terça-feira, agosto 21, 2007

Hoje eu fiquei lendo alguma coisa na internet e ouvindo Feist enquanto devia estar lendo um bocado de coisas ou fazendo o maldito pauêr-póinti do Ismar-de-psicologia. Nah, eu sei me divertir, acho, que o suficiente. Mas, droga, isso consegue ser uma adversidade enquanto eu tenho que fazer uma série de outras coisas. Ou, rá, hahaha, isso é tudo problema de dificuldades de concentração e tal.

Uma vez meu pai me disse que eu era 'avoada'. Palavra engraçada essa. Retarda, lerda, 'lêínta', desligada. Atrapalhada? Haha, hoje só sei que tá todo mundo é bem muito certo. E foda-se.
[nota: juntar o 'se' com o bagulhinho lá, o 'e'. meus conhecimentos se esvarem* rapidamente]
Hum, engraçado. O som da máquina de lavar e minha preguiça. Isso! Lembrei, é preguiça; das grandes. E eu ainda nem terminei de ler Harry Potter. Hum, sorte-sorte-queninguémlê. Harry Potter dá vergonha, confesso; nem consigo encontrar no fundo do bauzinho de neurônios o que me atrái nele. Só curiosidade, só curiosidade. Iei.

Ontem eu comprei uma garrafa de vinho e uma taça, da necessidade de ter uma, anyway. Lembrei-me, já no elevador, que não tinha saca-rolhas. Sorri, do Raphael dizendo há muitos meses que ia me dar um, por conta do episódio da tesoura.
Ele foi repetido e eu me sujei toda, mas dormi no tapete da sala, com manchas nas calças de dormir e nele mesmo. Meleca. Quando ele ligou, dei-me conta que precisava limpar antes que meu irmão voltasse. Fiquei rindo até às três da manhã, bebendo mais, e limpando o tapete.

Engraçado como eu gosto de tentar esquecer tudo e como são esforços em vão.



Sabe qual é o problema? É que todas as pessoas que te cercam, já tiveram algo contigo, ou já foram teus objetos de desejo. Nem sei como andam suas vontades hoje, não sei como funciona teu corpo e tua cabeça nesse sentido; de recaídas. Existem, não-né?



Nossa, eu preciso ler. Deuses, vagabunda.

terça-feira, agosto 14, 2007

Eu ando desligada e desconfortável. Que eu ficava vendo o 'The fascination of light and shadow' e olhando para o semi-lido Harry Potter em cima da mesa. E eu nem tenho bonequinhos de demonstração de humor no blog. Rá, she does.

Aliás, perder tempo, né? Como é que o Tom definia isso, enquanto estávamos bêbados no teto do Canil? É pensar em quando acaba só pra ver o quão importante as coisas foram. Isso era perder tempo? Para ele, também, perder tempo era ficar no seco enquanto tudo lá fora estava molhada. 'Sabe, Gábe, a gente corre pra chuva e sempre, tudo fica mais bonito e mais frio e mais choque e mais gostoso'. O Tom sempre me acompanha nisso, de sentimentalismo. Not the same for everybody, friso. Quando eu pensava nele e ligava, imediatamente, 'Corre pra cá que tem um fardinho de cerveja gelada'. E sempre era divertido o quanto a gente conversava. Ainda é. Tudo isso veio de saudade. Ele dormiu aqui hoje, depois do almoço, enquanto assitíamos a alguma filme de sessão da tarde.

Sabe, perder tempo, então, é não poder ligar e dizer 'posso te encontrar mais tarde'? Nah, ele tava errado quando disse isso um dia. Tô me sentindo imensamente nova, por conta de tanto. Não soam meus 19 anos que nunca dizem nada. Talvez, se a velhice viesse e eu pudesse me deitar com o Tom em uma cama, de mãos dadas, e conversaríamos sobre tudo o que passamos, e seríamos velhos e sábios de igual pra igual.
E eu nem tenho muitos amigos assim.

Quando eu começar a listar, eu lembro da Dani, da Kika, do Tom. De alguns outros. Até chego a encaixar o Raphael aqui, mas eu não seria encaixada de lá; ele nunca me procura quando precisa. Got used to it, talvez eu até ache que possa procurá-lo pra ouvir um 'sinto muito' e ficar bem. Or not. Há sempre aquelas pessoas para as quais eu tenho que ser forte e inatingível. E, engraçado, as minhas veias abertas - abertas por estas pessoas - sangram abertamente. E isso não acontecia.

Não sinto falta de ser fria. Minhas paixões crescem e eu sei o que é amar e ter tudo isso com planos. Sei, finalmente, para onde andar em qualquer coisa de pseudo-profissional que eu queria fazer. Fico melhor só, fico bem bêbada e quando fumo maconha.
Never better, ouviria; never better.

Hoje, eu listo Raphael e sorrio. Meu blog sai do fundo de angústia para a luz e eu penso em tanta coisa melhor. Bleh, soa como auto-ajuda. Salva por tudo, e por meu apartamento solitário nas tardes paulistanas.

Sabe, deu até vontade de ir ao cinema e pensar no Rapha e em como tudo tende ao triplo-melhor em dois anos.

quinta-feira, agosto 09, 2007

Daí eu descobri que passei a metade da minha vida totalmente suscetível às tentações mundanas a aos delírios falsos que a cultura de massa proporciona. A outra metade veio, julgo eu, quando me mudei para São Paulo e entrei em uma busca infinita para conseguir limpar toda essa primeira metade de não acréscimos indo a cinemas, museus, teatros, tendo discussões interessantes e descobrindo um mundo musical underground. Encaixei-me na cultura do pseudo-cult.

De onde surge essa definição escrota do que deve ser lido ou ouvido ou visto, separando uma elite intelectual de outras camadas sociais? Ora, certamente foi o Adorno ou o Horkheimer ou algum dos rapazes norte-americanos ou ingleses que falavam sobre dialética de esclarecimento. Quem sabe o que aliena ou não? Se pessoas ainda conseguem tecer monografias em novelas. Penso que eu não sei me posicionar perante essas coisas, mesmo chamando um bocado delas de escrota e de outras palavras inomináveis.

Rá, falo isso que hoje me vi relatando um episódio do programa daquela mocinha, a tal da Márcia e da encenação toda e de como eu consegui rir um bocado ontem à tarde. E sobre o 'Super Sweet Sixteen', 'Pimp my Ride', 'Why can't I be you?', 'Made', e afins.

E, sendo hipócrita, dou-me a desculpa; sou inteligente o suficiente? Mas que cretinice é essa?
Pra pensar mais tarde.
Janela de felicidadezinhas piscando. =*

domingo, agosto 05, 2007

A morte é anterior a si mesma.

Começa antes, muito antes. É todo umlento, suave, maravilhoso processo. O sujeito já começou a morrer e não sabe.
Morrer significa, em última análise, um pouco de vocação. Há vivos tão pouco militantes que temos vontade de lhes enviar coroas ou de lhesatirar na cara a última pá de cal. Esses, sim, têm a vocação da morte.

Há, em qualquer infância, uma antologia de mortos.
Na hora de morrer, e quando sabe que está morrendo, todo homem tem umolhar de contínuo.
Há na morte por intoxicação alimentar um inevitável toque humoristico, que humilha o cadáver e compromete o velório.

Para mim, qualquer morta tem mais densidade do que qualquer morto.
A morte natural é própria dos medíocres. O medíocre tem de fazer umaforça tremenda para morrer tragicamente. Ele morre de gripe, de pneumonia ou da empada que matou o guarda. Já o grande homem sempre morre tragicamente. Veja o caso de Lincoln, de Gandhy, de Kennedy.
Há uma inteligência da morte, assim como há uma bondade da morte.

O que vai morrer já olha as coisas, as pessoas, com a doçura do último olhar. Eu diria que é a saudade antes do adeus.
O sujeito procura esquecer que o homem é também o seu próprio cadáver. E ele, queira ou não, não destruirá jamais a sua vocação para a morte.
Nada mais falso do que o medo de morrer, e eu diria que nós fazemos tudo para morrer o mais depressa possível. Os nossos hábitos, os nossos usos, os nossos vícios, as nossas irritações mal disfarçam a vontade, a urgência, a fome da morte.

Chegou às redações a notícia da minha morte. E os bons colegas trataram de fazer a notícia. Se é verdade o que de mim disseram os necrológios, com a generosa abundância de todos os necrológios, sou de fato um bom sujeito.

A morte é um grande despertar.

Por Nelson Rodrigues, claro.

sábado, julho 14, 2007

Rá.

Feeling goood.

Acabei não perdendo a matéria que, supostamente, perderia. Leandro deu-me uma nota bem, erm, satisfatória. Um oito lindo e tudo o mais. Guess I'm still his favorite. E, nhé. Ele que me chama pra sair e eu nego e ganho nota. Humruum.

Fiquei chocada com meu boletim, so far. Ainda faltam algumas matérias e tal. Mas oh ié, meu aproveitamento do semestre não me faz merecer any of those marks. Faltei um número razoável de aulas, deixei de entregar uns dois trabalhos. E rá, juro que pensei agora; 'semestre que vem eu estudo'.

Olha só, indo para São Paulo, acordar às 4:00 e ir para o aeroporto e ir para Fortaleza.
Contrariando o começo do post; diferenças agora. What am I feeling, now?

quarta-feira, junho 20, 2007

Quando ele disse pela primeira vez que eu era canalha, minha única razão foi sorrir.
Apenas duas horas e vinte e seis minutos depois de ter deixado a cama, foi quando percebi o quanto consegui levantar e tentar entender.
Mas, oras, isso faz mais de anos; nesta época eu ainda observava a eterna luta entre meus sentimentos de pureza e os de libertinagem. Eu fui uma exímia adolescente, nos meus 15 anos.

Quando eu ia para Ribeirão Preto ficar na Ana Amélia, encontrava-me com Beto; o irmão mais velho.
Já sei bem muito do caso, mas foi minha melhor fase tanto musical quanto cinematográfica. A Ana nunca ficava tanto em casa quando Beto estava por lá ao mesmo tempo que eu; ficávamos, portanto, na grande maioria das vezes, sozinhos.

O quarto dele sempre foi escuro, e eu sempre achei que era culpa das cortinas meio, marrons. 'Péssimo gosto, Beto'. Mas, de resto, era tudo meio colorido, com todos aqueles cedês e vinis, e partituras de saxofone e livros espalhos por baixo da cama junto com os cinzeiros [ele fazia coleção], no carpet.
Mas a cama, ah a cama; era coberta pelo branco mais branco. Tanto os lençóis quanto o edredon e qualquer outro cobertor. Acho que Beto fazia questão de se limpar nela.

Lembro-me da primeira vez em que pude sentar nela, após Beto insistir que nos beijássemos no chão. Acho que era apaixonada pelas esquisitices e ele, por minhas pernas. Achava divertido, claro, o fato de rolarmos entre livros. Até que, um dia, ele puxou minhas pernas até a cama e disse 'sobe'.
Fazia parte de que diabos de ritual? E o que eu achava daquilo tudo? Estranho.

Aquele dia foi uma das minhas quase-primeiras-vezes. Quando ele se deu conta do que ia acontecer, sento, acendeu um cigarro e, calmamente disse: 'você é uma canalha'. Tirei minhas meias e cruzei as pernas, sorrindo. 'Que é, Roberto?'.

Achei, desde então, que ele votou pela castidade. Conversava horas ao telefone todas as madrugadas comentando coisas do tipo; Beto resmungava algo e ria, 'eu adoro suas neuroses'. Neurose, que absurdo.

Parar com Beto. Parar de olhar para o papelzinho com o número.
'Recomponha-se.'


Enfim; eu gostava tanto que ele tinha paciência e não cansava nunca.

sábado, junho 16, 2007

Daí, eu fingia que era mais nova e brincava de 'o que eu vou ser quando eu crescer?'.
What the hell am I now? É, freaking moça de 19 anos com uma angústia maior que o próprio peito.
Tem aqueles que dizem que isso chega a ser bonito. É, ser reconhecida como 'aquela-moça-angustiada', sempre muito bom; vai me ajudar muito na futura - ou improvável - rede de relacionamentos.

Acho que agora eu sei o que quero ser quando crescer; quero ser autodesangustiada. Sim, autodesangustiada, repito. Sabe aquela coisa baixa de achar que o ser humano depende um bom bocado de um outro ser humano para sair de algum buraco ou de algum sentimento de merda? Isso é so last week. Acho que no futuro as pessoas serão tão solitárias que qualquer fossa é encoberta com as próprias mãos.

