
E, volto, rebelo-me; por que gostaria de agradar?
Maldição. Não posso ser o que eles querem?
Tem a faculdade; ando em crise com ela, and it's been a while. Não sei se gosto, faço os trabalhos chutando areia e não vou às aulas. O envolvimento com o Movimento Estudantil da USP não tem me satisfeito tanto; com exceção do Canil [acho que é a única salvação]. A ocupação me faz crise. As disputas me enervam. Plataforma?
Minhas relações pessoas estão em crise. Brigo com todo mundo; chata. Com Rapha, com Guto, com Stephanie, com Lu, com Rafa, com Fofo, com Vinicius. A do Rapha e do Guto me entristecem mais que o normal e eu nem sei mudar.
Eu nem sei agradar a ninguém. Preciso tanto de um buraco-para-cabeça.
terça-feira, maio 22, 2007
isso é fantástico.
Na esquerda há mais sexo
A Economist fala de campos políticos:
Psicólogos já sabem há algum tempo que conservadores e progressistas se diferem em mais pontos do que os partidos politicos para os quais votam.
De fato, as políticas públicas em oferta, que misturam conservadorismo social com liberalismo econômico e vice versa, indicam que preferências partidárias não distinguem mais de todo quem é de esquerda e quem é de direita. Mas alguns traços de personalidade dão forma às crenças de algumas pessoas.
Alguns olham tradição com ceticismo, são abertos a novas experiências, rebeldes, buscam prazer, são igualitários e correm riscos. Outros valorizam tradição, dever, fortalecimento de relações familiares e segurança. Esquerda e direita, pois. O assunto é tema de estudos vários, um deles do biólogo evolucionista Randy Thornhill, da Universidade do Novo México. Por que optamos por um lado ou por outro?
Thornhill têm dois trabalhos importantes no currículo. O primeiro é a confirmação de que o macho da espécie humana tem, sim, uma predisposição à violência sexual. Como outros primatas, diga-se – e, em nosso caso, a cultura é antídoto.
É a confirmação científica do que muitas feministas sempre disseram. Outra de suas observações é que, também como muitos mamíferos, é uma certa simetria corporal que define beleza e atrai humanos uns aos outros.
Thornhill fez circular um extenso questionário para ver se havia indício no histórico pessoal que indicasse para que lado do flanco ideológico alguém cairia. Descobriu que sim: quem vem de famílias amorosas e estáveis, tenderá a ser conservador e tradicionalista; quem encontrou instabilidade na infância estará mais aberto a mudanças.
A explicação poderia estar em algum gene de defesa que todos possuímos e que, perante uma infância conturbada, poderia ser ativado. Talvez – é, decididamente, um estudo controverso. Outro, publicado no ano passado, decidiu que é exatamente o contrário. Mas nada disso importa. À esquerda, aceita-se mais as diferenças.
Portanto: a mais relevante de suas conclusões é que homens de esquerda têm mais parceiras sexuais. (O inverso também vale para as mulheres.)
A Economist fala de campos políticos:
Psicólogos já sabem há algum tempo que conservadores e progressistas se diferem em mais pontos do que os partidos politicos para os quais votam.
De fato, as políticas públicas em oferta, que misturam conservadorismo social com liberalismo econômico e vice versa, indicam que preferências partidárias não distinguem mais de todo quem é de esquerda e quem é de direita. Mas alguns traços de personalidade dão forma às crenças de algumas pessoas.
Alguns olham tradição com ceticismo, são abertos a novas experiências, rebeldes, buscam prazer, são igualitários e correm riscos. Outros valorizam tradição, dever, fortalecimento de relações familiares e segurança. Esquerda e direita, pois. O assunto é tema de estudos vários, um deles do biólogo evolucionista Randy Thornhill, da Universidade do Novo México. Por que optamos por um lado ou por outro?
Thornhill têm dois trabalhos importantes no currículo. O primeiro é a confirmação de que o macho da espécie humana tem, sim, uma predisposição à violência sexual. Como outros primatas, diga-se – e, em nosso caso, a cultura é antídoto.
É a confirmação científica do que muitas feministas sempre disseram. Outra de suas observações é que, também como muitos mamíferos, é uma certa simetria corporal que define beleza e atrai humanos uns aos outros.
Thornhill fez circular um extenso questionário para ver se havia indício no histórico pessoal que indicasse para que lado do flanco ideológico alguém cairia. Descobriu que sim: quem vem de famílias amorosas e estáveis, tenderá a ser conservador e tradicionalista; quem encontrou instabilidade na infância estará mais aberto a mudanças.
A explicação poderia estar em algum gene de defesa que todos possuímos e que, perante uma infância conturbada, poderia ser ativado. Talvez – é, decididamente, um estudo controverso. Outro, publicado no ano passado, decidiu que é exatamente o contrário. Mas nada disso importa. À esquerda, aceita-se mais as diferenças.
Portanto: a mais relevante de suas conclusões é que homens de esquerda têm mais parceiras sexuais. (O inverso também vale para as mulheres.)
segunda-feira, maio 21, 2007
meu blog solitário é o reino da minha pieguice contida.
Das coisas que eu sei que, se falar, serei; erm. Guarda, guarda; finge que disse isso, de cor e murmurado.
Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso, meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos
Me encaminham pra você
Assim como o oceano
Só é belo com luar
Assim como a canção
Só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem
Só acontece se chover
Assim como o poeta
Só é grande se sofrer
Assim como viver
Sem ter amor não é viver
Não há você sem mim
Eu não existo sem você
Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso, meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos
Me encaminham pra você
Assim como o oceano
Só é belo com luar
Assim como a canção
Só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem
Só acontece se chover
Assim como o poeta
Só é grande se sofrer
Assim como viver
Sem ter amor não é viver
Não há você sem mim
Eu não existo sem você
sábado, maio 19, 2007
'Você me chamou por telefone. Dois anos juntos e dois meses sem te ver. Quando eu ouço a tua voz o mundo se acalma. A tua voz vem calma no telefone, e eu fico toda protegida com falso tom de bondade que a tua voz assume. Corro pra vc em pânico e sei que vc vai me receber sólido e amigo. E que pouco a pouco vai provar que vc é o porto seguro, e eu a Galera enlouquecida. Eu sei, mas eu suportarei a humilhação pra poder ver teus olhos e pensar: 'meu homem, meu homem, meu homem perdido e sempre! Eternamente meu homem'. Mas eu vou te enfraquecer e no fim da noite vc vai estar caído feito um João Ninguém. Eu ajeitarei o batom, o salto alto, e partirei pensando: Dorme meu homem. Dorme my Baby. That's my boy! E vou voltar sozinha pro mundo, onde tudo gira feito um carnaval de Arlequim, e vou ficar infeliz feito um nada.'
sexta-feira, maio 18, 2007
Sabe quando a gente se arrepender por mostrar lados que não deve às pessoas? Quando a gente se mostra tão fraca, tão chã, que acaba achando que qualquer ser que te ouvir vai gritar algo como 'que merda, pára de drama'.
E eu só fico a pensar que tudo me atinge de tal maneira que eu não consigo racionalizar-no-sentido-não-matemático-da-coisa.
Vide tudo o que já me aconteceu..
Acontece que agora eu venho e quero pedir tantas desculpas que chega a beirar o ridículo. E a paciência? E eu, que preciso enfiar na cabeça que tenho, antes de mais nada, que saber bastar-me, entender-me, conhecer-me. Bom, pelo menos antes de tentar me envolver com alguém ou com alguma coisa.
Preciso, desesperadamente, parar de fazer com que as pessoas construam isso de mim. E a imagem de uma mulher fraca que o Raphael sequer deveria conhecer. A imagem de uma pessoa apaixonada que meus pais deveriam conhecer.
E quem tem isso além de mim mesma, que nem sequer sabe dizer: eu sou; eu penso; eu quero.
E eu só fico a pensar que tudo me atinge de tal maneira que eu não consigo racionalizar-no-sentido-não-matemático-da-coisa.
Vide tudo o que já me aconteceu..
Acontece que agora eu venho e quero pedir tantas desculpas que chega a beirar o ridículo. E a paciência? E eu, que preciso enfiar na cabeça que tenho, antes de mais nada, que saber bastar-me, entender-me, conhecer-me. Bom, pelo menos antes de tentar me envolver com alguém ou com alguma coisa.