Mas, e se as pessoas forem tão solitárias por inventarem pensar que não precisam de mais ninguém? Por ser uma espécie de autoafirmação estúpida; quando todo mundo descobrir que o mundo é tão artificial que não existem mais contatos reais com outras pessoas? Daí elas vão vagarosamente aumentando um ridículo senso de 'eu não preciso mais de ninguém mesmo'. E isso tudo faz parte daquela bolsa de 'grandes mentiras da humanidade'.

A gente precisa de pessoas; ridiculamente, desgraçadamente, carentemente. E quando alguém perceber isso, vai se tocar e parar de criar o que nos impede de dar um abraço em seja-lá-quem-for. Talvez sejamos mais felizes; talvez nos machuquemos ainda mais [uma vez que a artificialidade tem um poder absurdo de fazer com que as pessoas esqueçam que estão lidando com outros seres com sentimentos].

Mas, eu repito. Não há nada melhor que uma voz, naquele tom, dizendo palavras de carinho ao ouvido. E olha que isso nem é tudo o que o contato físico entre duas pessoas pode fazer.


~


E se eu estiver falando tudo isso por não saber mais onde ficar? Será que eu estou fazendo certo? Será que isso tudo potencializa o que eu tenho de pior em relacionamentos? Que, quando eu tive outros caras, era bem mais fácil lidar. Ou será que é porque as pessoas estão ficando mais complicadas? Ou eu achava que não existiam mais pessoas complicadas..

Acontece que eu não sei lidar, não sei entender e parar e pensar. Sabe quando vem do fundo mais escuro e escondido do coração aquela vozinha que te enche o saco dizendo 'será que é isso o que eu quero?'. Daria para levar isso que eu tenho sem aquilo em conjunto que eu pedi ontem? É tão difícil seguir no escuro e, como eu sempre achei, sozinha.

Talvez ele nunca se sinta triste por não me ter ao lado dele; talvez ele tenha outros contatos físicos para acalmar; talvez ele use isso para massagem de ego.

Só acho que as pessoas deveriam amar mais, ou pelo menos, não quebrar tantas vezes o coração das outras pessoas que sempre ficam, sentadas, sorrindo e com um copo de Coca-Cola bem geladinha nas mãos.

Quer?

terça-feira, junho 12, 2007

É, só não há a solidão por conta do meu casal favorito. Claro, havia a intenção de ver o Darwin e o Toulouse no MASP; mas passaram para segunda-feira 'o dia de graça'. Poor us.

MASP sempre me deixa feliz, mesmo quando temos que pagar. Ahn, tá, não fomos e ficamos sentadas no vão. Um senhor veio e cantou 'Encosta sua cabecinha'. É, todo feliz. Depois, Alberto apareceu; como sempre. Fiquei feliz e precisava dele para uma espécie de levanta-ego. Ganhei um livrinho de poesia dele de dia dos namorados.

Ah, Almoçar em casa, Paulo chegou e tal. Batata frita e iei. Ganhei chocolate dele de presente. Pelo menos né. Cãmi deu ataque querendo ligar pra Raphael. Enfim, acabei mal.



Tá. Uma espécie esquisita. ;p

domingo, junho 10, 2007

é só isso,
não tem mais jeito,
acabou,
boa sorte.

não tenho o que dizer,
são só palavras,
e o que eu sinto,
não mudará.

tudo que quer me dar,
é demais,
é pesado,
não há paz.
tudo o que quer de mim,
irreais,
expectativas,
desleais.



Falar sério do cedê novo da Vanessa da Mata? Não, não merece minhas meras palavretas. Só é melhor que o primeiro, que é melhor que o segundo. Sim! Eu realmente acredito do poder de desenvolvimento das pessoas do mundo; mainly artístico. So, ela merece um 'baixa Gábe'.

Ahn, caralho. Eu tô tão bem, mas tão bem, que estou até suspirando por mim mesma. 'Me deixa só e depois não consegue; não me satisfaz'. Guess I'm as tired as never. Aiê que vontade de cantar.

Preciso apenas cuidar do receber-dinheiro-da-iniciação para começar com São Paulo em finalzinho. Ide! Festa no meu apartamento.

sexta-feira, junho 08, 2007

salto del guairá.

Here we go.

Depois de passar raiva, ligar [ao todo, umas dez vezes], xingar, ouvir risada, acordar duas horas depois pra viajar, chegar a São Carlos; convidam-nos ao Paraguai.
'Ah, deve dar umas 12 horas até Salto del Guairá. Vocês querem ir?'
Déia, Déia. 'Por que não?'.

Estamos há duas horas correndo como loucas atrás de coisinhas e álcool, vamos em cinco em um carrinho. Três moças e dois moços.

screw, screw.


So, devo voltar [ahn, eu tô avisando a mim mesma?] na quarta-feira. Don't know. Oras.
Sinto que seria trocada em segundos. Tudo faz parte de um longo processo de ouvidos e caras feias. Ele nunca vai entender.

Stupid men.

quinta-feira, junho 07, 2007

murilo.

'Quando ela aparecia naquelas reuniões irresponsáveis, ficava incomodado com os olhos e perguntas infinitas.
Pouco depois, acostumei-me com aquela presença constante de cabelos bem arrumados que logo eram destruídos em um movimento de mãos e pescoços. "Acho que isso deve, no mínimo, relaxar vasos sangüíneos, né?". Ajuda a pensar? E nunca falava sobre política com ninguém, sobre o que era o DCE e aquele momento do movimento estudantil.
Após as eleições, ela sumiu. Inquietei-me com a ausência dos cabelos revoltados e do nervosismos com as unhas. Sabia que fazia ECA.
Com a volta das aulas, via-a caminhando solitária ou com algum barbudo. Sempre com vários papéis e livros nas mãos, gesticulando, falando e rindo.
Até que um dia, entrou e chutou uma porta no DCE, chacoalhando energicamente um chumaço de papéis na Léa. "Cretinos! Carta de renúncia, qual é a das carteirinhas? Merda, Léa, merda!". Foi naquele segundo. Vinicius estava pra rolar de rir no chão quando segurei o braço e perguntei "Quem é?", "Ela andava aqui. Um charme. Gabriela". Gabriela. Nesse momento, subiu no sofá e discursou, brava, revoltada, encantadoramente. Jogou o que chamava de carta de renúncia no chão e saiu com outro chute na porta.
Desculpa, mas foi naquele dia que eu me apaixonei por você. De verdade e, desde então, você já sabe. Foi uma batalha conseguir seu endereço e mandar os livros. Ainda tenho o Vinicius falando seu nome 24h por dia. Estamos numa disputa por você não, fica tranquila. Só estamos arquitetando meios para aquilo que eu te falei pessoalmente.

Além do mais, não consigo tirar da cabeça aquela tarde com sinuca e álcool. Nem seus cabelos, seu vestido longo e sua risada.
Já era, Gabriela. Já estou apaixonadamente seu.'


Hang on.
Murilo entregou-me uma carta.
Lógico que vou copiar, vai que eu perco.
Serve como levanta-ego nas noites como esta.

Somebody really likes me.
E que diabos eu estou fazendo?

sexta-feira, junho 01, 2007

E a saudade que me deu da Kika, hoje?
E de que as letras desse blog fossem todas menores, discretas? Discrepante, isso sim. Afinal, o que eu queria de verdade? Que todas essas confusões mentais [friso, claro, o caráter de inexistência].

Talvez eu quisesse que as pessoas me procurassem. Tanto faz quem seja, mas que seja uma daquelas da lista de 'I'll really spend my time on them' do messenger. Bem naquele sentido de 'quanto tempo', 'você faz falta'. O que eu tenho menos sentido ultimamente é o fazer-parte que todo mundo, um dia ou outro, quer de verdade-do-fundo-do-coração. Somos um bando de necessitados; de amor, carinho, não-negligência. Afinal, por que eu preciso tanto? Sou uma carente da maior estirpe ou uma daquelas viajantes dos submundos da TPM? As pessoas deveriam ter tabelinhas de menstruação das amigas; pra ligar no pré-regras. O mundo seria melhor.

Sabe o que eu quero também? [e eu sequer posso dar-me o luxo de querer tanto?] Quero ter a consciência não pregada ao chão; quero poder fazer o que sentir vontade. Afinal, vou viver daquele jeitinho medíocre? E de onde diabos vem esse 'vou viver..'? Brega, brega, brega. Juras a mim mesma, pieguices e auto-carinhos.

Pretendo a solidão, inevitavelmente. Preciso estudar e estudar além. Prestar UFMG, enfiar-me em mim mesma e seguir.

Talvez eu quisesse, também, que o mundo fosse diferente. E acreditar que eu possa fazer pra mudar e lutar e usar o movimento estudantil pra crescer sempre mais e mais [no que eu nem sequer tenho forças pra acreditar]. Tenho familiares que não sabem quem eu sou. E, no meio de tudo isso, eu só ocnsigo sentir falta da minha avó. Nunca irei me acostumar, né? Será sempre tão complicado. E será procurá-la nas pessoas? Achar um defeito dela que eu tentava apagar na minha mãe, tão latente como nunca imaginei.

O pedacinho dela estava em sinais de reconstrução, para que ela se tornasse aquela nuvenzinha de saudade que cirula o corpo. Mas o tempo fez-me perceber que o buraco é tão fundo, e tão difícil de preencher. E como eu posso, se ninguém me conhece..

quinta-feira, maio 31, 2007

AL: alunos desocupam reitoria da Ufal

Os mais de 100 estudantes da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e trabalhadores ligados ao Movimento Terra, Trabalho e Liberdade, que ocupavam o gabinete da reitora deixaram o local nesta quinta-feira. O protesto durou uma semana. A informação é da Globonews.
» Reitora dá prazo para desocupação» AL: alunos ocupam reitoria » vc repórter: mande fotos e notícias
Segundo os manifestantes, que entraram no local no final da manhã da última quinta-feira, a direção da universidade aceitou as reivindicações. Eles apresentaram sete pontos, entre eles a ampliação do Restaurante Universitário (RU), com preços populares; fim dos cursos pagos de pós-graduação; e inclusão da universidade nas discussões sobre agricultura familiar. Queriam também o posicionamento contrário da reitora sobre o decreto do prefeito de Maceió, Cícero Almeida (PP), que exige o fim do uso da cartão eletrônico para estudantes fora do horário de aula.



Mas já?

segunda-feira, maio 28, 2007

Sabe quando a gente tem a nítida sensação de que tudo o que a gente faz não é certo ou não dá certo?E eu juro que é só isso que venho sentindo.
Listagens, listagens.

Eu, com minha posezinha de independente, venho perdendo confiança dos meus pais. Não sei se faz parte do processo de tentar me soltar um bom bocado deles, dessa diferenciação tão clara entre nós; do fato de eu ser militante estudantil, me posicionar a esquerda, de ter um gosto pela cultura que eles não têm, dessa subjetividade toda. É o crescimento? Não os agrado, em nada.
E, volto, rebelo-me; por que gostaria de agradar?
Maldição. Não posso ser o que eles querem?

Tem a faculdade; ando em crise com ela, and it's been a while. Não sei se gosto, faço os trabalhos chutando areia e não vou às aulas. O envolvimento com o Movimento Estudantil da USP não tem me satisfeito tanto; com exceção do Canil [acho que é a única salvação]. A ocupação me faz crise. As disputas me enervam. Plataforma?

Minhas relações pessoas estão em crise. Brigo com todo mundo; chata. Com Rapha, com Guto, com Stephanie, com Lu, com Rafa, com Fofo, com Vinicius. A do Rapha e do Guto me entristecem mais que o normal e eu nem sei mudar.

Eu nem sei agradar a ninguém. Preciso tanto de um buraco-para-cabeça.

terça-feira, maio 22, 2007

isso é fantástico.

Na esquerda há mais sexo

A Economist fala de campos políticos:

Psicólogos já sabem há algum tempo que conservadores e progressistas se diferem em mais pontos do que os partidos politicos para os quais votam.
De fato, as políticas públicas em oferta, que misturam conservadorismo social com liberalismo econômico e vice versa, indicam que preferências partidárias não distinguem mais de todo quem é de esquerda e quem é de direita. Mas alguns traços de personalidade dão forma às crenças de algumas pessoas.
Alguns olham tradição com ceticismo, são abertos a novas experiências, rebeldes, buscam prazer, são igualitários e correm riscos. Outros valorizam tradição, dever, fortalecimento de relações familiares e segurança. Esquerda e direita, pois. O assunto é tema de estudos vários, um deles do biólogo evolucionista Randy Thornhill, da Universidade do Novo México. Por que optamos por um lado ou por outro?
Thornhill têm dois trabalhos importantes no currículo. O primeiro é a confirmação de que o macho da espécie humana tem, sim, uma predisposição à violência sexual. Como outros primatas, diga-se – e, em nosso caso, a cultura é antídoto.
É a confirmação científica do que muitas feministas sempre disseram. Outra de suas observações é que, também como muitos mamíferos, é uma certa simetria corporal que define beleza e atrai humanos uns aos outros.
Thornhill fez circular um extenso questionário para ver se havia indício no histórico pessoal que indicasse para que lado do flanco ideológico alguém cairia. Descobriu que sim: quem vem de famílias amorosas e estáveis, tenderá a ser conservador e tradicionalista; quem encontrou instabilidade na infância estará mais aberto a mudanças.
A explicação poderia estar em algum gene de defesa que todos possuímos e que, perante uma infância conturbada, poderia ser ativado. Talvez – é, decididamente, um estudo controverso. Outro, publicado no ano passado, decidiu que é exatamente o contrário. Mas nada disso importa. À esquerda, aceita-se mais as diferenças.
Portanto: a mais relevante de suas conclusões é que homens de esquerda têm mais parceiras sexuais. (O inverso também vale para as mulheres.)

segunda-feira, maio 21, 2007

meu blog solitário é o reino da minha pieguice contida.

Das coisas que eu sei que, se falar, serei; erm. Guarda, guarda; finge que disse isso, de cor e murmurado.


Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso, meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos
Me encaminham pra você
Assim como o oceano
Só é belo com luar
Assim como a canção
Só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem
Só acontece se chover
Assim como o poeta
Só é grande se sofrer
Assim como viver
Sem ter amor não é viver
Não há você sem mim
Eu não existo sem você

sábado, maio 19, 2007

'Você me chamou por telefone. Dois anos juntos e dois meses sem te ver. Quando eu ouço a tua voz o mundo se acalma. A tua voz vem calma no telefone, e eu fico toda protegida com falso tom de bondade que a tua voz assume. Corro pra vc em pânico e sei que vc vai me receber sólido e amigo. E que pouco a pouco vai provar que vc é o porto seguro, e eu a Galera enlouquecida. Eu sei, mas eu suportarei a humilhação pra poder ver teus olhos e pensar: 'meu homem, meu homem, meu homem perdido e sempre! Eternamente meu homem'. Mas eu vou te enfraquecer e no fim da noite vc vai estar caído feito um João Ninguém. Eu ajeitarei o batom, o salto alto, e partirei pensando: Dorme meu homem. Dorme my Baby. That's my boy! E vou voltar sozinha pro mundo, onde tudo gira feito um carnaval de Arlequim, e vou ficar infeliz feito um nada.'

sexta-feira, maio 18, 2007

Sabe quando a gente se arrepender por mostrar lados que não deve às pessoas? Quando a gente se mostra tão fraca, tão chã, que acaba achando que qualquer ser que te ouvir vai gritar algo como 'que merda, pára de drama'.
E eu só fico a pensar que tudo me atinge de tal maneira que eu não consigo racionalizar-no-sentido-não-matemático-da-coisa.
Vide tudo o que já me aconteceu..

Acontece que agora eu venho e quero pedir tantas desculpas que chega a beirar o ridículo. E a paciência? E eu, que preciso enfiar na cabeça que tenho, antes de mais nada, que saber bastar-me, entender-me, conhecer-me. Bom, pelo menos antes de tentar me envolver com alguém ou com alguma coisa.

Preciso, desesperadamente, parar de fazer com que as pessoas construam isso de mim. E a imagem de uma mulher fraca que o Raphael sequer deveria conhecer. A imagem de uma pessoa apaixonada que meus pais deveriam conhecer.
E quem tem isso além de mim mesma, que nem sequer sabe dizer: eu sou; eu penso; eu quero.

quarta-feira, maio 16, 2007

'aprenda feliz que a dor, é como o amor; termina'.

Ontem, se não fosse pelo e-mail do Marcello e pelo Hugo no Cinusp com Sin City, teria morrido. Meus dois escudeiros e finalmente amigos.
O e-mail do Marcello foi estonteante. O choro saiu, claro.
O Hugo dizendo coisas no cinema foi causa de choro também.

Não aguentei a assembléia da noite, no Canil. Quando soube, por um scrap do Fofo, fiz uma careta triste.
Não suportei, não pude ficar bem.

A noite foi mal dormida. Fiquei a pensar no meu posicionamento político, no que tenho dito, na minha falta de coragem de me levantar e gritar no CRP, no meu choro imbecil; de raiva, de fraqueza.

Da solidão, veio o Luiz, hoje, na vivência. Passaram um filme sobre o Dia das Mães na Reitoria.
Cena bonita; dos dois, sentados, desanimados, olhando para a parede da porta do CA.
'Brochante, né?'. 'É, Gábe. Brochante'.
Saímos para a reunião dos professores no teatro experimental. Chico lá, firme e forte, explicando, com aquela voz.
'Pessoal do Audiovisual entrou em greve e do CAP também'.
'Que vergonha da porra do CRP, Luiz.'

Aula à tarde, discussão com uma professora por quem tenho me apaixonado.
Mari, Tati; CAC.

Eu estou péssima.
Sem vontade de explicar.
Sem vontade de escrever.
Caralho, que, sem o Raphael agora, vou sendo empurrada.

terça-feira, maio 15, 2007

Nota: este post vai ser um tratado visando reiterar uma promessa feita a mim mesma, há uns 20 minutos.

Saco. Acabei por ofender a Té em uma discussão nem-tão sem fundamentos.
Meu orientador e diretor do CRP convocou uma reunião com os alunos do departamento para, em princípio, resolver se nós pararíamos de ter aula ou não. [nota, de novo: nada, digo nada, de discussões a respeito de greve]. Acontece que, muil pessoas [tá, 50] pensando de maneira diferente acabaram por gerar uma discussão absurda; para acabar com qualquer possibilidade de discutir de verdade o por quê da tal greve que começa amanhã, sendo que ninguém daquela porra de departamento sabe os motivos que impulsionam todo mundo.

A discussão foi pautada por uma ppéia do quarto ano. Malditos velhos que tiram o sangue das veias dos novos. Claro que ela está cansada de greve, de esperar, de não ter. Mas, desacreditar pessoas que, pela primeira vez, querem lutar por algo, é sacanagem. Acontece que, naquela sala, perdi completamente minhas forças de argumentar ou me levantar e apresentar meu ponto de vista. Ahn, consequência? Guardei tudo pra mim, com força.

Ah, saí da sala xingando deus e o mundo em alto e bom som. Comecei a chorar, enraivecida, como naquele dia da copa no meu apartamento; falando da ECA, da USP; desiludida, desta vez por completo, da faculdade. Neste meio, a Té; conservadora assumida, ouviu-me ofendê-la de maneira cretina. Foi meu ponto fraco atingido. Nunca mais, na vida, discutirei política na USP. Magoei uma amiga, e nem respeitei o ponto de vista dela. Ah, movimento.

Ah, serei Coronel Aureliano Buendía. E, nos meus pequeníssimos 19 anos, acordarei para chorar em solidão? Ai, eu juro que estou chateada.



Preciso de um hamburguer.

quarta-feira, maio 09, 2007

Depois de hoje, eu não acredito mais em aquecimento global.
Nem em previsão do tempo. A máxima era 18º e a mínima era 13º. Quanto, hein? DEZ GRAUS, PORRA.
Frio no maldito isolamento da Praça do Relógio e correr pra lá e pra cá desesperada com a sensação de que minhas orelhas iam gangrenar.

Ah velho, avisa, né?

quinta-feira, abril 26, 2007

Hoje eu vi mesmo o rapaz no ônibus.
Gustavo chegando, pegando minha mão e dizendo: 'você é a mulher mais linda que eu jamais vi na vida'.
Acho que senti lágrimas nos olhos; nada de felicidade. Invadiu-me a tristeza mais tristeza possível. Solucei e ele se assustou. Travamos uma conversa de alguns minutos; o ônibus já chegava na Arqueologia.

Foi esquisito, acho.
Sentei-me na frente da biblioteca e chorei. Chorei pela perda, chorei por achar que realmente não tem mais jeito. Chorei por ser imbecil e dormir com uma frase na minha cabeça. 'Não temos por quê terminar'. Frase minha, acho eu. Não há razões. Não para mim. Eu já tive certezas de que é com ele que eu quero ficar; não para sempre [mais]; para agora, para hoje. Convenço-me que, depois disso, serei a pessoa mais amarga do universo. Não quero me relacionar com as pessoas.

Claro que ele vai dizer que eu vou conseguir outro rapaz, que eu vou ficar bem, esquecer. Mas não. Talvez ele não entenda.
Mas, caralho. Eu juro que não quero outra pessoas. Eu juro que não posso sem ele.

Então, por que você? Se ele estivesse mesmo disposto; não haveria os 'calma, moça'; ele teria me ligado, com algum medo. Isso não existe.
Receio ter acabado...

quinta-feira, abril 12, 2007

La muerte, como diz a irmã da Lu.
'Explodirá em Angra', diz o Zeca.

Rá, estamos todos sobre os efeitos absurdos gerados pela imensa nuvem negra que paira sobre a ECA. Sim, estamos todos, todos com exceção do Daniel e do Hugo e do Danilo, rumando à loucura. Pois é; chega a ser chocante o desânimo total.
Associemos à quantidade gigantes de trabalhos: 'sim sim! é isso!'. Não, né. Tem mais. Tem a iniciação científica: 'rá, agora só pode ser isso!'. Não, tem mais. Tem aquela quantidade básica de textos que, pela primeira vez, começo a evitar. 'Arrá!'. Nope. Há, também, o movimento estudantil. Olha, tem a semana do Canil, próxima. 'Olha, só, achamos a causa de todos os males!'. Ahn, quer ver? Tenho a optativa à tarde, tenho o italiano. Tenho que comer, olha. Tenho que limpar o apartamento, tenho que lavar louça, roupa; tenho que dormir.Ahn, tenho uma vida social. Tenho que ler e ir ao cinema, sempre. Tenho museus. Rá, tenho que juntar dinheiro. Ahn, tenho um namorado que mora longe. Tenho que tomar banho. Tenho, ahn. Ah é, tenho que respirar.

Julguemos, claro. Eu acho tempo para tudo isso, milagrosamente. Não, eu acho tempo para tudo isso porque eu quero. Eu acho tempo para tudo isso porque cada uma dessas coisas, sem exceção, é importante. E eu amo cada uma delas.

Ah! Eu ainda tenho espaço para ter uma crise de dúvidas; a respeito de tudo, tudo.


Sinceramente? Eu sou jedi. Sem sombra de dúvidas.
Ou vou morrer. Sem sombra de dúvidas; também, que será em breve.

domingo, abril 01, 2007

Ontem à noite, tudo voltou. Nunca havia me sentido tão dolorida.
Sem vontade de descrever um sentimento como aquele, ou coragem, vou à parte de ligar para a Kika.

'Kih, pelos deuses, não dorme. Eu estou desesperada. Eu preciso de você, agora'.
'Vem pra cá'.

Peguei o carro, às nove e quarenta da noite, e corri até a casa dela. Quase bati o carro duas vezes.
Parei em frente a um portão já aberto e uma moça de camisola e cabelos desarrumados entra no carro para encontrar uma outra moça de cueca e camiseta, aos prantos.
Rá, chorar horrores, xingar, amaldiçoar; tudo com direito à mais sincera crise de auto-estima dos universos; com a Kika dizendo que preciso de ajuda profissional, rindo bastante por achar-me idêntica a ela nos momentos de desespero.

Ela entrou correndo na casa e pegou um copo com algo laranja de altíssimo teor alcoólico. Bebemos em dois goles. Volta, enche mais e traz, além do copo, um pileque com algo com mais acoól ainda. 'Vodka e whiskey, né'. Tá bem.
Já com aquilo tudo no estômago, enquanto eu continuava chorando, ela fechou a porta, entrou no carro e disse: 'Vamos misturar mais alguma coisa aqui'.
Saímos rindo, com o carro não seguindo aos meus comandos, em busca de casais que se pegam em carros. Nada mais divertido, nada mais brochante. Decidimos parar em um posto para cerveja. 'Vamos lá pro nosso lugar na estação'.
Um casal se amassava do lado de fora do carro e nós duas ficamos dando de vouyer, enquanto ela mostrava os toques de celular. Claro, eu em carro, derrubei toda a cerveja no porta-níqueis e ficamos rindo, muito.

Deixar ela em casa e voltar melhor, quase batendo o carro mais que duas vezes e cantando 'The great gig in the sky' [é, daquele jeito, 'cantar' essa música traduz-se como gritar um pouco].


Minha vida, acho, baseia-se na felicidade que ela tem o poder de trazer. Nunca fique bem tão rápido.