Preciso, desesperadamente, parar de fazer com que as pessoas construam isso de mim. E a imagem de uma mulher fraca que o Raphael sequer deveria conhecer. A imagem de uma pessoa apaixonada que meus pais deveriam conhecer.
E quem tem isso além de mim mesma, que nem sequer sabe dizer: eu sou; eu penso; eu quero.
quarta-feira, maio 16, 2007
'aprenda feliz que a dor, é como o amor; termina'.
Ontem, se não fosse pelo e-mail do Marcello e pelo Hugo no Cinusp com Sin City, teria morrido. Meus dois escudeiros e finalmente amigos.
O e-mail do Marcello foi estonteante. O choro saiu, claro.
O Hugo dizendo coisas no cinema foi causa de choro também.
Não aguentei a assembléia da noite, no Canil. Quando soube, por um scrap do Fofo, fiz uma careta triste.
Não suportei, não pude ficar bem.
A noite foi mal dormida. Fiquei a pensar no meu posicionamento político, no que tenho dito, na minha falta de coragem de me levantar e gritar no CRP, no meu choro imbecil; de raiva, de fraqueza.
Da solidão, veio o Luiz, hoje, na vivência. Passaram um filme sobre o Dia das Mães na Reitoria.
Cena bonita; dos dois, sentados, desanimados, olhando para a parede da porta do CA.
'Brochante, né?'. 'É, Gábe. Brochante'.
Saímos para a reunião dos professores no teatro experimental. Chico lá, firme e forte, explicando, com aquela voz.
'Pessoal do Audiovisual entrou em greve e do CAP também'.
'Que vergonha da porra do CRP, Luiz.'
Aula à tarde, discussão com uma professora por quem tenho me apaixonado.
Mari, Tati; CAC.
Eu estou péssima.
Sem vontade de explicar.
Sem vontade de escrever.
Caralho, que, sem o Raphael agora, vou sendo empurrada.
O e-mail do Marcello foi estonteante. O choro saiu, claro.
O Hugo dizendo coisas no cinema foi causa de choro também.
Não aguentei a assembléia da noite, no Canil. Quando soube, por um scrap do Fofo, fiz uma careta triste.
Não suportei, não pude ficar bem.
A noite foi mal dormida. Fiquei a pensar no meu posicionamento político, no que tenho dito, na minha falta de coragem de me levantar e gritar no CRP, no meu choro imbecil; de raiva, de fraqueza.
Da solidão, veio o Luiz, hoje, na vivência. Passaram um filme sobre o Dia das Mães na Reitoria.
Cena bonita; dos dois, sentados, desanimados, olhando para a parede da porta do CA.
'Brochante, né?'. 'É, Gábe. Brochante'.
Saímos para a reunião dos professores no teatro experimental. Chico lá, firme e forte, explicando, com aquela voz.
'Pessoal do Audiovisual entrou em greve e do CAP também'.
'Que vergonha da porra do CRP, Luiz.'
Aula à tarde, discussão com uma professora por quem tenho me apaixonado.
Mari, Tati; CAC.
Eu estou péssima.
Sem vontade de explicar.
Sem vontade de escrever.
Caralho, que, sem o Raphael agora, vou sendo empurrada.
terça-feira, maio 15, 2007
Nota: este post vai ser um tratado visando reiterar uma promessa feita a mim mesma, há uns 20 minutos.
Saco. Acabei por ofender a Té em uma discussão nem-tão sem fundamentos.
Meu orientador e diretor do CRP convocou uma reunião com os alunos do departamento para, em princípio, resolver se nós pararíamos de ter aula ou não. [nota, de novo: nada, digo nada, de discussões a respeito de greve]. Acontece que, muil pessoas [tá, 50] pensando de maneira diferente acabaram por gerar uma discussão absurda; para acabar com qualquer possibilidade de discutir de verdade o por quê da tal greve que começa amanhã, sendo que ninguém daquela porra de departamento sabe os motivos que impulsionam todo mundo.