Ah, mas chegar em casa e deitar a cabeça no travesseiro, pensando nele, é outra história. Não dormi por conta das bebibas e por conta da tristeza e noção-de-estupidez que tomaram vieram, a cada lenta hora.

sexta-feira, março 30, 2007

Eu tenho certeza de que ontem de madrugada eu morri umas três ou quatro vezes;

Morri umas três ou quatro vezes por não saber reagir,
Morri umas três ou quatro vezes por não conseguir me mexer na cama,
Morri umas três ou quatro vezes por não conseguir ter outro argumento além de 'eu te amo' para que ele nunca mais fosse embora,
Morri, mais do que nunca, ao tentar sentir hoje, como seria uma vida sem ele.

Sabe a única coisa que eu consegui? Fechar os olhos no ônibus e chegar em casa para cair aos prantos no chão.
Nunca, em toda a minha vida, nesse 'um ano', eu me senti tão fraca; sem força nenhuma pra pedir que ele ficasse; sem condições de saber conversar. E isso é a maior demonstração, Dani, do egoísmo.
Talvez ele precise ficar sem mim. Talvez ele precise focar na vida dele. Talvez não dê certo.
Ah, o talvez tem me incomodado tanto, tanto.


E o que vinha à minha cabeça era a imagem minha pendurada no pescoço dele, sorrindo, enquanto ele dizia que queria passar o resto da vida comigo.


Vai ser, bem muito, uma semana difícil.

quarta-feira, março 28, 2007

Raiva, ódio, muita angústia.
Minha relação com o entendimento de Marina dele, irrita.




Caralho.

segunda-feira, março 26, 2007

Quando eu crescer, serei mais bonita e mais feliz.
Hoje, né, tirei meu dia.

Tirei o escambau. Fui pra casa do Rafael beber café com rum e conversar sobre amor e moral ouvindo Lazlo Bane. Fazia tempo que não o via. Ele dizia que era o relashionship status do orkut que o impossibilitava. 'Married'; 'foi tudo culpa dela'. De onze e meia às duas, como período de almoço dele.

Voltando pra casa, com o Zeca Baleiro resmungando no meu ouvido o tempo todo, busquei a força de que precisava. Terminei de digitar aquela porcaria que falava sobre uma porção de materiais da engenharia do meu pai e só consegui começar a estudar quando eram mais ou menos 15 para às cinco.

Consegui, ainda por cima, ler três textos. Algum curtíssimo que mencionava Antônio Cândido apaixonadamente, outro sobre um debate de Kepler com sabe-se-lá quem, e o do maldito Shimp-pseudo-Lupetti falando sobre promoção de vendas [é, pra quem fez um trabalho com mais de sessenta páginas sobre isso, domina-se um bocado o assunto].

Perdi a reunião do Canil e o Paulinho e a Pati devem estar putos. Mas, oras. Por mim e pelo Rafa; eu realmente precisava adiantar alguma coisa. Chegava a dar um aperto de pensar nisso tudo.



Odeio, monstro, forte, forever, grande, junior; ver meu blog sendo transformado em um mero diário. Não funciona assim, não deve ser assim. Não para uma pessoa como eu.
'Cuidado com o que te transforma. Agarre-se no que você é'.



Rá, amanhã há o Ato no HU. Vejamos. Perdi a Plenária da qual a Sue tanto falou. Oh well. Maldição. Volta, Gábe, volta. Se enfia nisso, logo.

quarta-feira, março 21, 2007

'Pois é..'
'Assim você vai perder ele'
'Não há como um perder o outro'
'Ah é, esqueci que vocês não se pertencem mais'
'Não sei se funciona assim..'
'Funciona. Com o tempo, vocês vão criar uma espécie de ódio um pelo outro, uma repulsa. Vocês estão impedindo-se de crescer, tanto ele, que te negligencia e sequer vem te ver quando tem a possibilidade, e você, por ser cretina por não respeitar o tempo dele'


Alguém sabe o que eu posso responder?
Até eu preciso de afeto. Por incrível que pareça.
Até eu me machuco por continuidade de uma espécie de tempo interminável.
Até eu, deuses. Anche io.

domingo, março 18, 2007

'(...)Não, a maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana. A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo, e que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro. O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e de ferir-se, o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo. Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno. Ele é a angústia do mundo que o reflete. Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes da emoção, as que são o patrimônio de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto da sua fria e desolada torre.'

'fornication makes you happy'.

A música é triste, na verdade. Não me lembro de que parte do filme ela era, muito menos o nome. Acho que era quando ela chorava no chão do quarto.
Vontade de voltar a tocar piano. Ou começar algo novo.
Aulas de tango, oh ié. De volta a tudo e às pernas.

Eu devia estar fazendo um monte de coisas, mas não irei, at leats not now. Meu bom humor torna-se sarcástico enquanto eu escuto 'The rise and fall of Ziggy Stardust'. Engraçado, o achar Christiane F. bonita demais. E o achar que drogas, oh well.. Bizarro até onde tudo vai, até onde tudo é eliminado.

A minha noite foi excelente. Escrevi muito, e voltando a tudo. Dormi quase 12 horas e, rá, é incrível. Só, uma incrível vontade de morar só novamente. Saudade dos tempos de calcinha andando pelo apartamento. Irritação com o acúmulo de sujeira e da negligência do meu irmão.

É o papel que me salva. É a carta para o Rapha. São minhas mãos hoje.
A lentidão do tempo me ajuda a sorrir e a respirar mais fundo.
Hoje, eu amo. E só.




'óquei, she's cute'

sexta-feira, março 16, 2007

ahn, é bizarro, actually.

quarta-feira, março 14, 2007

He was not here.
A coisa que a gente mais odeia é: mocinha número um gosta de mocinho número um. Mocinho número um não gosta de mocinha número um. Mocinho número dois gosta de mocinha número um. Mocinha número um não gosta de mocinho número dois.

Ah bleh. Leis da natureza, leis irreversíveis não importa o que aconteça. O que é engraçado, para falar a verdade. Um corre-corre bem digno de Quadrilha e Drummond.

Que nem a fotografia do corredor da graduação.
Que nem a sensação da maconha.

sábado, março 10, 2007

O Thiago me deu carona ontem. Ele, ex-namorado do Alê. Falou-me sobre todos os seus relacionamentos aproveitando a lentidão das 19:00. Falei-lhe, também, sobre os meus. Ele, rá, é divertidíssimo. E, olha, usamos o tempo no trânsito para nos conhecermos.

Sem FestECA, rendi-me ao 'Assédio' e a alguma Heinekein. Sozinha, escrevi. A carta dele tomou proporções cansativas pela quantidade de páginas.

Hoje eu não soube as razões da dor de cabeça. Ela começou devagar, toda vez que eu abaixava e ficava meio com ela pra baixo, havia algo martelando no ritmo do coração, perto da nuca. E, por levantar-me rápido, ela percorria toda a cabeça de forma lenta, fazendo-me fechar os olhos com força e resmungar alguma coisa.
Enquanto passavam as horas, ela aumentava e tomava conta de qualquer lugar possível. Fiquei impossibilitade de sequer olhar para cima. A dor era insuportável. Achei que precisava comer e desci a Teodoro em busca de comida de verdade. Nem muita melhora, enquanto a subia de volta e quase sentava no chão de tamanho incômodo.
São, hmm, 21:36 e ela não passou. Li todos os textos possíveis, fugindo do Kotler, e ela não passou. Houve, claro, o amortecimento pós-álcool, mas de volta a dor.

Hoje, chego à conclusão que não sou dramática e que estou morrendo. [altíssimo teor irônico].

A Line me chamou para o 'Outs' e o Marcello para um almoço na casa dele, amanhã. Quem não vou a nada disso por culpa da doença e da limpeza no apartamento e de estudar?


God damn it. O período de reclusão torna-se verdadeiro.
Oh yeah, I touch myself.

quinta-feira, março 08, 2007

dia internacional da mulher.

Dia internacional da mulher me lembra Raphael, me lembra machismo, me lembra fábrica+explosão. E, a partir de agora, vai me lembrar dia de bala de borracha nas costas.

Tá, maré de sorte e outras coisas mais.
Para começar, o lado divertido foi que tenho conseguido certas coisas. A bolsa de iniciação científica relacionada com imagens e publicidade e uma mulher da Ogilvy ligando, com interesse no meu currículo para receber uma boa quantia em dinheiro.

Mas, tem que ter o lado bizarro. Claro que eu fui até a Paulista dar uma olhada nas manifestações anti-Bush e pró-feminismo. Com o anarquismo do Tom, cantei um bocado e gritei e tal, mesmo sem entender tudo isso. Quando vai, a gritaria aumenta, policiais e manifestantes começam a se agredir e, tadã! Levo uma bala de borracha bem no lugar de um dos rins.
A dor, deuses. Corri com as mãos nas costas, desesperada, para longe da multidão. Sentei-me na calçada e curvei-me de dor. O resto dos meninos veio correndo e um deles sangrava no braço, foi atingido por uma pedra. Nossa. Fazia quase um mês que eu não sentia nenhuma dor corporal parecida com essa.
Tentamos tirar o Tom do meio da briga e fomos até um carro para tentar ir para a casa de alguém. Gelo, curativos e uma marca bem vermelha/roxa/verde nas costas. Nem ao menos parei para pensar em tudo isso, no sentimento de revolta que tomou conta de mim enquanto sentia-me parte da multidão. Parecia que todos os problemas de todas as pessoas saiam, vomitados, através dos timbres das 6000 vozes. A sensação era de, pela primeira vez, sentir uma revolta. Mesmo que tenha sido feita por uma maioria de classe média..

A bala de borracha torna-se uma lembrança, uma marca do que o envolvimento com os movimentos estudantil e social podem me trazer.
E, querem saber, um arrepio de satisfação toma conta do meu corpo.

sábado, março 03, 2007

minha honey, baby.

'telefone não basta ao desejo, o que mais invejo é o que não vejo.'

e

'o que importa,é que já não me importa, o que importa, é que ninguém bateu em minha porta, é que ninguém morreu, ninguém morreu por mim.'



E isso e pronto e acabou. Novamente, há cartas e cartas por aqui. Mas não seriam correspondências, anyway, no sentido real da palavra. Eu tenho ciúmes [eu tenho crises absurdas por ciúmes], eu sou assaz insegura. Claro, há o mínimo interesse por alguma mulher [hum, inocente?], alguma vontade, um olhar. No meio em que ele está agora, qualquer uma é melhor do que a pobre mocinha do interior que não sabe conversar nem como funciona uma série de coisas. Há uma facilidade no depois, para ele, que não viria mais e esperaria. Para mim, não. Que, como disse o rapaz, destruo certas coisas por outras. Sorry, anyway.

Deixaram-me um livro na portaria do prédio com a seguinte frase na segunda folha: 'Para ela'. Há paixões flutuando e, rá. Ri do livro, 'Travessuras da menina má'. Who tha hell?

Por mim, largaria a faculdade pelo amor à arte, à escrita, à poesia. Para escrever e só, já que o meu forte [e único] é o apego as emoções, sentimentos, momentozinhos quaisquer.



Pretty woman, yeah yeah yeah; Pretty Woman, look my way; Pretty woman, say you'll stay with meeeee.

Oh, Roy Orbison.

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

I'm in for the fall? Han?

Havia o Cinema Independente ontem, na ECA, como uma das programações para a Semana dos Bixos. Ah, claro que eu acreditei em tudo e ainda pedi para a Dani e a Jé pararem de xingar a tal da Val de 'puta'. Quando vi todo mundo em uma espécie de empurra-empurra e gritando 'bixo paga breja', além das pessoas em cima da mesa do auditório, que eu me dei conta da armação. Cantando também, fui rindo até não poder mais para o meio do pessoal e descobri que aqueles quatro da palestra eram formados em audiovisual e em artes cênicas.
É, a USP forma pessoas criativas elevado ao milhão; pelo menos.

Then, vi se conseguia pegar o máximo de optativas possível, ocupar-me. Cheguei a cambalear em relação a essa decisão minha ao chegar em casa ontem, dobrando as pernas com um cansaço absurdo. Não, as aulas serão à noite, tenho tempo para dormir, tenho tempo nos finais de semana. Bleh, perder FFLCH com as Sociais e movimentação política, no way.

Hum, bandejão, descobrir a biblioteca do Instituto de Psicologia e deparar-me com o Roberto Freire do Raphael e da mocinha dele.

Churrasco dos Bixos na prainha. E, tá, 'vou entrar no CALC, tá aberto, porra'. Oi Luiz, oi Guilherme. Ao contrário do que o Rafa dizia, eles não são chatos ou foram menos simpáticos por eu fazer Publicidade. De lá, fui entregar-me à Aline, mocinha de Biblioteconomia que está no segundo ano e tem todo um histórico de lutas em razão das complicações geradas há uns dois anos no cursinho da Poli. Falamos, muito. Inclusive, meu desabafo por culpa do DCE atual, da UNE+UJS+Kizomba [é, kizomba, por que não?].
Latter, achando que não rolava nada além das conversas, sentei-me para uma partida de buraco. Nem tanto, Aline veio chamar-nos [eu e um bixo, o Alê] para a reforma do canil. Fomos, de bom grado, [ando abandonando as cartas].

Havia uma quantidade muito grande de entulho, pedras, terra, sujeira ao fundo do canil; e uma pequena quantidade de pessoas trabalhando. Paulinho é da minha altura, com cabelos até os ombros, ao estilo feminino chanel, pretos. Há uma barba que cobre o maxilar. E ele fala, sempre todo animado, sempre com vontade, movendo-se muito, olhando nos olhos fixamente. Deu-me uma sensação de segurança; no meio de todas as pessoas, ele era como o líder ou o que segura as pontas. Sorri e comecei a ajudar. Mesmo com a chuva.
Vi mais do Paulinho quando um pessoal da Sociais foi até lá, pelo CA deles, da gestão Calabar. Paulinho falou sobre a reforma que o Milanesi aprovou na ECA sem consultar o CALC, Atlética, Canil; pedindo um projeto da FAU [é, com um professor e três alunos abrange-se a FAU toda]; falou sobre Universidade Shopping, falou sobre a necessidade de fortalecimento do Movimento Estudantil em rumo a seriedade na ECA. Todas as pessoas ficavam sorrindo, sentindo-se bem. Acho que era o tom da voz.

Pedras, novamente; até que uma tal de Patrícia parasse todo mundo e analisasse tudo aquilo melhor. Manualmente, o monte de entulho não some. Nivelar, passar algo; seguindo os conselhos de um homem da USP Recicla que ajudava o CALC por lá.

No meio de tudo isso, Tom. Tom é alto, cabelos enrolados curtos, olhos vivos, e é daquele tipo de pessoa que te abraça no primeiro momento que te vê; como quando nos apresentamos a ele, dizendo boas vindas a mim e ao Alê. Rendi-me a uma conversa sobre a situação do Oficina com o muro do Silvio Santos. 'Agora há um muro de aço com concreto armado'. Tudo isso que o Silvio Santos faz é contra a lei, já que há uma limiar que proíbe qualquer construção a menos de um metro e meio do teatro. Aquilo é tombado, é história, é uma das contruções que eu mais gosto em São Paulo.
Com os sentimentos anarquistas de Tom, há uma idéia de pichar o muro depois da apresentação, no domingo. Tudo, claro, com o apoio do José Celso e do Uzina Uzona.

Muito o que falar sobre as pessoas, ainda, e sobre a revolta que fez com que Tom tirasse a roupa.




Ah, ECA. Oras, agora, fico contente, que no meu blog não há espaço para as minhas aflições internas.
Fico contente mesmo?

domingo, fevereiro 25, 2007

Quando eu via o David Bowie e o volume na calça dele no Labirinto, eu nem dava atenção à Jennifer Connelly esquisitinha. Na verdade, até dava, cara. Ela tinha um cachorro que era igual à Priscila, como não dar atenção? E de onde eles tiraram aquela roupa do irmãozinho dela? Aquelas listras são lindas, for god's sake.

Anyway, o final é moralista e 'dedique-se ao seu filho e à sua família', o que eu, uma total individualista, não faria. Com 30 anos, sim, eu só teria os momentos dos beijos no campo de futebol. Guess I wasn't made for kids. Já sei, vou enclausurar-me. Ou vou ter uma casa, não, um albergue. Cheio de gatos e com um buraco nos quartos, já que eu sou vouyer. Nice. Com uma biblioteca-com-poltrona-vermelha-e-pouca-iluminação-para-que-eu-fique-cega-logo, trancada à chave. Teria pouco dinheiro, viveria em pequenos prazeres, raros, conquistados a muito custo. Um toddynho, uma lata de coca-cola, uma camiseta branca, uma hora em uma lan house em um bate-papo da uol com o nick de gostosona-sp-18, havaianas, uma viagem à praia.

Nah, mas o desenterrar de baús, os pés na grama, os livros, as noites, os discos juntados durante toda a vida.

Ah, fico nostalgica dos meus 30 anos. E, ah, cinema. Cinema, cinema, cinema.

sábado, fevereiro 24, 2007

Evite
Carnes: bovina, carneiro, cordeiro, pato, porco, vitela
Peixes e frutos do mar: camarão, caviar, caranguejo, marisco, mexilhão, ostra, polvo
Derivados do leite: creme de leite, sorvete, leite magro e integral, manteiga, requeijão. NO WAY.




I fell like being sick all the time.

Bah, evitar as bebidas, from now on. Cagadas depois de cachacas e cerveja e blues. E dirigir depois disso? Irresponsavel. E ligar para ele quinze vezes? Irresponsavel.
Vontade de sumir com esse blog. De sumir com o que eu construi de errado em tudo.
~ no sun will shine on my day today.

La, ne, na concrete jungle da Ceu. Hum, descobertas a respeito dela e aumento de respeito. Show? Logo.
Render-me ao forro e ao tango. Largar a faculdade pela danca e pelo amor ao corpo e a musica.


Depois da cantada do baixista-jack-johson do Sun Walk ['o quadril. seu quadril nesse vestido. seu quadril nesse vestido com o blues. voce e linda'], fico mais para mim.
Hum, e depois dos litros de lagrimas derramadas no Bruno e nas toalhas da mesa de canto da Cachacaria, tento. Eu juro que tento.

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Save me again, Mr.Cash.

We got married in a fever, hotter than a peppersprout
We've been talkin' 'bout Jackson, ever since the firewent out.
I'm goin' to Jackson
I'm gonna mess around
I'm goin' to Jackson
Look out Jackson town.

Oh yeah, hit me, hit me, hit me.
Porque Sun Walk toca Johnny-Cash-mesmo-não-sendo-blues e eu ficarei imensamente feliz.
E, oh yeah, god bless meus ataques sozinha de 'bom dia, eu te amo' fazendo uma moral com o namorado.

But I won't be waiting in Jackson.
E o from now on é melhor.
Sem disponibilidade, as Kika said. E a moça que me beijou no carnaval de Ouro Preto. E o moço que apertou meus braços com toda aquela pseudo virilidade típica.


A desculpa, a mim mesma, leitora única do blog, por beber às seis da manhã e ficar com cheiro e gosto de cachaça. Oh, eu contei que tenho gosto de cachaça pra quem?
Down to the cold, more then ever.
At least now I'm wearing a bikini.

domingo, fevereiro 11, 2007

- Poor you.
- Quer montar uma banda?
- Quero.
- E se a gente fugisse para o Sul?
- Não, Minas.
- Banda de quê?
- Dupla de samba/mpb.
- Só nós dois?
- Até pode.
- Me dá seu telefone?
- Não. Pára.
- Eu te amo.
- Foda-se, Beto. Je pense que je suis affectueux avec un autre homme.

Beto era uma paixão semi-platônica dos meus 15 anos. Foi um casinho de verão no inverno, após o término do namoro com Diego e antes do início do com Theodoro.
Beto era 10 anos mais velho do que eu. Ainda é. Um ribeirão-pretano encantador que tocava 'Bess, you is my woman' do Miles Davis em violoncelo. Terminou o caso em busca de São Paulo. Foi quando nunca mais o vi e sofri por um rapaz. Rapidamente esquecido, claro, como todos meus homens na época.
Reencontrá-lo foi engraçado. Do nada, sozinha em um bar de esquina. 'Eu acho que te conheço'.
Conversas, comentários, novidades. Acusou-me de amores impossíveis. 'Como o nosso'. 'Eu nem sequer lembrava-me de você, Beto. Se manca'.

E pensava em Raphael. Pensava no que disse ontem a ele. Nos planos que acabei fazendo sozinha, rá. Ele tem medo de que tudo isso se torne real, no sentido de, real mesmo.
Não mais apoio.

sábado, fevereiro 10, 2007

Quando eu morrer,

não quero um enterro cristão, não quero um enterro budista, não quero religião na minha morte. não quero um deus imaginário que existe dentro das pessoas vivas.
não quero pessoas, não quero choro, não quero coroas nem cartõezinhos e fotografias ou lápides com frases de algum filósofo desencantado.
quero morrer sozinha. quero escolher quando morrer. um suicídio solitário, como se existissem milhares de outros tipos.
escolherei como será a morte. há algum charme pessoal envolvido no afogamento, que sempre me encantou. morrer rodeada de água fria, azul, verde, transparente. sem observação.
escreverei uma carta. longa. vastíssima. enrolada. confusa. culparei pessoas e não morrerei com ódio.
outra? morrerei por um tiro. longe. em aberto. sete dias depois de uma fuga alucinada. morrerei dizendo alguma palavra cuidadosamente escolhida.

'meu amor não se incomode, em prestar muita atenção'.





a atração pela morte, hoje. fuga, fuga.
tomei decisões, mudei de idéia, frustrei.

gosh, hoje é em letras minúsculas.
crescer, olha.

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Concerto de silêncio, para duas vozes

Surda era Otília.
Não ouvia as palavras de amor que ele dizia. Não ouvia as músicas de amor que ele cantava.
Deslizava os dedos sobre a boca do amado. E nada. Encostava o ouvido no violão. E nada. Nem som nem vibração chegavam até Otília.
Trancada no silêncio, sofria sem encontrar saída. Até que um dia, tomada de doce fúria, cravou os dentes no pinho que ele dedilhava. E penetrando pelos dentes, fluindo pelos ossos, infiltrando-se debaixo da pele, o som varou enfim, ofuscante, a cabeça de Otília.
Surda, porém, Otília não falava.
Não dizia do amor. Não dizia das músicas que agora lhe chegavam.
Afastado pela mudez, sofria ele em busca de saída. Que encontrou ao cravar os dentes, em doce fúria, no branco ombro de Otília. Percorrendo os dentes, deslizando pelos ossos, impregnando toda a pele, ouvindo a cadência suavíssima pulsar do som da amada, que enfim lhe chegava.

Ah, Marina Colasanti.
Na verdade, há um bocado de coisa que eu não entendo.

Como o por quê de eu só haver aprendido a digitar com o indicador e o dedo médio, ou de eu estar com gripe há duas semanas ou mais, ou minha irritação com tudo.
Acho mesmo que não passa de birra, de manha. Quando eu aprender a controlar certas coisas, as situações todas do mundo melhoram; inclusive a fome e a AIDS na África são culpa minha.
Vir aqui toda vez esperar por ele e cobrar algum retorno é imbecil. São as tentativas de viver, o que a internet não possibilita. Não vou conseguir manter um relacionamento à distância através dela. [Rá, e lembrando que, nos meus tempos sem banda larga, mantinha um namoro com um rapaz de União da Vitória, no Paraná. E o detalhe é que as conversas só ocorriam aos finais de semana. Ahn, claro, das 48 horas, 30 eram passadas na frente do computador, mas vá lá].

Talvez isso aqui nunca vai nos deixar viver, nos fazer crescer. Como ele mesmo disse, ele cresceu tanto, tá tudo tão direitinho; e não foi pelo tempo que ele passou por aqui. Não consigo evitar pensar que estrago um bocado de coisas, que não deveria apoiar tanto, fazer dele alguma espécie de refúgio de uma série de coisas esquisitas, esperar e tudo o mais.
[anuncio a vinda de alguma crise que não deveria existir, visto que depois dos 20 e tantos dias dele comigo, o quadruplicar de sentimento me dá alguma segurança].

As soluções para agora são bem vindas. Acho que a Flora mencionou 'prestar UFBA'. Nada tão grande, já que ele mesmo acha melhor que eu termine o curso e estude e tudo o mais. Contextuais, ié.





_carlos eduardo diz:
o q eh DCE!?

Ai, deuses.

terça-feira, janeiro 30, 2007

de novo e de novo. talvez eu me sinta menos do que antes e tal.
well, sem vontades de explicar.

terça-feira, janeiro 16, 2007

Bah, quando minha mãe resolveu tomar pulsos de ferro da educação dos meus irmãos, era tarde demais. Acho que um bocado da falta de respeito veio de mim. Já levei um tapa na boca por responder alguma coisa e, desde então, sou o exemplo. Droga, o sentimento de culpa me faz ficar chateada. Ou talvez seja a adolescência. Gosh, daquele 'faça o que eu diga, não faça o que eu faço'? Como eu quis que o respeito surgisse e que a consideração por tudo o que minha mãe passa também. Soa tanto como se eles não se importassem e não dessem carinho.
Ela citou algo como 'tomara que ele pegue tiro de guerra.' Hum, agora, depois de ver como ele fala com ela, talvez não o queira mais como companheiro de apartamento.