A discussão foi pautada por uma ppéia do quarto ano. Malditos velhos que tiram o sangue das veias dos novos. Claro que ela está cansada de greve, de esperar, de não ter. Mas, desacreditar pessoas que, pela primeira vez, querem lutar por algo, é sacanagem. Acontece que, naquela sala, perdi completamente minhas forças de argumentar ou me levantar e apresentar meu ponto de vista. Ahn, consequência? Guardei tudo pra mim, com força.
Ah, saí da sala xingando deus e o mundo em alto e bom som. Comecei a chorar, enraivecida, como naquele dia da copa no meu apartamento; falando da ECA, da USP; desiludida, desta vez por completo, da faculdade. Neste meio, a Té; conservadora assumida, ouviu-me ofendê-la de maneira cretina. Foi meu ponto fraco atingido. Nunca mais, na vida, discutirei política na USP. Magoei uma amiga, e nem respeitei o ponto de vista dela. Ah, movimento.
Ah, serei Coronel Aureliano Buendía. E, nos meus pequeníssimos 19 anos, acordarei para chorar em solidão? Ai, eu juro que estou chateada.
Preciso de um hamburguer.
Saco. Acabei por ofender a Té em uma discussão nem-tão sem fundamentos.
Meu orientador e diretor do CRP convocou uma reunião com os alunos do departamento para, em princípio, resolver se nós pararíamos de ter aula ou não. [nota, de novo: nada, digo nada, de discussões a respeito de greve]. Acontece que, muil pessoas [tá, 50] pensando de maneira diferente acabaram por gerar uma discussão absurda; para acabar com qualquer possibilidade de discutir de verdade o por quê da tal greve que começa amanhã, sendo que ninguém daquela porra de departamento sabe os motivos que impulsionam todo mundo.
A discussão foi pautada por uma ppéia do quarto ano. Malditos velhos que tiram o sangue das veias dos novos. Claro que ela está cansada de greve, de esperar, de não ter. Mas, desacreditar pessoas que, pela primeira vez, querem lutar por algo, é sacanagem. Acontece que, naquela sala, perdi completamente minhas forças de argumentar ou me levantar e apresentar meu ponto de vista. Ahn, consequência? Guardei tudo pra mim, com força.
Ah, saí da sala xingando deus e o mundo em alto e bom som. Comecei a chorar, enraivecida, como naquele dia da copa no meu apartamento; falando da ECA, da USP; desiludida, desta vez por completo, da faculdade. Neste meio, a Té; conservadora assumida, ouviu-me ofendê-la de maneira cretina. Foi meu ponto fraco atingido. Nunca mais, na vida, discutirei política na USP. Magoei uma amiga, e nem respeitei o ponto de vista dela. Ah, movimento.
Ah, serei Coronel Aureliano Buendía. E, nos meus pequeníssimos 19 anos, acordarei para chorar em solidão? Ai, eu juro que estou chateada.
Preciso de um hamburguer.
quarta-feira, maio 09, 2007
Depois de hoje, eu não acredito mais em aquecimento global.
Nem em previsão do tempo. A máxima era 18º e a mínima era 13º. Quanto, hein? DEZ GRAUS, PORRA.
Frio no maldito isolamento da Praça do Relógio e correr pra lá e pra cá desesperada com a sensação de que minhas orelhas iam gangrenar.
Ah velho, avisa, né?
Nem em previsão do tempo. A máxima era 18º e a mínima era 13º. Quanto, hein? DEZ GRAUS, PORRA.
Frio no maldito isolamento da Praça do Relógio e correr pra lá e pra cá desesperada com a sensação de que minhas orelhas iam gangrenar.
Ah velho, avisa, né?
quinta-feira, abril 26, 2007
Hoje eu vi mesmo o rapaz no ônibus.
Gustavo chegando, pegando minha mão e dizendo: 'você é a mulher mais linda que eu jamais vi na vida'.
Acho que senti lágrimas nos olhos; nada de felicidade. Invadiu-me a tristeza mais tristeza possível. Solucei e ele se assustou. Travamos uma conversa de alguns minutos; o ônibus já chegava na Arqueologia.
Foi esquisito, acho.