As separações mais drásticas se dão assim? Oh well, temos um garoto problema mal amado. O raciocínio dele tem se mostrado lento e o egoísmo aflora. Minha avó acha que são companhias. Bom, talvez eu nem enxergasse nada. Não vejo o que fazer para atingi-lo. E, oras, envolvo-me tanto quanto não deveria. É um caso de rapaz mal agradecido.




Meu egoísmo, também. O que nem é, acho. Só consigo pensar no Raphael e nos dois dias que faltam para que ele esteja aqui. Entrego-me à sensação de amor e vontade, ou paixão. E, ao mesmo tempo, consigo perceber que talvez eu não consiga conversar.

Deixa os dias e conta as horas.

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Parei, hoje, para descrever a Elena, mae do Gabriel.

Nada, entao. Apago o texto apos uma raiva de certas coisas. Minha familia e hipocrita, demasiadamente hipocrita.
Cansada dos posts de duas linhas, percebo que nao consigo ultrapassar o limite, por uma aflicao do que e a existencia dela. Talvez eu so tenha criado um sentimento forcado, como e claro nas acoes da minha mae. Vontade quase incontrolavel de sair do meio, agora.


De resto? O 'Gatsby' nao e tao bom quanto dito. Devo ter ido com expectativas demais ao Fitzgerald. Hum, e tia Leo deu-me uma colecao de livros de suspense ou terror, algo como Sheldon e Christie. Nao me interessa, at all. Paro para ler uma linha de casa um deles e, 'e isso'?
Com uma careta, enfio-os de volta ao armario do meu quarto.




Consigo, agora e apenas, ser seis dias.

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Tome tento, fique esperto, hoje não tem papo. Rá.

Meus dias têm sido dignos de 15 anos, para menos.

O ontem, foi na casa da Kika. Enganei-me a respeito dos alcoólicos e me deparei com refrigerante, pizza e 'imagem & ação'. Priscila, Carol, Kika e vídeos no youtube. Para rir? De desesperar. E de todos os ataques quando a opção 'Lazer' saía, e todos os desenhos e minhas mímicas de curandeiro e Recruta Zero.

E minha raposa é assim.

Hum, hoje? Andar, muito. E brigadeiro enrolado com granulado de chocolate e guerra de bexiga d'água. Achava que era sob o pretexto de o Gabriel estar po aqui, mas não. Eu, com os plenos 19 anos, divertindo-me mais que meu priminho de cinco anos.

Ê beleza.

domingo, janeiro 07, 2007

posta! posta! posta!.


Post de umas linhas e só: a Bruna Lombardi é um te-são.
Oh gosh. É, eu achei o 'Grande sertão: veredas' por aí e, apesar de ser adaptação da Globo [Toni Ramos e afins], ela é o Diadorim. Deuses.

terça-feira, janeiro 02, 2007

Hum, retrospectiva?

Nah, só um post piegas de volta-pra-casa-e-senta-no-computador-direito. E, coincidentemente, é o primeiro post de 2007 e tal. É divertido, vai.

2006. 2006 foi um ano, diferente. Eu não sei se ainda é o melhor ano da minha vida porquê ainda não trabalho, mas ele tá todo próximo disso. Esse ano eu fui pra faculdade, voltei a beber, tive sexo e amor, tive amigos, tive música, tive desenvolvimento, tive escrita, tive solidão e companhia, tive leitura, tive São Paulo e Batatais.

Em primeiro lugar, eu entrei na USP. E entrar na USP é, sim, tudo isso o que vocês estão pensando. Aquilo se tornou minha razão de viver facinho, facinho. Ahn, e eu sinceramente acho isso por culpa da ECA, que é o melhor lugar do universo todo depois do meu apartamento. As pessoas, a minha turma de Publicidade, o Gautiê, a Dona Hermínia e o CAC, a ECA Jr., as aulas do Aquino que não serviam pra nada, os tempos na prainha, alguma Quinta&Breja, todas as conversas, tudo, tudo tudo. Ô tesão de faculdade, rapaz.

Meu apartamento. Morar sozinha não é sinônimo de liberdade e independência, mas é o mais próximo disso. Ter uma responsabilidade de limpar um lugar e se alimentar direito, mesmo que a todo momento existisse uma vozinha na minha cabeça dizendo 'larga isso, sua universitária'. Rá, e o que é morar sozinha? É ter todo o tempo do mundo pra você, dançar de calcinha na frente do espelho, inventar alguma coisa pra comer, chamar as meninas para dormir em casa ou assistir a algum jogo da copa regado à cerveja. Chorar e entrar em desespero quando o telefone toca. Tive porres fenomenais sozinha e comecei a ficar louca conversando com a televisão e sabendo que horas eram pelo itinerário do ônibus. Já tive problemas gigantescos com dinheiro, aprendi a economizar e a organizar contas. Aprendi a não ligar para mamãe quando fico doente, a tomar um remédio quando vou ficar gripada, a aguentar tudo o que me incomoda, a correr atrás do que é necessário.

As pessoas. A minha turma de Publicidade, sem exceção de nenhum deles, são umas das pessoas mais fantásticas que eu já conheci. Eu ganhei melhores amigas, mesmo, e que são bem parecidas comigo. Conheci rapazes inteligentíssimos. E todos eles são divertidíssimos, da minha turma. São as 20 pessoas mais unidas do universo, if I may say. E as moças de Biblio, claro. A Mari, a Mar e a Lih. Da Lih, sem qualquer palavra. E os moços de Biblio. E as pessoas de jornalismo e de cênicas. E as outras de Publicidade. E as da FEA, e da Física, de Letras, lá da USP Lost e da EACH, e de Sociais, Geografia, História [tá, isso é DCE]. Bleh, e teve todas as pessoas de fora da USP que eu conheci, na rua, nos bares, nas festas, nos shows e piqueniques no Ibirabuera com o Daniel.
Tive as da internet. Algumas que se tornaram reais, outras não, mas que estão como se fosse perto.
E, talvez a que talvez mais me fez ter alguma sensação ou crescer, o Raphael. Ahn, e bom, falar sobre ele não cabe aqui. After all, ele é meu namorado agora e tudo o mais.

Musicalmente falando, agora, eu cresci como nunca. Eu fucei em Cordel e em jazz, muito jazz. Senti melhor Zeca Baleiro e todas as bandas esquisitas que ninguém nunca ouviu falar. Tive mais contato com o samba e com o blues. Bleh, e, tá. Dancei tudo o que veio na minha frente. Aprendi a respeitar certas coisas em relação à música, oh ié.

Intelectual da Gábe. Por incrível que pareça, desenvolveu-se um pouco. Com a USP, tudo o que eu li e escrevi, o contato com o movimento estudantil, as peças, os shows, as exposições, os filmes.

São Paulo foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida, disso não resta dúvidas. Mas se for esquecer o que aconteceu em Batatais, não. Apesar da internet, aproximei-me mais da Kika [o que resultou em uma declaração, mas vá lá]. Distanciei-me da Jollies e da Lou. Conheci melhor o Octávio. Tirei carteira de motorista. Teve o Bruno, que se tornou algo bem forte em mim. Teve o Zé Antônio. Teve alguma reconciliação com o Théo e um monte de não-falares com o Vinicius. O Guto, meu irmão, melhorou ânimos e é tudo em todos os momentos. O Higue cresce mais a cada dia. Meus pais, bom, sempre bem. Minha casa, ah minha cama.
Odeio cidade pequena, mas sempre volto.


Ah, 2006. Ô ano bom. Mas, como diz Mupy, 2007 é noves-fora. Veremos, veremos. Começa bem, already. ;p

quarta-feira, dezembro 20, 2006

preguica de ler os debates caloros do grupo do calc, han.
o well, divertido, no minimo.

hoje eu decidi uma coisa, apos muito pensar e, nao dormir direito: comeco, agora, a levar meu curso nas 'coxas', pretendendo seguir algo relacionado com a escrita. falta, falta talento, claro, mas ha criatividade e vontade de sobra. ha, tambem, uma maquina de escrever, que e milhoes melhor do que essa porra de computador. quel absurd, claro.

ra, ontem, tambem, cairam certas opinioes a respeito de amor de traicao. [barra maior, ouvir do seu namorado]. desiludida, encostei a cabeca no travesseiro decida a nao ter algum pensamento a respeito de um futuro com meu atual namorado. a gente chama isso de tristeza or something, eu chamo de velha gabriela. parar, claro, com essa mania de construir uma vida baseada nele. com tudo o que aconteceu no final de semana, cada um dos pedacinhos, agora curados e melhores, podem chegar a deixar de achar aquilo de 'homem da minha vida'? imaginem se isso acontecer? digamos, a historia de recife me deixou mais chateada do que a internet possibilita transparecer.

resultado: nao ha mais uma distancia fisica, mas, talvez, uma que seja contextual? oh flora. eu e ele somos de universos diferentes, no sentido de relacionamento, claro. me dispus a isso. continuo. ele vale, e a situacao? outro ponto pra voce.



vamos, vinicius, declare-se, que eu nao recebo um elogio ha meses.

segunda-feira, dezembro 18, 2006

I really can't stay - Baby, it's cold outside
I've got to go away - Baby, it's cold out there
This evening has been - Been hoping that you'd drop in
So very nice - I'll hold your hands, they're just like
ice
My mother will start to worry - Beautiful what you're
hurry
And father will be pacing the floor - Listen to that
fireplace roar
So really I'd better scurry - Beautiful, please don't
hurry
Well, maybe just a half a drink more - put some
records on while I pour
And the neighbors might think - Baby it's bad out
there
Say, what's in this drink? - No cabs to be had out
there
I wish I knew how - Your eyes are like starlight now
To break the spell - I'll take your hat, your hair
looks swell
I ought to say no, no, no sir - Mind if I move in
closer?
At least I'm gonna say that I tried - What's the sense
of hurtin' my pride?
I really can't stay - Baby don't hold out
Baby but it's cold outside
I simply must go - but Baby it's cold outside
The answer is no - but baby, it's cold outside
The welcome has been - How lucky that you dropped in
So nice and warm - Look out that window, man that's
hard
My sister will be suspicious - Gosh, your lips look
delicious
My brother will be there at the door - Waves upon a
tropical shore
My maiden aunt's mind is vicious - Gosh, your lips are
delicious
Well maybe just a cigarette more - Oh, never such a
blizzard before
I've got to go home - Baby, you'll freeze out there
Say, lend me your coat - It's up to your knees out
there
You've really been grand - I thrill when you touch my
hand
But don't you see - How can you do this thing to me
There's bound to be talk tomorrow - Think of my
lifelong sorrow
At least there will be plenty implied - If you caught
pneumonia and died
I really can't stay - Get over that old lie



Para guardar no blog e deixá-lo com um tonzinho a mais de jazz melancólico de abandono. ;)

'A Aracy, minha mulher, Ara, pertence este livro'.

Em 2001, a Nova Fronteira pôs no mercado uma edição de "Grande Sertão: Veredas", de João Guimarães Rosa (1908-1967), que respeitava a insólita ortografia do autor, erroneamente "revisada" após a reforma ortográfica de 1971. A edição trouxe de volta pérolas como "dansar", grafada com "s", porque, para Rosa, a cedilha no "c" "prendia a palavra à linha", impedindo o movimento que o vocábulo deveria evocar.


Quem precisa de pais quando se tem a edição nova do 'Grande sertão: veredas'? Nesse ponto, eu poderia fazer lista das coisas que o livro substitui, mas não cabe, apenas.
Rá, adoro comemorações, datas importantes. Esses cinquenta anos levaram à exposição no Museu da Língua Portuguesa [e a tudo aquilo que chamaram, enquanto eu andava, de 'se divertir lendo Guimarães, nem para as poucas pessoas que conseguem isso, realmente']. Levaram, também, àquela noite de leitura com José Celso, Arnaldo Antunes e Mindlin [a qual eu, sinto em dizer, não pude ir]. Levou ao livro com dvd. Levou a todas as milhares de reportagens sobre Guimarães na Folha. Levou o Antônio Cândido a gravar um cedê com músicas do livro. [www.folha.com.br/063491]. Levou àquele monte de coisa no SESC do Carmo. Está me levando à Letras. Vai guiar meu TCC, provavelmente [sim, eu sou jedi e consigo relacionar Guimarães com publicidade].

Tá, não vem ao caso. Vem, sim, meu mapa de viagem. Hum, começando por Cordisburgo e vai, vai, vai até Canudos.
Nossa, eu conheci um rapaz que foi, e que ficou olhando a represa, putíssimo. Ria dele, na fila para 'O Homem I' [ai, parou.], amigo do Jannerson, acho, era aquele que cantava todas as músicas da peça e tá, por ter ido quatro vezes ou mais em cada episódio.
'Odeio essa maldita represa.' Aham, todos nós.

Por que a Aracy pegou os dois sobrenomes? Ah, never mind. Hoje é dia de Glauber Rocha: 'O Leão de sete cabeças', 'O dragão da maldade contra o santo guerreiro' e, claro, e de novo, 'Terra em Transe'. Hum, tudo isso é coleção, tá. A Gábe é tarada e ainda precisa do 'Corpo de Baile'.




Levanta as mãos!

sexta-feira, dezembro 15, 2006

Hoje eu deveria apenas sorrir e cumprimentar umas cinco ou seis pessoas pela segunda fase conquistada da Fuvest; deveria deitar-me no sofá da sala com um pote de sorvete de chocolate enquanto assistia a terceira parte do 'Poderoso Chefão'; deveria ler um dos livros do Vinicius. Deveria render-me ao tédio gostoso de Batatais.

Mas não. Meu caráter temperamental não deixa e eu consigo ficar pior do que nunca, nesses dias. Comentei rapidamente com a Flora, hoje de manhã, em meio a novidades bem vindas, algo sobre o novo/velho problema. Não consigo, não consigo mais.
Vejo-me fraca e só uma, das pessoas de quem e esperaria, veio. O Raphael não demonstra interesse. Diz que me sente estranha, mas nada mais. Bleh, acostumei-me, quando meu avô morreu, a não esperar, a não sofrer. Forçadamente, desapeguei-me da sensação de que ele estaria sempre aí pra mim. A faculdade não deixa, ou mentira. O DAMED não deixa, ou não. Mais uma vez, imponho-me algo como um homem ocupado, sem tempo. Queria um bocado? Não, not anymore.
O problema aumenta enquanto ele não vem. Nada tinha a ver com ele. Agora tem? Não. Perco-me na vida a custa de aventuras. Tenho bebido e ficado até amanhecer andando pelas ruas. Não sinto peso, vem aquilo do que tenho passado aqui em casa, que não exponho. Vem aquilo que comentei com a Kika ontem, a respeito da falta de liberdade, e do sexo e a bebida terem se tornado algo tão meu que já não pesa.

Fortaleza virou uma disputa, agora, por direitos. Perco a reunião de planejamento. Perco vontade de falar. Afundo-me, a cada dia. Talvez seja isso o que afasta o Raphael. Maybe not, pensando que, se ele não ler o post, não fica sabendo de nada.
O Bruno disse que estou me desapegando, e que sente por isso. Disse, também, que o passado não deveria pesar tanto e que todos os dias na internet é chato. Não deveria ser, quando eu sentia arrepios nos braços a cada vez que ele entrava.

Ontem, na fazenda, vi que o pior era não saber o que ele estava fazendo naquele momento. Não, não por crise possessiva, mas pelo interesse enorme que tenho nele.
Há quantos meses, quantos meses sem carta? Quantos dias sem e-mails? Não fico online no msn, não quero esperá-lo mais. Saio, caminho, afundo-me em pensamentos. Meu relacionamento com ele? Discutimos algo e não temos perspectivas. Temos planos estabelecidos que me fazem sorrir, ainda.
Mas, não o sinto, não o sei, não o encontro. Sentir falta? Se fosse mais, afogaria-me em lágrimas.



É, eu tenho três datas no nosso relacionamento. Daqui a uns dias, seis meses sem você. Eu morro pensando no nosso amor. Que dá tudo certo, e que eu adoro meus ataques, sinto por você. Sempre me entreguei sem pensar, e que a saudade existe e, se vem, é tão triste, ver. Um jazz bonito, da mulher que adora e admira o homem, e que sabe ser fantástica, inteligente, fascinante, mas que não tem isso do amor. Agora? Um amigo em comum me receita um barman e te diz 'cuidado'.

sexta-feira, dezembro 08, 2006

A piauí desse mês fala sobre Beatles. Depois, fui parar reparar em 'Fool on the hill' e em fotografias do Lennon. 'The fool on the hill sees the sun going down'. Sensação parecida por aqui, mesmo antes da formatura, com vontade de usar meu vestido curto vermelho, soltar meus recém cortados cabelos e não me importar em arrumá-los. 'Round, and round, and round, and round'. Quando foi que eu deixei de me importar? Quando foi que eu quis me esconder, novamente? O amargo, é culpa dele.

Hoje quis desistir de tudo. Organizei uma mala, escrevi uma carta e peguei uns dinheiros. Iria para Paraty, provavelmente e com toda a vontade do universo. Eram quatro horas da manhã quando desci as escadas e caminhei até a rodoviária. Parei no frio anormal da região do lago e olhei para baixo. Chutei alguma pedrinha para dentro da água calma e sentei-me. Esperei, esperei, esperei o sol nascer. Desisti, e não foi por ninguém. Foi por mim mesma. Que, eu fujo por mim e de todo mundo. Se fosse, não avisaria ninguém.
Como eu quis, ah, como eu quis..Como eu devia, ah, como eu devia.

Nada de 'chega mais perto' e de 'diga-me, ou faça cara de quem..'. O Vinicius me ligou um bocado de vezes e ficou em silêncio em mais de 15 minutos dos 20 de ligação. Não consegui entender os motivos dele, mas ele dizia para que eu cantasse, resmungasse, assobiasse qualquer canção. Não quis, e partilhei do silêncio.

Hoje, ajudei, claro. Cansei-me mais. Não sinto vontade de sair mas irei. Não quero, não quero.
'Quanta cachaça na minha dor'.


Começa, semana que vem, uma vida profissional. Chato, chato. Depois disso, sei que não paro. Como dedicar-me, além mar? Como, se o funil estreita e as brechas de tempo somem, engolidas pelo vapor?

terça-feira, dezembro 05, 2006

'é tudo uma total insensatez'

Tudo o que eu mais quero é livrar-me de computador e de ter que ficar mais de seis horas por dia sentada por aqui, finalizando e morrendo por não conseguir concentrar-me para escrever um maldito reflecon.
Engraçado como as pessoas da minha sala aparecem no msn com nicks de ameaças de morte à Motter e de ódio aos trabalhos finais.
Serão três meses longe daqui? Não, eu não consigo mais. Certamente volto apenas para pegar o Praça da Sé e ir caminhar pelo Viaduto do Chá.

Domingo foi dia de Denis. Foi dia de marcar algo no MIS, sobre cangaceiros e depois resolver ir até o Ibirapuera aproveitar o sol fechados na Oca. Conversar, andar muito. Ouvi-lo falando do que ele gosta, pensar em como ele tem razão ao dizer 'eu gosto de pessoas que gostam muito de coisas' e da cara dele ao ouvir-me chamando-o de pegator e fazer alguma careta. E de todas as tentativas de fotografias da noite paulistana. E de ouvir do que ele não gosta, das pessoas lerdas e burras. Depois, tirar conclusões sobre como acho divertido ele falando um bocado, contando traumas [além de superá-los] de medo de chuva e ouvindo-me reclamar da aracnofobia.
Descobri que quero ser como ele em certos aspectos, conseguindo enxergar layouts de propaganda em todos os quadros do univeso e falar sobre como o filme da calçada engraçada seria utilizado em algum comercial ou filme.

Ontem foi dia de Largo São Francisco e debate sobre mudanças na conjuntura política, com a Jandira do PCdoB, o Beluzo da CartaCapital, o João Paulo do MST, o Ivan Valente do PSOL e o destoante Paulo Nogueira. Eu boquiaberta e a Cãmi entediada. Patrícia apresentando um milhão de pessoas do DCE com as quais eu nunca tinha tido contato [é, maldita chapa grande], caderninho com todos os papéis do mundo enfiados, anotações, Sala dos Estudantes.
E ah, tudo isso. E ah, mova-se. E ah, eu vou ser tão maior. Tanta vontade.
Marca italiano, e Táli no msn, e Marcha Mundial das Mulheres. Vinicius ligando e vindo aqui às onze da noite com cinco livros no braço e uma cara de bêbado e correndo para encontrar a Juliana.

Hoje. Enrolação, corre-corre, nervosismo. Decidi, do nada, ir para Batatais amanhã mesmo. Volto para São Paulo lá pelo dia 13, creio. Fico e viajo para Praia Grande. E há planejamento.

Outra aflição. Acho que a mãe do Rapha não conversou com a minha. Tá, menos chances de vê-lo. Não sei mais o que fazer. São quantos meses, cinco? Queria poder pedir mais, tentar e tentar. E minha mãe com planos de se fechar na fazenda, coisa que eu, uma mocinha de 19 anos tarada por barulho, não gosta tanto.




É, Toquinho, só me resta você. Fica para a madrugada?

sexta-feira, dezembro 01, 2006

É. Se não fosse pelo Vinicius hoje, teria morrido de tédio.

Sabe, um daqueles dias que a gente tira com a máxima 'hoje eu descanso', mas na verdade, quase morre por não haver o que fazer? Pois foi o que houve por aqui.
Mas ele apareceu aqui em casa com um livro do Rubem Fonseca, uma garrafa de água quente com a cuia de chimarrão e um cedê do Max de Castro.
Claro, ele chegou revoltado com um bocado de coisas [como ele sempre aparece pra mim], resmungando e xingando milhares de pessoas. Olhei bem pra ele e foi um 'Cala a boca, Vinicius. Senta e fica quieto'. Ficamos, claro, duas horas discutindo política. Estranho fazer isso com ele, uma vez que a voz do rapaz assume proporções absurdas, o que sempre me faz quase desistir de discutir qualquer coisa com ele. Mas chega a ser divertido, ele quase não se move, apenas faz algum movimento com as mãos e grita, grita muito. Rá, engraçado.
Depois do chimarrão, tentamos, como raras vezes, falar de outra coisa. Falei um bocado do Rapha e ele do amor pela Juliana. Tentamos, depois, o assunto livros e tentei entender o por quê da combinação Fonseca+Castro. Ele mencionou que a música com o nome mais comprido ['A história da morena nua que abalou as estruturas do esplendro do carnaval'] era a minha cara. ['Rá, aonde, meu filho?'.] e que 'Agosto' soava a Gabriela. 'Você precisa associar as coisas melhor, meu caro'.
Foi-se há pouco.

[Tá. Nota estranha da minha mãe que acaba de me ligar. 'Ó filha, eu vou depositar uns cinquenta reais pro resto da semana.' 'Eita, mãe. É muito, põe menos.' 'Nah, vai comprar camisinha com o dinheiro.' 'Hein!?'].

Descanso, agora, depois da salvação do tédio. Quase final, só mais um reflecon, só mais um trabalho. Fim de filme, fim de provas. Batatais logo. Por longos três meses.



Aposto que, se eu fosse morena, eu ia ter milhares de músicas para mim. Droga, ser loira [ou quase] e branquela, é total chato. É, quando eu danço, acho, sinceramente, que lembro uma gringa que nunca se moveu.

quarta-feira, novembro 29, 2006

A proposta de ontem assustou-me mais do que pude demonstrar ao Rapha, por telefone.
Confesso que, com meus recém completados 19 anos, sou leiguíssima no assunto. E às vezes nem é culpa de ninguém, só minha mesmo, que ontem, pela primeira vez, consegui ter algo indescritível comigo mesma.

Bom, eu falo sobre sexo com qualquer pessoa e acho o assunto interessantíssimo. E as pessoas gostam de falar comigo sobre isso. Consigo fazer a Jéssica dissertar longos minutos e a Jollies perguntar como funciona alguma coisa. Olha que na minha casa, a minha formação nem se voltava tanto para isso. Há liberdade sim [apenas para tratar do assunto, é.] E digo que quase cresci achando que minha mãe havia casado virgem. Rá, pressões, pressões. Se não fossem os livros. O Kundera e a lista para tirar sarro da minha cara com livros e filmes que eu não poderia ver. Mas que vi, graças à existência dela.

Entretanto, depois de ontem tive sonhos sobre pessoas demais em um lugar só. Olhava para a Kika e percebia que, apesar da curiosidade, não havia uma vontade maior do que a que eu sinto pelo Rapha. Bom, pelo histórico, se eu gostasse de mulher, talvez tivesse um bom número disponível para escolha.
Essa história da Kika é complicada. Algo de melhor amiga perdeu-se quando ela fez uma espécie de declaração semi-esperada, enquanto eu já estava com uma certeza a respeito do Raphael e nem saberia pensar sobre o assunto. Devo tê-lo feito há um tempo já, quando aquela ruiva colocou um papel no meu bolso de trás da calça jeans. Nada, nenhuma vontade, nenhum tesão, nada. E aquela frase brega, chavão, clichê: 'Eu gosto é de homem'. E, um 'oh ié, mon dieu' pro meu namorado.