Sentei-me na frente da biblioteca e chorei. Chorei pela perda, chorei por achar que realmente não tem mais jeito. Chorei por ser imbecil e dormir com uma frase na minha cabeça. 'Não temos por quê terminar'. Frase minha, acho eu. Não há razões. Não para mim. Eu já tive certezas de que é com ele que eu quero ficar; não para sempre [mais]; para agora, para hoje. Convenço-me que, depois disso, serei a pessoa mais amarga do universo. Não quero me relacionar com as pessoas.
Claro que ele vai dizer que eu vou conseguir outro rapaz, que eu vou ficar bem, esquecer. Mas não. Talvez ele não entenda.
Mas, caralho. Eu juro que não quero outra pessoas. Eu juro que não posso sem ele.
Então, por que você? Se ele estivesse mesmo disposto; não haveria os 'calma, moça'; ele teria me ligado, com algum medo. Isso não existe.
Receio ter acabado...
Gustavo chegando, pegando minha mão e dizendo: 'você é a mulher mais linda que eu jamais vi na vida'.
Acho que senti lágrimas nos olhos; nada de felicidade. Invadiu-me a tristeza mais tristeza possível. Solucei e ele se assustou. Travamos uma conversa de alguns minutos; o ônibus já chegava na Arqueologia.
Foi esquisito, acho.
Sentei-me na frente da biblioteca e chorei. Chorei pela perda, chorei por achar que realmente não tem mais jeito. Chorei por ser imbecil e dormir com uma frase na minha cabeça. 'Não temos por quê terminar'. Frase minha, acho eu. Não há razões. Não para mim. Eu já tive certezas de que é com ele que eu quero ficar; não para sempre [mais]; para agora, para hoje. Convenço-me que, depois disso, serei a pessoa mais amarga do universo. Não quero me relacionar com as pessoas.
Claro que ele vai dizer que eu vou conseguir outro rapaz, que eu vou ficar bem, esquecer. Mas não. Talvez ele não entenda.
Mas, caralho. Eu juro que não quero outra pessoas. Eu juro que não posso sem ele.
Então, por que você? Se ele estivesse mesmo disposto; não haveria os 'calma, moça'; ele teria me ligado, com algum medo. Isso não existe.
Receio ter acabado...
quinta-feira, abril 12, 2007
La muerte, como diz a irmã da Lu.
'Explodirá em Angra', diz o Zeca.
Rá, estamos todos sobre os efeitos absurdos gerados pela imensa nuvem negra que paira sobre a ECA. Sim, estamos todos, todos com exceção do Daniel e do Hugo e do Danilo, rumando à loucura. Pois é; chega a ser chocante o desânimo total.
Associemos à quantidade gigantes de trabalhos: 'sim sim! é isso!'. Não, né. Tem mais. Tem a iniciação científica: 'rá, agora só pode ser isso!'. Não, tem mais. Tem aquela quantidade básica de textos que, pela primeira vez, começo a evitar. 'Arrá!'. Nope. Há, também, o movimento estudantil. Olha, tem a semana do Canil, próxima. 'Olha, só, achamos a causa de todos os males!'. Ahn, quer ver? Tenho a optativa à tarde, tenho o italiano. Tenho que comer, olha. Tenho que limpar o apartamento, tenho que lavar louça, roupa; tenho que dormir.Ahn, tenho uma vida social. Tenho que ler e ir ao cinema, sempre. Tenho museus. Rá, tenho que juntar dinheiro. Ahn, tenho um namorado que mora longe. Tenho que tomar banho. Tenho, ahn. Ah é, tenho que respirar.
Julguemos, claro. Eu acho tempo para tudo isso, milagrosamente. Não, eu acho tempo para tudo isso porque eu quero. Eu acho tempo para tudo isso porque cada uma dessas coisas, sem exceção, é importante. E eu amo cada uma delas.
Ah! Eu ainda tenho espaço para ter uma crise de dúvidas; a respeito de tudo, tudo.
Sinceramente? Eu sou jedi. Sem sombra de dúvidas.
Ou vou morrer. Sem sombra de dúvidas; também, que será em breve.
'Explodirá em Angra', diz o Zeca.
Rá, estamos todos sobre os efeitos absurdos gerados pela imensa nuvem negra que paira sobre a ECA. Sim, estamos todos, todos com exceção do Daniel e do Hugo e do Danilo, rumando à loucura. Pois é; chega a ser chocante o desânimo total.