Assim, é culpa do livro e do dia de ontem.
Agora, não havendo aulas e como eu não acordei pensando em sexo hoje, melhor estudar para o italiano, fazer esse trabalho maldito de fim de semestre e estudar para o Mick Jagger.

sexta-feira, novembro 24, 2006

Eu sou tão legal, mas tão legal, que se não fosse por mim, a chapa nem teria votos na ECA.
Na verdade, eu acho que é porquê eu falo demais. Ou não.

E, por culpa do calor e do banho de água fria de meia hora, paro na frente do computador, sem movimento algum. Acho que, começar, trabalho, manifesto, pensar em manifestações novas. Se eu animo, han, dá algo errado.

Rá, e nunca mais rola um 'eu te amo', que eu sou namoradinha/caso/ficante/rolo, né. Algo sério demais, fica feio.





Um beijo da Olga Benário.

segunda-feira, novembro 20, 2006

É estranho pensar em como passamos a acreditar em pseudo-premonições quando moramos longe de casa. Ou mesmo longe de qualquer pessoa que faça parte do querer-bem. Daí, pensei mesmo que fazer uma lista sobre as pessoas com quem já sonhei algo ruim e pensei em pegar um ônibus naquela direção.
Ontem, enquanto estava na cachaçaria, ouvindo alguém tocando Cordel, olhei pro lado e pensei no Rapha. Dessa vez, não foi uma vontade de ligar para ver se ele estava bem, foi de ligar por uma sensação mais forte, daquelas que causam tonturas. Procurei meu celular na bolsa e vi que o havia esquecido. Murmurei, então, para mim mesma, tudo o que eu queria dizer. Fechei os olhos e sorri quando vi a Bud voltando do banheiro.
Quando cheguei em casa, reli um bocado de e-mails antigos dele. Havia um sobre o Dragão do Mar, e um sobre um domingo, e um sobre confusões. Estranho, classificar escritos de março, abril, maio como antigos. Deveria classificar pensamentos de quatro anos atrás como antigos.
Sabe que hoje fiquei com aquela pergunta, o 'quem diria', de novo na cabeça.

Rá, deveria parar com o Chris Isaak, e toda a diversidade de músicas dele. Mesmo que, o estranho - ou não - seja o fato de haver um tema quase comum. Como o Zé disse? De 'I love but I don't give a fuck'. Ou 'I love you, but I don't want it'.

Diversão, claro. Saudades do Zé. Semi-eliminadas.

sábado, novembro 11, 2006

non te ne préoccupe pas. comme tu faite toujours.

O Peão posta Cortazár e eu recebo um 'boa noite' quando quis ouvir a voz dele.
De todas as vezes em que eu me apoiei nas meninas, ontem talvez tenha sido a mais forte. Engraçado, ouvir a Cãmi comentando alguma coisa sobre força e convicção deixou-me kinda torta. Confesso que fiquei sem saber que ação tomar.
Houve um ponto cego de sorte quando a Thais me ligou, dizendo que a chave do portão não funcionava e quando ela, finalmente, chegou aqui no apartamento.

Agora, sento-me no escuro, por raiva do sol que não se decide. Ficava pensando no filme de ontem, e em como o Almodóvar me surpreende, e em como eu tenho me esquecido. De tanta coisa, para dizer a verdade. Tenho apenas dó de mim mesma [e das meninas, claro]. De todas as minhas fugas forçadas, nada funciona. Ainda soa à Billie Holliday e pretendo livrar-me disso. Fugi de casa a semana toda. Desligo o computador para livrar-me durante uma semana de toda a espera e saudade.
Pobre moça, ainda tem um tom artificial daquele sumiço forçado que a Ana mencionou.

São festas todos os dias. Volto, hoje percebo com toda força, ao que fui enquanto namorei o Théo e o Vinicius. Rá, este último? Irritam-me as frases soltas de 'eu sou louco por você', 'volta pra mim', 'eu mudei'. Percebam-me, senhoras e senhores, certas pessoas não mudam. Apenas tenho vontade de responder com um 'só se eu puder beijar alguém na sua frente. hijo de puta'. Não digo nada. Não sinto pena. Talvez até queira fazê-lo sofrer. Alguém me disse que isso só funcionaria com uma esperança [claro, é a inimiga humana]. Sinto em desapontar, não funciona enquanto se tem certos sentimentos por outra pessoa.

Conheço pessoas tristes e uma delas, o Bruno, mencionou que fico bonita assim. Olhei pra baixo e ele viu alguma coisa. 'Não. Você fica mais bonita falando, dissertando, gritando, rindo. A tristeza é fascinante no seu rosto, mas o sorriso talvez seja melhor'. Depois, mencionou o 'não desaponta quem te vive'. Espirrei nessa parte e perdi a concentração da conversa, deixando-o sozinho no bar. Como sempre.

Toda a passividade, mon dieu. Forçando crenças na distância.

quinta-feira, novembro 09, 2006

O corte da lâmina de barbear não havia sido pequeno. Parou para olhar o sangue, que agora caminhava com a água e manchava os azulejos brancos do banheiro. O tédio fizera parte do seu dia, e observar aquele líquido vermelho compunha um verdadeiro acontecimento. Pensou que nunca mais rasparia as pernas novamente, resolvendo optar pela dor da cera de depilação.

Saiu do banho e enxugou-se, lentamente, ainda com a atenção voltada para os sangue que agora secava em seus pés. Abriu o armariozinho do banheiro e pegou band-aids. Caminhou para fora do banheiro e sentou-se, nua, na cama. Encostou a cabeça em um joelho e fez, lentamente, os curativos nas pernas. 'Estabanada'. Viu que a janela estava aberta, e que o velho do prédio ao lado a observava, satisfeito. Levantou-se, injuriada, mostrou a língua e fechou as cortinas.

A preguiça para trocar de roupa era maior, o que fez com que ela colocasse apenas uma calcinha e desistisse de algo mais, afinal, o ar parava com tanto calor. Deitou-se na cama e fitou o teto branco. Claro que a demora de alguma palavra dele já havia se tornado insuportável. Não quis acreditar que chorava e enxugou as lágrimas violentamente. 'Ele não me merece'. Passara a semana toda repetindo por quês e não havia tido resposta alguma. As duas mais constantes perguntas repetiam as palavras valor e desgaste. Achava que o pior de tudo era continuar acreditando que era linda, inteligente e fantástica. Isso não bastava?
Virou-se e quis suforcar-se no travesseiro, sentindo apenas o gosto salgado das lágrimas que ainda teimavam em cair.

Algum impulso de raiva, dor e cansaço e o grito de 'chega' a fez levantar-se e colocar um vestido preto, aquele com a fenda. Cobriu os olhos com lápis escuro, a boca com algum batom forte e soltou os cabelos. Sairia sozinha. Cansara-se de esperar por ele, cansara-se de dor, cansara-se de descaso e negligência.

Abriu a porta do apartamento com força e decidiu descer os cinco andares de escada.
Enquanto descia lentamente os degraus e balançava os cabelos com desantenção, tropeçou em alguma coisa. Alguma coisa, não. Em alguém. Um rapaz que lia alguns papéis repletos de escritos à mão.

- Nossa, ai, desculpa, eu não te vi aí - dizia, rapidamente, enquanto mexia os braços em movimentos repetidos.
- Não, imagine. Tudo bem.
- Ah, machucou? Nossa, que desastrada.
- Mas, claro que não. E quem me dera que um belo par de pernas como esse tropeçasse em mim todos os dias.

Ficou desconcertada. A última coisa que esperava naqueles dias era um elogio. Não conseguiu dizer nada.

- Poderia me dizer qual é seu nome?
- Ah, ahn. Claro.
- E, qual é?
- Ah, desculpa. Cecília.
- Prazer, Gustavo - disse, enquanto apertavam as mãos.

Ela não saberia como se portar diante daquilo. Deixara de perceber outras pessoas por causa dele e até mesmo a evitar e desgostar de cantadas. Repensou e viu que, no fundo, não passava de auto-anulação.

- Então, eu estava aqui lendo alguma coisa, mas a atenção foi cortada e, sabe como é, né. Quer, erm, tomar um café ou algo assim?
- Ah, descul.. - e cortou a palavra antes de terminar. O que estava fazendo? Conheça o rapaz, saia com ele, distraia-se, esqueça-o - ah, claro!
- Que bom, que bom. Tem um barzinho aqui perto muito bom.
- Claro, vamos, sim.

Desceram as escadas e sairam pela rua. Ela não sabia o que estava fazendo, ainda, apenas coninuava a andar. Sentia raiva, vontade de fazer algo que o fizesse reparar nela, perceber que nem tudo era tão garantido como ele imaginava.
Talvez até fosse, e ela sentia ódio pelo amor que não conseguia fazer diminuir. No bar com o recém-conhecido Gustavo, não cortou as indiretas, deu o telefone e não teve peso na consciência. Quis estar em casa e ter alguém que ligasse para ela, mesmo sabendo que iria, imediatamente, negar qualquer convite que permitisse um avanço maior do que uma saída como amigos.

Deixou que ele beijasse sua mão e entrou no apartamento, sorrindo por ainda ser interessante para alguém. Não sentia-se mais feia e esquecida. Deitou, novamente de calcinha, em sua cama e não ouviu quando ele chegou e deitou ao seu lado, sem dizer uma palavra sequer. Virou de costas e sentiu que ele percebeu algo errado.
Sua maior satisfação foi tirar as mãos dele de sua cintura.

- Estou cansada agora. Quero dormir.

sexta-feira, novembro 03, 2006

É sempre assim. Eu acabo dando um soco e depois parando pra pensar.


Acabei acordando ontem depois de ter dormido durante 12 horas. Pensei no quanto estava cansada e no quanto eu deveria parar com certas coisas, como ficar saindo durante a semana ou dormir com meninas que falam tanto quanto eu.
Depois do almoço, parei na Teodoro em uma tentativa diferente de pegar um ônibus ao invés de um metrô para ir à Paulista.Optei, logo em seguida, pelo mais rápido e subi até a estação, encontrando a Cãmi já há 15 minutos esperando.

Dani e Du logo depois. Comprar ingresso para o filme. Dani e Du almoçando. Esperar a Mupy chegar.
O divertido foi, quase saindo do Center 3, a Dani dizer algo sobre como estava escuro do lado de fora. 'Vou lá pegar guarda-chuva'. É. Chovia como eu nunca havia visto ao andar pela rua. Sandálias acabadas, tênis encharcados, todo mundo rindo e gritando como boas ecanas+mackenzista.
Até o CineSesc foi uma odisséia. Mas entrar no cinema e ver aquele piano na elevação perto da tela fez todo mundo se animar. 'Histórias tenebrosas', filme alemão, mudo, de 1919. O homem do piano [Paulo Braga, improvisando de acordo com as imagens, claro.] sentou-se e a tela mostrou algo sobre o filme, sobre censura e sobre partes perdidas. Foi um dos filmes mais interessantes que eu já vi em toda minha vida e digo sem pestanejar. Ah, além de tudo? Irônico. Muito. A platéia ria um bocado e o filme tinha certos efeitos absurdos [mas que a gente ainda defende pela época de filmagem].

Ah, como ele começa? Um homem louco em um sebo, manda todo mundo do local embora e fica pulando pulando, apagando a luz logo em seguida. Os três quadros, claro, movem-se: uma mulher [estranha, estranha e estranha], um homem muito alto e muito magro e um outro mais gordinho. Claro, vestidos como mortos or something. Then, folheiam os livros e é quando os contos são mostrados. São cinco. 'A aparição', 'A mão', 'O Gato Preto' [sim, esse mesmo], 'O clube dos suicídas' ['morreu de susto' ;p] e 'A Assombração'.
Experiências únicas, eu pensava quando o filme acabou e aplaudimos o pianista em pé.
Outra coisa? um dos atores do filme é Conrad Veidt. Isso, ele mesmo, do Casablanca.

Depois. Casa da Dani, caipirinha de saquê, pizza e, obviamente, conversas sobre sexo. Tarde para mocinhas irem sozinhas para casa, a Cãmi dormiu aqui. Das 22:00 às 3:00. Eu nunca havia conversando tanto com ela e sobre tanto e tudo o mais. Certa de que ela é impressionante.
Just now, ela levantou antes de mim, arrumou a cama e foi embora..

Segundo ela, eu preciso arranjar algo que fazer.
Claro, além de ler, textos da faculdade e trabalhos.
Arrume um empregou ou prostitua-se.