Associemos à quantidade gigantes de trabalhos: 'sim sim! é isso!'. Não, né. Tem mais. Tem a iniciação científica: 'rá, agora só pode ser isso!'. Não, tem mais. Tem aquela quantidade básica de textos que, pela primeira vez, começo a evitar. 'Arrá!'. Nope. Há, também, o movimento estudantil. Olha, tem a semana do Canil, próxima. 'Olha, só, achamos a causa de todos os males!'. Ahn, quer ver? Tenho a optativa à tarde, tenho o italiano. Tenho que comer, olha. Tenho que limpar o apartamento, tenho que lavar louça, roupa; tenho que dormir.Ahn, tenho uma vida social. Tenho que ler e ir ao cinema, sempre. Tenho museus. Rá, tenho que juntar dinheiro. Ahn, tenho um namorado que mora longe. Tenho que tomar banho. Tenho, ahn. Ah é, tenho que respirar.
Julguemos, claro. Eu acho tempo para tudo isso, milagrosamente. Não, eu acho tempo para tudo isso porque eu quero. Eu acho tempo para tudo isso porque cada uma dessas coisas, sem exceção, é importante. E eu amo cada uma delas.
Ah! Eu ainda tenho espaço para ter uma crise de dúvidas; a respeito de tudo, tudo.
Sinceramente? Eu sou jedi. Sem sombra de dúvidas.
Ou vou morrer. Sem sombra de dúvidas; também, que será em breve.
domingo, abril 01, 2007
Ontem à noite, tudo voltou. Nunca havia me sentido tão dolorida.
Sem vontade de descrever um sentimento como aquele, ou coragem, vou à parte de ligar para a Kika.
'Kih, pelos deuses, não dorme. Eu estou desesperada. Eu preciso de você, agora'.
'Vem pra cá'.
Peguei o carro, às nove e quarenta da noite, e corri até a casa dela. Quase bati o carro duas vezes.
Parei em frente a um portão já aberto e uma moça de camisola e cabelos desarrumados entra no carro para encontrar uma outra moça de cueca e camiseta, aos prantos.
Rá, chorar horrores, xingar, amaldiçoar; tudo com direito à mais sincera crise de auto-estima dos universos; com a Kika dizendo que preciso de ajuda profissional, rindo bastante por achar-me idêntica a ela nos momentos de desespero.
Ela entrou correndo na casa e pegou um copo com algo laranja de altíssimo teor alcoólico. Bebemos em dois goles. Volta, enche mais e traz, além do copo, um pileque com algo com mais acoól ainda. 'Vodka e whiskey, né'. Tá bem.
Já com aquilo tudo no estômago, enquanto eu continuava chorando, ela fechou a porta, entrou no carro e disse: 'Vamos misturar mais alguma coisa aqui'.
Saímos rindo, com o carro não seguindo aos meus comandos, em busca de casais que se pegam em carros. Nada mais divertido, nada mais brochante. Decidimos parar em um posto para cerveja. 'Vamos lá pro nosso lugar na estação'.
Um casal se amassava do lado de fora do carro e nós duas ficamos dando de vouyer, enquanto ela mostrava os toques de celular. Claro, eu em carro, derrubei toda a cerveja no porta-níqueis e ficamos rindo, muito.
Deixar ela em casa e voltar melhor, quase batendo o carro mais que duas vezes e cantando 'The great gig in the sky' [é, daquele jeito, 'cantar' essa música traduz-se como gritar um pouco].
Minha vida, acho, baseia-se na felicidade que ela tem o poder de trazer. Nunca fique bem tão rápido.
Ah, mas chegar em casa e deitar a cabeça no travesseiro, pensando nele, é outra história. Não dormi por conta das bebibas e por conta da tristeza e noção-de-estupidez que tomaram vieram, a cada lenta hora.
Sem vontade de descrever um sentimento como aquele, ou coragem, vou à parte de ligar para a Kika.
'Kih, pelos deuses, não dorme. Eu estou desesperada. Eu preciso de você, agora'.
'Vem pra cá'.
Peguei o carro, às nove e quarenta da noite, e corri até a casa dela. Quase bati o carro duas vezes.
Parei em frente a um portão já aberto e uma moça de camisola e cabelos desarrumados entra no carro para encontrar uma outra moça de cueca e camiseta, aos prantos.
Rá, chorar horrores, xingar, amaldiçoar; tudo com direito à mais sincera crise de auto-estima dos universos; com a Kika dizendo que preciso de ajuda profissional, rindo bastante por achar-me idêntica a ela nos momentos de desespero.
Ela entrou correndo na casa e pegou um copo com algo laranja de altíssimo teor alcoólico. Bebemos em dois goles. Volta, enche mais e traz, além do copo, um pileque com algo com mais acoól ainda. 'Vodka e whiskey, né'. Tá bem.
Já com aquilo tudo no estômago, enquanto eu continuava chorando, ela fechou a porta, entrou no carro e disse: 'Vamos misturar mais alguma coisa aqui'.
Saímos rindo, com o carro não seguindo aos meus comandos, em busca de casais que se pegam em carros. Nada mais divertido, nada mais brochante. Decidimos parar em um posto para cerveja. 'Vamos lá pro nosso lugar na estação'.
Um casal se amassava do lado de fora do carro e nós duas ficamos dando de vouyer, enquanto ela mostrava os toques de celular. Claro, eu em carro, derrubei toda a cerveja no porta-níqueis e ficamos rindo, muito.
Deixar ela em casa e voltar melhor, quase batendo o carro mais que duas vezes e cantando 'The great gig in the sky' [é, daquele jeito, 'cantar' essa música traduz-se como gritar um pouco].
Minha vida, acho, baseia-se na felicidade que ela tem o poder de trazer. Nunca fique bem tão rápido.
Ah, mas chegar em casa e deitar a cabeça no travesseiro, pensando nele, é outra história. Não dormi por conta das bebibas e por conta da tristeza e noção-de-estupidez que tomaram vieram, a cada lenta hora.
sexta-feira, março 30, 2007
Eu tenho certeza de que ontem de madrugada eu morri umas três ou quatro vezes;
Morri umas três ou quatro vezes por não saber reagir,
Morri umas três ou quatro vezes por não conseguir me mexer na cama,
Morri umas três ou quatro vezes por não conseguir ter outro argumento além de 'eu te amo' para que ele nunca mais fosse embora,
Morri, mais do que nunca, ao tentar sentir hoje, como seria uma vida sem ele.
Sabe a única coisa que eu consegui? Fechar os olhos no ônibus e chegar em casa para cair aos prantos no chão.
Nunca, em toda a minha vida, nesse 'um ano', eu me senti tão fraca; sem força nenhuma pra pedir que ele ficasse; sem condições de saber conversar. E isso é a maior demonstração, Dani, do egoísmo.
Talvez ele precise ficar sem mim. Talvez ele precise focar na vida dele. Talvez não dê certo.
Ah, o talvez tem me incomodado tanto, tanto.
E o que vinha à minha cabeça era a imagem minha pendurada no pescoço dele, sorrindo, enquanto ele dizia que queria passar o resto da vida comigo.
Vai ser, bem muito, uma semana difícil.
Morri umas três ou quatro vezes por não saber reagir,
Morri umas três ou quatro vezes por não conseguir me mexer na cama,
Morri umas três ou quatro vezes por não conseguir ter outro argumento além de 'eu te amo' para que ele nunca mais fosse embora,
Morri, mais do que nunca, ao tentar sentir hoje, como seria uma vida sem ele.
Sabe a única coisa que eu consegui? Fechar os olhos no ônibus e chegar em casa para cair aos prantos no chão.
Nunca, em toda a minha vida, nesse 'um ano', eu me senti tão fraca; sem força nenhuma pra pedir que ele ficasse; sem condições de saber conversar. E isso é a maior demonstração, Dani, do egoísmo.
Talvez ele precise ficar sem mim. Talvez ele precise focar na vida dele. Talvez não dê certo.
Ah, o talvez tem me incomodado tanto, tanto.
E o que vinha à minha cabeça era a imagem minha pendurada no pescoço dele, sorrindo, enquanto ele dizia que queria passar o resto da vida comigo.
Vai ser, bem muito, uma semana difícil.
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